7

Fiz meu blog com IA para escrever sem IA

Criei um blog chamado Pedro {sem IA}. O site foi desenvolvido com o Codex, mas a regra para os textos é simples: não usar inteligência artificial para escrever, corrigir ou melhorar o que eu publicar por lá.

Sim, a contradição aparente é proposital.

Trabalho com tecnologia, uso IA e acompanho sua evolução com bastante interesse. Só comecei a sentir falta de um espaço em que o processo de escrever fosse inteiramente meu, inclusive as dificuldades, os vícios de linguagem e as ideias que só fazem sentido depois da terceira revisão.

Queria compartilhar de onde surgiu essa vontade e ouvir como vocês estão lidando com isso.

Primeiro, um pouco de contexto

Meu nome é Pedro Marcos, tenho 18 anos e, nos últimos meses, minha vida tomou alguns caminhos que eu não tinha planejado muito bem (ou planejado de qualquer forma).

Na véspera de Natal de 2025, publiquei meu primeiro anúncio de um produto impresso em 3D na Shopee. Tinha uma Bambu Lab A1 e uma análise de mercado bastante sofisticada:

“Ah… acho que isso vende, hein.”

Coloquei o anúncio no ar sete minutos antes de sair para a ceia. Nem tinha impresso o produto para testar.

Não estou apresentando isso como método de empreendedorismo, só contando como aconteceu.

Em 30 de dezembro, saíram as duas primeiras vendas. Desde então, aquele produto passou de mil unidades vendidas e deixou de ser o carro-chefe da operação.

Poucas semanas depois, em 23 de janeiro, acordei com uma mensagem de um amigo:

“Oloco passo na usp”

Eu tinha passado em Sistemas de Informação na USP, em São Carlos.

Fui estudar em outra cidade enquanto a empresa continuava crescendo. No fim do primeiro semestre, ficou claro que eu não estava conseguindo conciliar as duas coisas: minha operação estava em Limeira e eu não conseguia levá-la comigo.

Tranquei o curso.

Foi uma decisão ligada à minha situação naquele momento. Meu plano passou a ser crescer a empresa e estudar para entrar em Sistemas de Informação na Unicamp, em Limeira, onde eu poderia continuar perto da operação.

E foi nesse contexto que apareceu a ideia do blog.

Por que começar a escrever?

O primeiro motivo foi bem prático: preciso exercitar minha escrita.

Estou estudando para o vestibular da Unicamp e quero ganhar repertório e prática para escrever em diferentes gêneros. O blog não substitui esse treino específico, mas me dá um motivo para sentar e desenvolver uma ideia sobre algo que realmente me interessa.

O segundo motivo é um cansaço com a quantidade de conteúdo gerado por IA que encontro no dia a dia.

Não tenho como identificar a origem de tudo que leio. Mas comecei a perceber que estava sentindo falta de textos com experiências concretas, opiniões desenvolvidas e um jeito de escrever que lembrasse alguém.

Daqueles em que o autor abre um parêntese desnecessariamente longo porque lembrou de outra coisa (eu provavelmente vou abusar desse recurso).

Eu poderia começar um canal, mas não tenho tempo nem desenvoltura para isso agora. Escrever pareceu uma boa porta de entrada.

O terceiro motivo é voltar a ler mais. Nas minhas experiências recentes, escrever me obrigou a reler, revisar e prestar atenção em como um raciocínio foi construído. Quero recuperar esse hábito.

Se eu uso IA, por que proibir no blog?

Porque quero praticar justamente a parte que ela poderia fazer por mim.

Para colocar o site no ar, usei o Codex. Já nos textos, quero enfrentar o trabalho de organizar as ideias, perceber que um argumento está fraco e reescrever um parágrafo até entender o que eu estava tentando dizer.

Se eu terceirizar esse processo, posso até chegar mais rápido a um texto melhor. Mas deixo de exercitar uma das habilidades que me fizeram começar o projeto.

Essa é uma regra pessoal para esse espaço. Não pretendo transformá-la em critério universal para julgar o trabalho dos outros.

O que vai ter por lá?

Quero escrever sobre tecnologia, empreendedorismo, estudos e o que eu estiver vivendo ou tentando entender.

Os textos provavelmente serão longos. Gosto de contextualizar as ideias e tenho o péssimo hábito de pensar em três assuntos enquanto tento explicar um.

Também quero deixar espaço para correções e discordâncias. Tenho experiências para compartilhar, mas elas estão longe de me tornar especialista em tudo que pretendo abordar.

A meta inicial é publicar uma vez por semana. Não tenho um histórico impecável de constância em projetos pessoais, então essa parte também será um exercício.

O blog se chama Pedro {sem IA}. Ainda não sei exatamente no que ele vai se transformar. Por enquanto, quero construir um lugar em que eu consiga reconhecer meu próprio jeito de pensar.

Vocês mantêm alguma atividade deliberadamente sem IA, mesmo usando essas ferramentas no trabalho? Se mantêm, o que fez vocês estabelecerem esse limite?

Carregando publicação patrocinada...
4

Parabéns, até por ter a visão e seguir da maneira certa.

Eu uso IA todos os dias, boa parte do dia, mas só para me ajudar. Não terceirizo pra ela o que depende de raciocínio. Cada dia sofistico um pouco mais o uso, vou criando fluxos de trabalho que me ajude e não atrapalhe, especialmente sem perceber, que é um perigp.

Acontece duas coisas.

Uma delas é a IA fazer algumas coisas que eu posso ver se tem algo errado facilmente, não depende de conhecimento. A IA é ótima para ajudar a fazer o que você não sabe, mas isso é perigoso, tem que saber como usar quando ela te assiste em algo que você não domina. Não é fácil, e achoque eu tenho variada experiência. Precisa conformar. E tomar mais cuidado quando é algo mais sério, que o risco pode ser alto demias para a atividade.

A outra questão é quando eu sei o que estou fazendo, eu consigo com relativa failidade validar organicamente, ou através de pesquisas próprias que um determinado conteúdo tem a qualidade esperada. Eu preciso saber perguntar e precisa saber o que perguntar, eu precisa entender muito de um assunto, preciso ter uma base muito sólida. Eu não posso ter aprendido por receita de bolo, eu tenho que entender bem daquilo, preciso ter repertório naquilo, mesmo que eu não saiba todas as informações. É orbigatório que eu vá refinando, contestando, avançando de forma bem consciente, não pode baixar a guarda.

Quem está aprendendo pela IA, não apenas adicionando novos conhecimentos que ajudam na evolução, está lascado. A IA falha e continuará falhando por muito tempo, até que se ache um modelo bem diferente, o que não deve ser fácil sem engessar o resultado. Você fica no fio da navalha entre produzir algo fluido e produzir erros.

Eu já falei antes. As pessoas, não podem abandonar livros, papers, bons artigos de nlog, informações de pessoas que são realmente referência, não influenciadores, que participe de hrupos que empurrem você para fora da zona de conforto, deve usar muito o STack Overflow, hoje basicaamente read only, mas não espera que a IAvai entreegar muita coisa boa parta aprendizado fundamental. Tem que estudar pela Wikipedia e de lá pesquisar o que aprendeu e achar conteúdo mais aprofundados. A IA não vai te entregar nada disso, ela entrega só um treco todo mastigado que não tem nutriente, só enche barriga.

Muitas pessoas sabem o que estão fazendo com a IA, outras estão cavando uma cova cada vez mais profunda e achando que o monte de terra que tem do lado é algo positivo. E estou falando até de gente que deveria agir diferente, que em tese a pessoa é experiente, que se julgue sênior, mas que cai na armadilha que a IA lhe expõe.

Precisamos continuar praticando o que sempre fizemos e tomar cuidado com as atividades mecânicas que deixamos para a IA, assim como hoje não lembramos mais o número de telefone de ninguém, ou até o próprio número, e no passado a gente tinha muito desses números, agora vamos perder a habilidade de fazer várias coisas, algumas para o bem, outras não.

Eu consegui iniciar um processo de melhoria do meu inglês com a IA, no começo eu estava prejudicando, já que ue podia preguiçosamente deixar a IA se virar sem eu gastar "minha língua". Tem outras coisas que tenho criado uma forma de me desafiar. Só não consigo fazer perfeitamente porque algumas coisas mistura estações e gera ruído nas respostas. Tentar usar a IA para duas coisas aoa mesmo tempo não dá muito certo.

Eu sei que eu estou ap´rendendo usar a IA de forma mais positiva que negativa, o que não é fácil.

Deixo aqui uma leitura: https://www.cnnbrasil.com.br/economia/money/inteligencia-artificial/governos-do-mundo-todo-estao-despreparados-para-ia-afirma-bill-gates/ (outra fonte: https://veja.abril.com.br/economia/bill-gates-mudou-de-tom-sobre-a-ia-agora-teme-o-que-pode-dar-errado/); Tente extrair algo para te ajudar a andarlhor com a IA. Não que este texto seja um supra sumo, mas note que o que ele fala não é para ajudar ele enriquecer, ao contrário do que os CEOs copstumam fazer. Se não aprendu ainda, desconfie de tudo o que falam, eles não estão preocupados com a sociendade. Taciocine, vá além do óbvio, entenda o subtexto.

Assim como escolas marketeiras usavam os computadores para vender educação supostamente de qualidade, apoiadas da ignorância das pessoas que não sabem que estudos mostram que o computador piora o aprendizado, agora escolas estão usando a IA para vender qualidade de educação, quando já é bem claro que ela faz o oposto.

E eu sei que esse discurso não é muito popular. Como diria o outro, morre um otário, nascem dois.

Agora, ao autor, porque não muda a empresa pra Sanca? Eu estou no meio do caminho das suas duas cidades :D Bem no centro da guerra do PCC com o CV :D :D :D

S2


Farei algo que muitos pedem para aprender a programar corretamente, gratuitamente (não vendo nada, é retribuição na minha aposentadoria) (links aqui).

3

Pra escrever sem IA? Parabéns :) O mundo precisa disso.

Se eu puder dar uma dica para o seu objetivo: escrever bem uma redação de um vestibular não é a mesma coisa de escrever bem qualquer outra coisa. Se você já escreve bem, para tirar uma nota boa o que precisa é, além do repertório, entender o que esperam de você na redação do vestibular. Prestei ENEM dois anos seguidos, no primeiro, tirei uma nota ruim na redação, e no segundo, uma nota boa. O que mudou foi que eu entendi "Ah, querem que eu escreva desse jeito e faça associação com outros temas? Ok."

Professor de cursinho é ótimo pra isso. Caso não possa fazer um cursinho, procura vídeos no YouTube que deve ter material bom também.

A propósito, eu fiz SI em Limeira, achei ótimo e conheci muita gente boa. Até escrevi sobre faculdade num geral, falando da minha experiência e a de colegas. Boa sorte :)

PS: Seu perfil no TabNews diz que você tem 15 anos, então vale atualizar.