O Claude Code virou meu secretário executivo
Conheça meu plano de compartilhar TODA minha vida com a IA
Eu precisava me preparar para uma entrevista importante. O candidato tinha mandado 30 minutos de áudios no WhatsApp. Pensei: "Sério que vou ouvir tudo isso de novo?". Foi aí que baixei os arquivos, abri o Claude Code, e em minutos tinha tudo transcrito e organizado. Naquele momento, percebi que minha forma de trabalhar nunca mais seria a mesma.
Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu conto como estou tentando transformar minha vida toda em um contexto estruturado para que a IA me ajude a tomar boas decisões.
Meu amor pelo Claude Code
Conversando com um dos programadores do Tintim, mencionei que estávamos buscando gente boa para o time de marketing. Ele mencionou que tinha um amigo que poderia ser uma boa contratação para o time. Não dei muita bola, afinal, as chances de um programador saber identificar um bom marketeiro são baixas, né?
Mas, para não correr o risco de comer bola, eu falei para ele passar meu contato ao seu amigo e pedir para me chamar no WhatsApp. Meu plano era simples: faço uma pré-entrevista via WhatsApp, de forma assíncrona, e, se eu notar algum potencial, chamo para um papo mais formal.
E não é que a indicação foi boa? Conversando pelo WhatsApp, vi que a pessoa tinha um bom perfil, um bom track record, e um bom conhecimento sobre os assuntos em questão. Então, marquei uma entrevista, de fato, para a semana seguinte.
No dia, para me preparar para a entrevista, eu precisava relembrar o contexto para montar as perguntas. Pensei: “Sério que vou ter que ouvir novamente 30 minutos de áudios?”. Como um bom preguiçoso que sou, baixei todos os áudios e pedi para o Claude Code transcrever. Em cima dessas transcrições, comecei a elaborar as perguntas.
Esse exemplo mostra como eu já não consigo viver sem inteligência artificial. Meu setup de trabalho quase sempre possui uma janela aberta com um chat. Durante muito tempo, esse chat era com o GPT, mas, depois de ter uma experiência completa com o Claude Code, decidi migrar meu setup de trabalho para lá.
Muito do meu processo de trabalho era, literalmente, copiar e colar contextos no chat para conseguir uma conversa com mais qualidade e personalização. Esses contextos eram transcrições de reuniões, documentos, sites, etc. Era trabalhoso, mas, até então, eu não tinha notado o custo desse trabalho, pois não imaginava alternativas.
Mas, depois de passar um final de semana inteiro vibecodando um projetinho no Claude Code, um mundo de possibilidades se abriu na minha cabeça. A capacidade da IA de, proativamente, abrir arquivos, fazer buscas, fazer perguntas, entre outros, eleva absurdamente a experiência de uso da IA para trabalho.
Desde então, eu passei a usar o Claude Code como uma das minhas principais ferramentas de trabalho. O fluxo de trabalho é simples: baixo todos os arquivos que preciso e os coloco numa pasta. Então, abro o Claude Code nessa pasta, explico que o contexto está todo ali, e passo a trabalhar já contando com esse contexto.
Minha produtividade (que já tinha aumentado com IA) aumentou absurdamente depois de adotar esse fluxo. Todo o processo seletivo que fiz com esse candidato foi dessa forma. Fazia uma entrevista, transcrevia a entrevista, colocava o arquivo como contexto, e ia “pensar em voz alta” junto com o Claude. Repeti esse processo com outras atividades de conhecimento (que são praticamente as únicas atividades que trabalho hoje em dia).
Meus desafios atuais
Como CEO de uma empresa que vem mais do que dobrando de tamanho ano a ano, meu dia a dia é repleto de desafios que eu nunca tinha enfrentado antes. Eu, que sempre fui uma pessoa acostumada a arregaçar as mangas e meter a mão na massa, ainda tenho muita dificuldade de aceitar que meu trabalho não é mais esse.
Além disso, ter uma empresa de software como serviço na era da IA é viver, constantemente, sob um ruído intenso. Se eu abro o WhatsApp vou encontrar, pelo menos, um grupo por dia discutindo sobre a morte do SaaS. Se eu abro o X vou encontrar, pelo menos, um tweet por dia mostrando como uma nova empresa do Vale do Silício está conquistando $1B de ARR com apenas dois funcionários e um time de agentes.
Some a isso os problemas recorrentes de uma operação que cresce desenfreadamente. É servidor que cai, é custo por lead que sobe, é vendedor que falta porque a oitava pessoa da família morreu neste ano…
Todo esse barulho, interno e externo, só contribui para aumentar a confusão na minha cabeça. Meu maior desafio, atualmente, é vigiar para não desperdiçar meu tempo. Frequentemente, me pego fazendo algo menos importante, justamente por essa falta de clareza.
A ideia
Então, depois de um amigo comentar que voltou a estudar programação usando IA, eu decidi fazer o mesmo: usar IA para me ajudar a buscar essa clareza. Comecei a conversar com o Claude, e ele foi me fazendo uma série de perguntas. A cada nova rodada, novas perguntas, e a cada nova pergunta, eu tendo que ligar o microfone e falar pra caramba, ou então buscar documentos e colar no chat. Um trabalho moroso para um preguiçoso como eu. Foi quando me veio o insight:
“E se eu tivesse toda minha vida documentada num único local, e sempre trabalhasse com a IA em cima dessa documentação?”.
Eu já tenho o hábito de documentar tudo, mas de forma descentralizada e desorganizada. Se eu organizar essa informação e disponibilizar para a IA, eu terei a coisa mais inteligente do mundo conhecendo minha vida de cabo a rabo, e tendo o contexto necessário para me ajudar a tomar as melhores decisões.
Pesquisando sobre o assunto, me deparei com esse vídeo, do excelente Nate B Jones, explicando como construir um “segundo cérebro” com IA. Com mais um pouco de pesquisa, cheguei ao vídeo de um cara chamado Brad, que implementou um segundo cérebro usando as skills do Claude Code. Melhor que isso, ele disponibilizou o repositório git do projeto dele. No domingo, eu fiz o setup do projeto na minha máquina e comecei a usar. Ainda não é 100% adequado para o meu fluxo de trabalho, mas já foi um excelente ponto de partida.
A ideia que estou agora é simples: controlar meus projetos e tarefas, pessoais e profissionais, usando inteligência artificial. O controle desses backlogs será feito através do processamento dos contextos que já existem no meu dia a dia de trabalho: reports em vídeo, reuniões de follow-up, reuniões e documentos de trabalho, entre outros. Ao processar esses documentos, o Claude vai, sozinho, atualizando o estado das coisas.
Com todo o estado atual da minha vida documentado e atualizado, a inteligência artificial se torna uma ferramenta poderosíssima, capaz de me ajudar a tomar decisões. A ideia é usar a IA para agir como uma espécie de chief of staff, ou secretária executiva.
Já adianto que a ideia é bem embrionária e que eu não tenho a mínima ideia se isso vai dar certo ou não. Em todo caso, decidi compartilhar com você essa minha aspiração, por dois motivos: 1) quero te inspirar a repensar seus processos de trabalho, partindo desse novo paradigma que a era da inteligência artificial trouxe, e 2) quero saber se você está fazendo algo similar e deseja compartilhar seus aprendizados comigo.
Comente aqui abaixo suas opiniões e sua experiência. Duas cabeças pensam melhor que uma (três, se levarmos em conta a IA).
✉️ Esta foi mais uma edição da Newsletter do Moa!
💪🏻 O meu objetivo com essa newsletter é ajudar profissionais de tecnologia que desejam desenvolver uma visão mais estratégica.
Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.
Portanto, se você se interessa por soft-skill, desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e opiniões relativamente polêmicas, sugiro que você se inscreva para receber as próximas edições. ⬇️