-2

Pitch: O que eu aprendi depois de falir 5 SAAS, e porque isso é relevante pra você

Você não leu errado. Eu já desenvolvi mais de 5 SAAS diferentes, até que um começasse, de fato, a me trazer retorno. Mas, antes de entrarmos nos detalhes, deixe eu me apresentar. Sou engenheiro de software e empreendedor, atuo na área de desenvolvimento há 7 anos e, desde que comecei a desenvolver, sempre achei incrível a ideia de poder criar um sistema do 0 com meu meu conhecimento e conseguir resolver algum problema real com aquilo que construí.

Isso me brilhou os olhos e, desde muito cedo, comecei a tentar resolver ou automatizar qualquer problema que alguém me sugerisse. Comecei no meu primeiro ano de programação criando um sistema de compra automatizada de pregão em sistemas financeiros. Uma área onde eu tinha absolutos 0 domínios e, confesso, que até hoje não sei como eu consegui ir tão longe sem saber nada do negócio. Fiz pois um amigo meu falou que, além dele, muitos outros colegas gostariam de adotar. Pois bem, gastei quase 3 meses desenvolvendo e, quando finalmente apresentei para uma turma com perfil, tive 0 vendas. Eu não entendi o que eu tinha errado. O visual do programa era agradável e o preço era acessível. Só que uma das coisas às quais não me atentei era: aquele público não sabia configurar o programa que criei. Mesmo ele sendo muito intuitivo, não era uma galera tão avançada em tecnologia pra conseguir configurar o programa com precisão da forma como era necessário.

Depois disso, tentei muitas outras coisas: aplicativo de receitas culinárias baseada nos ingredientes disponíveis, sistema de geração de matriz escolar e plano de aula para professores e, por último, aplicativo de aprendizado estilo Duolingo, só que nichado. Todos esses projetos citados acima sempre foram meus "side projects", onde, enquanto eu trabalhava para empresas principais, no meu tempo livre, ao invés de ficar jogando, como era de rotina, eu decidi começar a empreender.

E, mesmo que cada um desses projetos não tenha me retornado um real sequer (muito pelo contrário rs), o aprendizado que eu tive com cada um deles foi extremamente necessário. Enquanto, em um projeto, eu aprendia que um sistema é publicável logo a partir do MVP, ou seja, quando tem funcionalidades básicas que já resolvem o problema do usuário, em outros eu fui aprendendo como oferecer uma boa experiência de uso e assim por diante. Mas, de longe, o mais importante que pude aprender foi como perceber e entender uma dor do usuário e saber conceber uma ideia de como resolvê-la. Eu quebrava muito a cara nessa parte, pois, sempre que eu achava que eu mesmo tinha uma dor, todas as pessoas do meu perfil também teriam essa dor. Aprender a validar uma dor foi a minha real virada de chave. E o mais engraçado disso é: nunca foi necessário saber programação para desenvolver essa área. Isso era muito mais sobre produto e negócio do que sobre tecnologia. Tecnologia é só o meio pra resolver.

Agora, no meu projeto mais recente, posso dizer que finalmente consegui acertar em cheio num sistema que, de fato, resolve uma dor comprovada. E sobre o que é esse sistema e como ele surgiu? Bom, primeiro de tudo, era que eu não estava procurando uma dor pra resolver ou um sistema pra construir. Durante meu trabalho principal, senti uma necessidade profunda de conseguir entregar fluxogramas profissionais para meu cliente final, com agilidade, sem necessidade de ficar desenvolvendo esses fluxogramas na mão.

E eu, como odeio ficar realizando trabalhos repetitivos, comecei a procurar ferramentas que pudessem oferecer isso. Comecei a tentar viabilizar isso através do Miro, não tive o resultado esperado e depois fui pulando de ferramenta em ferramenta. Até que uma hora eu parei, frustrado, e pensei: "Não tem nenhuma solução hoje que resolve isso da forma que preciso?".

Diante dessa dúvida e do jeito que sou, fiquei indignado e comecei a criar minha própria ferramenta, sem o intuito de comercializá-la, mas sim de resolver uma dor latente que eu e outras pessoas do meu time possuíam.

Criei um sistema muito simples, um canva read-only, onde você conversa com uma IA e ele gera um diagrama em BPMN pra você. E por que BPMN e não mermaid ou outros? Simplesmente pela apresentação mais profissional que o BPMN tem e sua receptividade no mercado. Feito isso, divulguei internamente aqui na empresa esse sistema que, no início, nem login tinha e logo comecei a receber MUITOS feedbacks, desde a diretoria até os meus colegas mais próximos do dia a dia. E, conforme eu ia melhorando e resolvendo os problemas que eram levantados, comecei a perceber ali que eu tinha um potencial em mãos.

E, depois de ver como o MVPzinho, que era pra ser algo particular, começou a ser bem recebido por outras pessoas que tinham a mesma dor que eu, logo eu comecei a voltar com o espírito de empreendedor e resolvi finalmente comercializá-lo para outras pessoas.

Adicionei um gateway de pagamento, sistema de login e de organização, criei uma LP com demo gratuita e precificação e, depois de 3 meses trabalhando no SEO e GEO da ferramenta, sem gastar um real (ainda) com qualquer tipo de Ads ou propaganda, consegui captar cerca de 1000 usuários, sendo que quase 8% deles são assinantes!

Tenho que admitir: na primeira venda que ocorreu, eu nem acreditei (literalmente, eu achei que pudesse ser algum golpe haha). Pra minha surpresa, os primeiros 50 assinantes nem brasileiros eram. Como eu construí o site em PT e EN, acabou que essa tradução caiu como uma luva.

Sei que, pra muita gente, esses números acima ainda não são grande coisa (e realmente não são), mas já funcionam como um indicativo fortíssimo de que estou seguindo pelo caminho correto. E a mensagem que quero deixar aqui, pros que, assim como eu, querem focar em empreender com SaaS, é: não desista! Sim, é bem clichê, porém, como não existe nenhuma fórmula pronta pro sucesso, é necessário que você tente até que consiga, em algum momento, ter a solução certa no momento certo.

E, mesmo sem fórmula pronta, a base pra se trabalhar sempre vai ser a mesma:

  • Empatia com o cliente: tenha apego à dor dele, não em como você vai resolver.
  • Erre rápido: durante essa jornada, é inevitável não errar, porém, quanto antes você perceber que está no erro, menor é o estrago.
  • Valide tudo: nunca tenha certeza de nada. Não se apegue a uma tecnologia só porque você gosta dela ou a um design porque foi você que criou. Veja o que o seu cliente acha. Geralmente, não vai ser a sua primeira ideia que vai vender mais.

Se você chegou até aqui, obrigado por me permitir apresentar um pouco da minha história. O Site de diagramação BPMN com IA se chama Just Flow It. O que acha de testar ele e me dizer o que achou?

Carregando publicação patrocinada...
1

Cara, muito bom o seu relato. Gostei principalmente da parte sobre validar a dor antes de se apegar à solução, porque é exatamente esse ponto que estou tentando levar a sério no meu primeiro SaaS.

Estou numa fase parecida de transformar a ideia em produto real, mas minha maior trava hoje é a parte burocrática/legal no Brasil. Já tenho MEI, mas estou em dúvida se preciso abrir uma ME antes de lançar, como lidar com emissão de nota fiscal, contador, impostos e essas responsabilidades no começo.

Na sua experiência, em que momento você formalizou essa parte? Você validou e vendeu primeiro para depois estruturar empresa/contador, ou já começou com tudo regularizado desde o início?