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Como tomar decisões absurdamente mais assertivas com AI

Conheça o segundo cérebro que construí no Obsidian para dar contexto real à inteligência artificial

Existe um jeito de fazer a IA trabalhar como se ela te conhecesse de verdade: seus gostos, seus valores, seu histórico de decisões, seus dados de saúde. Quando isso funciona, as respostas deixam de ser genéricas e passam a ser absurdamente específicas para o seu contexto.

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu mostro o sistema que construí no Obsidian para alimentar a IA com contexto real e sair de respostas genéricas para decisões que de fato mudam o resultado da minha empresa.

Finalmente, um segundo cérebro

Desde o começo do ano eu estou com essa ideia de construir um “segundo cérebro” que seja AI first. Comecei com esse vídeo, do excelente Nate B Jones, e, com mais um pouco de pesquisa, cheguei ao vídeo de um cara chamado Brad, que implementou um segundo cérebro usando as skills do Claude Code. Comecei a construir meu segundo cérebro por esse repositório.

Segui assim por algumas semanas, mas, no dia a dia, percebi que o uso não era prático. Depender da LLM para montar as informações e, depois, mantê-las atualizadas era custoso, tanto em token quanto em tempo. Até que caí num vídeo do “Karlos Obsidian”, onde ele mostrava como o CEO do Obsidian usava a ferramenta. Foi mindblowing!

No vídeo, dá pra ver nitidamente o quanto o Karlos está empolgado e admirado no modo simples como o Kepano (nome do CEO do Obsidian) construiu seu vault (nome dado ao repositório de notas que o Obsidian cria). Eu também fiquei admirado. É simples mas, ao mesmo tempo, de uma sofisticação que dá gosto de ver.

Então decidi recomeçar o meu segundo cérebro do zero seguindo a filosofia que o Kepano expôs em seu vault. Finalmente, eu consegui entender o por que o Obsidian é tão amado por seus usuários. A partir daí, o meu uso ficou mais simples, leve, rápido e, ao mesmo tempo, extremamente eficaz.

Hoje, depois de alguns meses testando, eu consigo usar AI para gerar conhecimentos absurdamente específicos para meu contexto. Conclusão? Minha tomada de decisão ficou absurdamente mais assertiva.

Quer um exemplo? Eu pedi para o Claude analisar todos os filmes que assisti e que dei nota máxima, encontrar padrões entre eles e, a partir dessa informação, me indicar novos filmes para eu assistir. O nível de compatibilidade das indicações com o meu gosto pessoal foi SURREAL. Exemplo bobo? Pode ser. Então, vou dar um exemplo da vida profissional.

Há algumas semanas eu precisava fazer uma sessão de feedback com uma das pessoas do time. Então, pedi para o Claude ler a transcrição de todas as reuniões que tive com essa pessoa, e também todas as reuniões que tive com outras pessoas, em que eu discuti os fundamentos da empresa, como cultura, valores, o que está bom, o que está ruim, etc. Então, liguei o microfone e comecei a colocar pra fora, de forma totalmente desestruturada, o que eu achava que essa pessoa precisava melhorar. Conclusão: o Claude não só me ajudou a organizar o contexto, como me questionou, por diversas vezes. Ele só teve capacidade de fazer esses questionamentos porque tinha o contexto organizado no meu segundo cérebro. A reunião de feedback foi um sucesso.

Por quê?

Fazia tempo que eu vinha tendo uma certa dificuldade de me organizar. O Clickup, ferramenta que usamos durante anos no Tintim para gerenciar projetos, não estava mais servindo. Quanto mais a empresa cresce, mais difícil fica eu conseguir organizar meus pensamentos. O meu refúgio acabou sendo o Notion.

O Notion ajudava, mas, no fundo, não resolvia o problema. Nesse meio tempo fui “namorando” o Obsidian. O que mais me chamava atenção nele era sua natureza “wiki”, que facilitava a criação de links entre páginas e permitia uma organização menos hierárquica e mais em forma de grafos. O meu pensamento é muito caótico e as ideias se conectam das mais variadas formas possíveis. Antes do Obsidian, nenhuma ferramenta me permitia representar esse meu jeito de pensar.

Eu sentia que precisava de um único lugar onde conseguisse juntar todo tipo de documentação que fosse relacionada à minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Além disso, um lugar que eu pudesse controlar minhas tarefas, projetos, estudos, frentes, curiosidades, etc. O mais importante: precisava ser tudo no mesmo lugar, justamente pra eu conseguir conectar tudo isso.

E ainda tinha uma esperança, que era conseguir fazer o que todo mundo diz que está fazendo: usar inteligência artificial para cruzar essas informações de forma não-óbvia e potencializar minha criatividade.

A filosofia do Kepano

A ideia é simples: uma forma de abordar, de baixo pra cima, a documentação e organização das coisas que circundam minha vida e que eu tenho algum tipo de interesse.

Por que debaixo pra cima? O valor do sistema está em conseguir acessar essa documentação e usá-la como contexto para a construção de novas ideias. Mas, para conseguir isso, é preciso organização. E essa organização, se não for “debaixo pra cima”, custa caro. Se houver um alto custo para organizar o sistema, ele não se sustenta no longo prazo. Para que o sistema dure, é preciso abraçar o caos e a preguiça, ao invés de evitá-los ou contorná-los.

Para que o sistema mantenha sua abordagem de baixo pra cima, é preciso respeitar algumas boas práticas.

A primeira delas é evitar usar pastas para organização. Isso porque a maioria das minhas ideias pertencem a mais de uma área de interesse. Um mesmo livro pode trazer insights para a vida profissional e para a vida pessoal, por exemplo. É muito mais fácil e eficaz construir os relacionamentos entre ideias ao longo do tempo do que ter que decidir, de largada, a qual área da vida esse pensamento pertence.

O mesmo vale para as subpastas. Elas não existem no meu vault. A navegação não acontece através das pastas, como em arquivos do Windows, mas muito mais entre links e bases.

Bases, inclusive, é a funcionalidade matadora do Obsidian. Eu organizo as minhas notas basicamente usando uma propriedade que chamei de “categorias”. Com a funcionalidade Bases, eu consigo criar uma visualização em tabela de notas da mesma categoria, mostrando, inclusive, outras propriedades.

Eu uso links internos de forma abundante em todas as minhas notas. Eu procuro sempre criar um link na primeira vez que menciono algo. Muitas vezes, esse link ainda não está resolvido, ou seja, a nota correspondente ainda não foi criada. Não tem problema. Links não resolvidos são importantes porque funcionam como um “rastro” para conexões entre ideias que podem acontecer no futuro.

Praticamente todas as notas são criadas a partir de um template. Eu uso templates porque eles me facilitam adicionar informações que me ajudarão a encontrar a nota mais tarde (lembre-se: o sistema deve abraçar o caos).

Os nomes e valores das propriedades dos templates são reutilizáveis entre diferentes categorias. Isso me permite encontrar informações de forma transversal, independentemente da categoria. Por exemplo, a propriedade nota é compartilhada entre todos os tipos de conteúdo: filmes, livros, podcasts, etc.

Os templates se compõem. Por exemplo, Pessoa e Autor são dois templates diferentes que podem ser aplicados à mesma nota. Também sempre priorizo propriedades como listas, justamente para dar a possibilidade desses campos terem mais de um tipo de informação linkável no futuro.

Como estou usando meu segundo cérebro?

De forma resumida? Uso para praticamente tudo na minha vida hoje, seja pessoal, seja profissional.

Primariamente, eu uso para organizar minha produtividade. Uso para controlar tarefas, projetos, frentes de trabalho. Uso para saber organizar minha lista de tarefas e objetivos da semana, para controlar o que foi feito, o que não foi feito, o que falta fazer, o que foi despriorizado, o que preciso acompanhar.

Uso, também, para documentar e catalogar meu trabalho. Como CEO do Tintim, meu trabalho acaba sendo muito mais intelectual do que, mão na massa, de fato. Eu trabalho pensando, sozinho ou em grupo. Uso o Obsidian para documentar esse conhecimento. Nos trabalhos individuais, eu documento as sessões de conversas com o Claude. No trabalho em grupo, eu documento transcrições de reuniões, áudios, conversas no geral. É essa documentação que me permite trabalhar sempre com contexto.

Uso também para catalogar o que consumo de conteúdo. Catalogo filmes, livros, podcasts, vídeos de Youtube, artigos, tweets, etc. Obviamente, só catalogo aquilo que vale a pena e que me impactou de algum modo (importante dizer que eu já tinha esse hábito antes, só que, por conta da desorganização, eu usava pouco essa documentação para estimular minha criatividade).

Comecei a catalogar outras áreas da minha vida também. Comecei a catalogar os dados do meu sono, os dados das minhas atividades físicas, tanto dados do Apple Watch quanto os dados dos treinos que faço. Estou catalogando exames também. Tenho fé que, no futuro, vou conseguir cruzar essas informações e extrair insights relevantes sobre meu corpo.

E a inteligência artificial?

Agora, um detalhe que vai te surpreender: sabe quanto o Kepano usa de AI no seu vault? Nada! Pelo menos eu não me lembro dele mencionar nada relacionado a inteligência artificial em seu artigo, ou no repositório do Github, em que ele disponibilizou uma cópia da sua estrutura.

Essa, inclusive, foi uma das melhores decisões que tomei nessa nova tentativa: começar fazendo tudo manual. Foi executando os processos à mão que eu pude descobrir esses processos e alimentar meu repertório.

Hoje, depois de alguns meses, já uso AI de forma pesada. Praticamente todas as catalogações que citei acima eu faço usando AI, de forma automatizada. Baixar informações de filmes, livros, podcasts, catalogar meus treinos, etc.

Uso AI também para consumir toda essa documentação. Já dei alguns exemplos no começo do texto, e também dei outros exemplos na edição da semana passada.

Acredito que o grande valor dessa forma de organização é justamente as possibilidades que ela nos permite. Todo dia eu descubro uma nova forma de usar essas informações para empoderar minhas capacidades.

E aí? O que achou? Você já conhecia o Obsidian? Já conhecia esse conceito de segundo cérebro? Tem sua própria forma de organizar seu vault? Conta pra mim nos comentários.

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