Decidi parar de escrever minha newsletter
Mas é por um motivo nobre**
173 edições, o equivalente a sete livros escritos e quase 4 mil assinantes. Essa newsletter me trouxe amigos, oportunidades e muita satisfação. Mesmo assim, eu decidi parar.
Por que parar de fazer algo que deu tão certo? Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu conto os motivos.
O trabalho
Toda semana eu faço a mesma coisa. Na segunda de manhã eu chego no escritório, passo um café quentinho e cheiroso, e começo a pensar no assunto que vou tratar no texto da semana. Durante cerca de uma hora, eu faço alguns rabiscos para criar uma linha de raciocínio coerente sobre o que quero falar.
Na terça-feira, assim que eu chego no escritório, eu encho minha garrafa d'água, sento na minha mesa, coloco uma música boa que me ajuda na concentração, abro o Google Docs e começo a escrever. A inspiração vem dos rabiscos que fiz no dia anterior. Cerca de uma hora depois (às vezes bem mais), sai o primeiro rascunho do texto da semana.
Na quinta-feira, geralmente depois de voltar do almoço, também passo um cafezinho para poder começar a revisão do texto. Releio o texto completo e vou fazendo os ajustes necessários. Ajusto gramática, melhoro a clareza, a fluidez. Também aproveito para linkar algumas partes a textos antigos. Depois disso, chamo meu parceiro de trabalho, um agente de IA, peço uma revisão gramatical completa, e então começo a trabalhar no título, subtítulo e introdução. Só nessa parte, eu invisto uma meia hora. Somando o processo todo, mais uma hora de trabalho. Pronto! Mais uma edição da Newsletter do Moa prontinha para ser publicada.
Mas o trabalho não acabou. Eu ainda preciso gravar o vídeo que será postado no YouTube junto com a newsletter. O vídeo em si é rápido de gravar, porque eu sempre gravo baseado num texto que eu já escrevi. Mas gravar é só parte do processo. Eu preciso preparar os equipamentos, escrever a introdução, linkar com outro vídeo já produzido. Mais uma horinha em todo esse processo (às vezes mais).
Se eu somar todo o trabalho, estamos falando de quatro a cinco horas por semana dedicadas à produção de conteúdo. O equivalente a uma manhã ou tarde inteira de trabalho. É bastante coisa!
A origem
Essa newsletter começou com a provocação do meu amigo Murilo, lá em 2023. Eu estava num hiato de produção de conteúdo, e comentando com ele que queria voltar a produzir. Eu já tenho um bom histórico de produção de conteúdo. Escrevi meus primeiros artigos há 10 anos, no ano de 2016. De lá pra cá, eu já gravei vídeo para o YouTube, já gravei mais de um podcast (um deles com mais de 100 episódios), já produzi conteúdo no Instagram, e, atualmente, tenho essa newsletter e um canal no YouTube.
Se olharmos para a newsletter e o canal, temos números bem interessantes. Ao todo foram 173 edições publicadas (contando com essa), 356.230 palavras escritas, com uma média de 2.000 palavras por edição. Isso é o equivalente a 7 livros médios, com cerca de 50.000 palavras por livro. Muita coisa!
Agora, o que mais me deixa feliz é o impacto. Hoje são 3.978 assinantes ativos (se contar as pessoas que já passaram por aqui e se desinscreveram, vai dar muito mais). Mais de 450.000 e-mails disparados, totalizando 226.039 aberturas. Somando todas as outras fontes de visualização, foram 295.572 visualizações totais (isso que não contei outros canais, como LinkedIn, X, TabNews etc.).
No canal do YouTube, os números são bem legais também. Desde o primeiro vídeo dessa nova temporada, foram, ao total, 82 vídeos longos publicados, que somam mais de 28h de conteúdo. Todos esses vídeos somam 94.814 visualizações. Atualmente, o canal tem 2.502 inscritos.
Os benefícios e os malefícios
O objetivo principal de começar a produzir conteúdo era desenvolver minha marca pessoal. Eu já tinha sentido na pele o respeito que a produção de conteúdo traz. Produzir conteúdo te confere certa autoridade, e essa autoridade traz inúmeros benefícios. Desde benefícios simples e bobos, como a Volvo entrar em contato comigo e me oferecer um carro por uma semana, simplesmente por eu ter citado a marca num vídeo, até benefícios muito mais relevantes, como ter atraído um investidor para o Tintim.
Mas, ao longo da jornada, eu descobri outros benefícios bem mais legais do que a autoridade. Eu conheci pessoas incríveis, que se identificaram com minha forma de pensar. Mas acho que o melhor benefício de todos foi descobrir que, ao escrever, a gente organiza os pensamentos. O trabalho de organizar as ideias para as expor de forma clara te faz pensar melhor.
Mas nem tudo são flores, e é por isso que estou escrevendo essa edição. Confesso que, nos últimos meses, sempre que sento para escrever, sinto uma certa sensação de estar “cumprindo tabela”.
Muitas vezes sinto que não tenho muito o que dizer naquela semana. Sei que isso é uma ilusão, afinal, quando começo a escrever, percebo que sim, eu sempre tenho algo interessante a dizer, mesmo quando o tema já tenha sido abordado antes. Mesmo assim, esse sentimento acaba drenando parte da energia.
Mas o que vem pesando de verdade é o esforço dedicado a essa produção de conteúdo. Quanto mais o tempo passa, quanto mais o Tintim cresce e quanto mais meu filho cresce, mais escasso fica meu tempo. Essas quatro horas semanais dedicadas à produção de conteúdo talvez estejam me custando caro.
A decisão de pausar
Por isso, eu resolvi fazer um experimento: pausar a produção de conteúdo pessoal por tempo indeterminado. Nesse momento, sinto que preciso dedicar 100% da minha energia profissional ao Tintim.
E veja que falo de energia, e não só de tempo. Sim, o tempo é importante, mas também estou precisando da banda mental que produzir conteúdo consome. Essa energia precisa estar focada na empresa.
Ah! Bom dizer que essa é uma decisão 100% estratégica. A sensação de cumprir tabela não influencia essa decisão. Eu sou uma pessoa que acredita no poder da constância e da disciplina, e, modéstia à parte, consegui desenvolver muito bem a habilidade de fazer o que eu não estou com vontade.
Fato é que o Tintim precisa de 100% da minha atenção. É lá que estão as coisas que precisam ser feitas. E agora vem a notícia boa: eu não vou parar de produzir conteúdo. O que eu vou fazer é mudar o foco.
Sim, a newsletter e meu canal serão pausados. Mas a minha produção de conteúdo continua, só que 100% focada no Tintim. Ainda não está claro como serão esses conteúdos, mas o que eu posso garantir é que eles serão produzidos.
Os meus próximos conteúdos continuarão sendo sobre marketing e vendas, mas muito mais focados em ajudar o pequeno empresário e o dono de agência. Empreendedorismo e startup continuam sendo minhas paixões. Eventualmente, esses temas aparecerão nos conteúdos, mas de uma maneira muito mais contextualizada a esse novo cenário.
Isso é um adeus? Com certeza não. Eu sei que sempre tenho pensamentos para compartilhar (quem me conhece pessoalmente sabe o quanto eu falo pelos cotovelos). Eventualmente, terei novas teses e reflexões que desejarei te contar. Só não prometo que farei isso de forma constante por aqui. A constância de produção de conteúdo agora será para o público-alvo do Tintim.
Escrevo esse texto com um aperto no coração. Confesso que é duro para mim deixar de fazer algo que amo tanto, ainda que eu não estivesse na minha “melhor fase”. Mas sei que, para se fazer um omelete, é preciso quebrar alguns ovos. Espero que você, meu fiel leitor, me compreenda.
Espero também que meus novos conteúdos continuem colaborando com seu crescimento como profissional, mesmo que agora de forma mais contextualizada. Saiba que sempre me esforçarei para dar o meu melhor!
Até logo!