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A combinação estranha de habilidades que uma IA não tem

Como usar suas habilidades não-óbvias para vencer na era da IA

Existe uma combinação de habilidades que só você tem. Uma mistura estranha, improvável, que nunca fez sentido no currículo, mas que pode ser exatamente o que ninguém mais consegue replicar.

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu conto por que, nos dias de hoje, combinações não óbvias podem ser verdadeiros diferenciais competitivos.

Mosca branca

*“Learn to sell. Learn to build. If you can do both, you will be unstoppable”. *Essa frase é do Naval Ravikant. Não vou explicá-la, até porque eu já fiz isso outras vezes por aqui. Mas essa frase será o ponto de partida do texto de hoje.

Eu sou programador, desde criança. Escrevi minhas primeiras linhas de código com 11 anos de idade. Anos mais tarde, me formei na área e trabalhei durante mais de 10 anos produzindo software.

Depois de uma carreira inteira como programador, eu decidi me arriscar num campo completamente desconhecido: marketing digital. Me tornei sócio de uma escola de programação, não para ser professor, mas para tocar toda a parte de receita dessa empresa. Loucura, né?

Por incrível que pareça, ter sido programador me ajudou muito no dia a dia como marketeiro (claro, por eu ser um marketeiro digital). Eu conseguia fazer muita coisa sozinho, como criar landing pages, coletar dados para fazer análises, coordenar campanhas inteiras, tudo devido ao meu background como desenvolvedor de software. Onde as outras pessoas dependiam de terceiros, eu conseguia me virar. Isso me dava agilidade e economia, um claro diferencial competitivo.

Talvez esse tenha sido um dos principais motivos pelo sucesso desse projeto. Hoje, mais velho e menos burro, eu consigo enxergar e reconhecer esse diferencial. Essa combinação não-óbvia entre marketing e programação me deu uma vantagem competitiva real (segundo o meu amigo Renan Caixeiro, sou uma “mosca branca”).

A evolução dos desafios

Desde que comecei a fazer terapia, lá pelos idos de 2015, eu passei a me interessar por saber como funciona a cabeça humana. De lá para cá, foram 10 anos de muito estudo sobre o assunto, muita conversa com pessoas que também se interessam pelo tema, e também centenas de sessões de psicanálise com uma profissional superqualificada.

No começo, o objetivo dessa curiosidade era entender como a minha cabeça funciona. Com o passar dos anos e os novos desafios que a vida foi me impondo, o objetivo passou a ser entender a cabeça do cliente. Por que as pessoas compram? Como fazer as pessoas comprarem de mim? Durante anos, eu estudei psicologia aplicada ao marketing.

Atualmente, meu estudo sobre psicologia é muito mais voltado para entender sobre liderança. Por que as pessoas seguem um líder? Como uma pessoa consegue influenciar outra pessoa? Outras dezenas, centenas, milhares de pessoas? Hoje somos mais de 30 pessoas no Tintim. Como eu mantenho essas pessoas alinhadas e motivadas para trabalhar pelos objetivos da empresa?

A aplicação prática da psicologia nesse desafio é clara e até meio óbvia. Mas, como a programação me ajuda a ser um bom CEO? A resposta imediata para essa pergunta é até meio óbvia. Eu sou o CEO de uma empresa de tecnologia, que produz e comercializa software. Ter sido programador por anos me fez adquirir conhecimento e know-how sobre a indústria de software. Saber como funciona o desenvolvimento de um software, de ponta a ponta, me traz uma vantagem competitiva, sem dúvidas.

Mas, olhando mais profundamente, o fato de eu conhecer o ferramental técnico de um programador me confere habilidades produtivas que o gestor médio não possui. Quer um exemplo bobo? Meu ambiente de trabalho sempre tem um VSCode aberto com o Cursor instalado. Qualquer rascunho de texto que preciso fazer, faço lá. Meu “bloco de notas” tem um autocomplete inteligentíssimo, que me faz ser mais produtivo.

Outro exemplo? O financeiro da minha empresa sempre foi 90% automatizado, graças a uma série de *scripts *que fui desenvolvendo ao longo dos anos. Isso me permitiu gastar menos de 2h por mês, durante os dois primeiros anos do Tintim, para ter todas as finanças da empresa organizadas.

Essa habilidade de programação também continua sendo um diferencial competitivo na minha vida de gestor. Mais ainda, depois do advento da inteligência artificial generativa. Hoje, eu não trabalho mais sozinho. Meu ambiente de trabalho deixou de ser a agenda, o Google Docs e o Clickup, e passou a ser o Claude Code. A LLM é um par que me ajuda a pensar melhor e, consequentemente, tomar melhores decisões.

O futuro do trabalho na era da IA

O excelente Lucas Abreu, em uma entrevista no podcast Talks by Leo, mencionou o conceito de “democratização da mediocridade”. Segundo ele, a IA é capaz de produzir um trabalho de nota 6 ou 7 com muita facilidade. Portanto, profissionais que entregam apenas um resultado mediano (ou medíocre, que é o mesmo) correm um risco altíssimo de serem substituídos.

O diferencial competitivo, nessa nova era, está em ser um profissional acima da média. Um profissional nota 8, nota 9. O que se torna mais valioso na era da IA não é mais o conhecimento profundo e específico, mas sim as habilidades puramente humanas e tácitas. E quais são elas? Criatividade, liderança, diversidade de pensamento, repertório vasto e eclético… É o tal do pensamento crítico.

Hoje, o que me torna um profissional com vantagem competitiva em relação à média é justamente esse conjunto de habilidades não-óbvio que eu pude desenvolver ao longo dos anos. É ser um programador interessado por psicologia. É ser um CEO que usa mais o VSCode do que o PowerPoint. É ter tido uma infância de classe média baixa, mas ter estudado num colégio de rico.

Meu objetivo com esse texto é te fazer refletir: qual é a combinação de características que só você tem? Qual é o conjunto de interesses não-óbvios seus, que você nunca viu por aí? Quais elementos da sua trajetória que, se bem explorados, podem te tornar uma “mosca branca” no seu contexto?

Agora pegue todo esse contexto e reflita: como você pode usar a inteligência artificial para alavancar essa sua combinação de características?


✉️ Esta foi mais uma edição da Newsletter do Moa!

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Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.

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