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A importância de montar um time FODA!

Mas, será que você é um líder foda?

Fundador, deixa eu te fazer uma pergunta: você é um líder foda? Um líder capaz de atrair e reter pessoas fodas para o seu time?

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu explico por que sua empresa só vai crescer de verdade se você conseguir montar um time foda.

É muito bom trabalhar com gente foda

Certa vez, num almoço, o meu amigo Rodrigo Lopes me disse: “É muito bom trabalhar com gente foda!”. Antes da minha carreira de empreendedor, eu me lembro de poucas vezes ter olhado para algum colega de trabalho e pensado “essa pessoa é foda!”. Agora que estou escrevendo, estou fazendo um esforço para lembrar: me vem apenas uma pessoa à cabeça, e ainda com ressalvas.

Durante a maior parte da minha carreira, eu, com certeza, não era uma pessoa que alguém olhasse e pensasse “caramba, o Moacir é foda!”. Sempre fui bem acima da média, e sempre soube disso. Mas longe de ser uma pessoa foda.

Demorei algum tempo para ter a oportunidade de trabalhar com pessoas fodas. A primeira experiência que me lembro foi de quando eu fui trabalhar na DevPro, junto com o Renzo. Realmente, ele é foda. Eu tinha a tranquilidade de não pensar em nada que não fosse relacionado a marketing, porque ele cuidava do produto, do financeiro e de todo o resto. Cuidava, e cuidava bem, a ponto de me deixar tranquilo (lembre-se que sou bem controlador). Inclusive, muita coisa ele não sabia fazer. Mas, uma das grandes habilidades de gente foda é a capacidade de aprendizado.

Depois de um ano de DevPro, mais ou menos, eu trouxe o Luiz para trabalhar conosco. Outra pessoa foda! E o melhor: foda em aspectos totalmente complementares aos meus. Ele tem a habilidade de lidar com gente, como poucos que conheço. Uma pessoa simpática e carismática. Os clientes o adoram. Ao mesmo tempo, ele tem a capacidade de resolver os pepinos do dia a dia como ninguém. Nada que não fosse estritamente necessário chegava até mim, justamente porque ele resolvia sozinho. Não à toa, ele é o responsável pela operação do Tintim hoje em dia.

Enquanto eu estava dedicando boa parte do meu tempo à DevPro, o Ronaldo mantinha a operação da Codevance rodando (caso você não saiba, durante alguns bons anos eu tive uma fábrica de software). Era ele quem atendia os clientes e fazia os projetos avançarem. Foi assim durante anos. A gente só planejava o que precisava ser feito, e ele, junto com o time de devs, fazia acontecer. Hoje em dia, ele faz a mesma coisa, só que aqui no Tintim. Uma pessoa foda!

Já no Tintim, o Luiz Mazini nos apresentou o Júnior, que veio para cuidar de vendas. Outra pessoa foda! Ele foi essencial no nosso rápido crescimento. Chuto que ele tenha vendido, sozinho, os primeiros R$ 250k de MRR do Tintim. Depois, montou o time comercial, que chuto que já tenha vendido mais de R$ 2M. Ele fez tudo isso praticamente sozinho, com pouquíssima interferência minha. Confio muito no trabalho dele.

Um time forte como fundamento

Nós começamos o Tintim com um time muito forte. Na linha de frente, éramos eu, Luiz, Ronaldo e Júnior, fora os investidores-anjo, super estratégicos. Encontramos product market fit relativamente rápido e, por isso, crescemos também bastante rápido, graças a esse time inicial.

Éramos quatro pessoas fodas liderando o crescimento de uma empresa do zero, praticamente bootstrapped. Júnior tocando vendas, Ronaldo tocando engenharia, Luiz tocando suporte, customer success e operações, e eu tocando marketing, produto e backoffice. Fomos assim até os R$ 300k MRR, mais ou menos.

Até que todos começaram a ficar sobrecarregados. Foi quando decidimos contratar mais gente. E, obviamente, não sabíamos como contratar pessoas fodas. Não sabíamos nem que era preciso contratar gente foda. Não sabíamos nem que éramos fodas.

Então, cometemos todos os erros possíveis de contratação:

  • Contratamos somente por competência técnica e ignoramos fit cultural.
  • Fomos ludibriados por pessoas que eram muito boas, mas apenas em impressionar na entrevista.
  • Contratamos “clones” nossos, ao invés de buscar pessoas complementares.
  • Contratamos cargo, sem nenhuma clareza do problema que a contratação precisaria resolver.
  • Fizemos processos seletivos rápidos demais e totalmente enviesados.
  • Demoramos demais para demitir quem não performava, ou não tinha aderência com a cultura.
  • Contratava e deixava a pessoa “se virar”, sem dar contexto nem direção.
  • Quando isso dava errado, mudava pra microgestão e não deixava a pessoa trabalhar com autonomia.

Tem algum outro erro que você imagina referente ao tema? Eu acho difícil.

Obviamente, nem tudo foi erro. No meio do caminho, a gente foi aprendendo e corrigindo a rota. Durante esse processo, a gente também contratou pessoas fodas, sem dúvida. Mas, olhando de uma perspectiva geral, o problema inicial, que era a sobrecarga minha e do time, não foi resolvido.

Foi quando eu percebi que o limite do crescimento da empresa ainda era a minha capacidade de trabalho. Foi quando eu percebi que eu precisava de mais gente foda. Que eu precisava de um time foda.

O próximo nível

Modéstia à parte, eu sou bom em aprender a fazer as coisas. Melhor ainda: eu gosto de aprender coisas novas. Talvez tenha sido por isso que a gente conseguiu levar o crescimento do Tintim “no braço” durante um bom tempo: enquanto o time operava, eu ia cobrindo as lacunas, aprendendo o que precisava ser aprendido.

Mas, como eu disse, isso tem um limite. Chega um momento em que é preciso uma pessoa com dedicação exclusiva para tocar determinadas frentes. Financeiro é um exemplo. Marketing é outro exemplo. Eu me virava bem nessas matérias, mas chega um momento que ter uma pessoa com 40h semanais de dedicação exclusiva ao tema vale MUITO mais do que eu, com meras 1h~2h, trocando de contexto igual a um maluco.

Chegou um momento que ficou muito claro pra mim: a minha capacidade de escala estava diretamente proporcional à minha capacidade de contratar e liderar gente foda. Eu precisava encontrar pessoas alinhadas culturalmente, que tivessem excelente capacidade técnica e que fossem boas em se virar. Só assim eu conseguiria delegar e confiar, igual eu fazia com Ronaldo, Moita e Júnior.

Como achar essas pessoas? Eu já tinha tentado de tudo. Já tinha tentado fazer o processo seletivo inteiro. Já tinha tentado contratar através de recrutadores. Já tinha tentado contratar através de consultores. Alguns caminhos deram certo, outros não. Foi quando eu decidi tentar um método antigo, mas talvez o mais funcional: fui buscar indicação de pessoas que eu confio.

Então o meu amigo Ricardo Correa me indicou o Eduardo. O meu amigo Henrique Bastos indicou o Fernando. O Caio indicou a Mari. O Caio, inclusive, foi contratado via uma consultoria que veio também de uma indicação de confiança. Eu usei de pessoas que eu confiava para buscar mais pessoas em quem confiar. Deu certo.

Conclusão

Eu já falei isso outras vezes: a capacidade de escala de uma empresa está na capacidade do seu líder ser um líder foda. Isso porque, para crescer de verdade, é preciso de um time foda. Somente um líder foda consegue gerir um time foda.

Digo isso porque é difícil liderar gente boa. Custa caro, em diversos aspectos. Primeiro, financeiramente, porque gente foda quer (e merece) ganhar bem. Segundo, intelectualmente, afinal, gente foda precisa de um ambiente foda e desafiador para se sentir estimulada. Não se esqueça que gente foda está sempre sendo assediada. Se o ambiente de trabalho não for um ambiente foda, se o líder não for um líder foda, essa pessoa não vai pensar duas vezes antes de ir embora.

Mas, por mais que o custo seja alto, a recompensa vale. Existem diversos benefícios em trabalhar com gente foda, que vão muito além do dinheiro ou do resultado.

Com gente foda, você delega problema, e não solução. Você não precisa se preocupar em como a pessoa vai resolver determinado problema. Você simplesmente define o problema e ela resolve, e, na maioria das vezes, melhor do que você resolveria. Esse nível de delegação te libera energia mental para pensar no que realmente importa: a estratégia.

Quando você lidera gente foda, você cresce como líder. Identificar e delegar problemas exige uma grande capacidade de pensamento e articulação. Isso te força a pensar com clareza. Além disso, a barra tem que sempre estar alta, porque gente foda gosta de resultado.

Gente foda resolve o que você não sabe resolver. Será que eu conseguiria vender os primeiros R$ 250k que o Júnior vendeu? Provavelmente, sim. Mas eu teria feito pior, mais devagar e com MUITO mais sofrimento.

Por fim, ter gente foda no time nivela por cima. No livro “A regra é não ter regras”, Reed Hastings define que um dos fundamentos da Netflix era só contratar gente foda, justamente porque gente foda atrai gente foda. Uma pessoa comum não fica confortável em trabalhar num ambiente de gente foda. O time acaba se auto-filtrando por osmose.

E aí, te convenci a só contratar gente foda?

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