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O que empreendedorismo, arranha-céus e galerias comerciais têm em comum

Entenda isso e suas chances de ganhar dinheiro vão explodir

Existem dois jeitos de empreender, o primeiro é criando um arranha-céu, e o segundo é criando uma galeria comercial. Mas, calma: não estou falando de forma literal.

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu explico que a diferença entre esses dois caminhos é o que separa empreendedores que trabalham cada vez mais daqueles que ganham cada vez mais.

Eu jamais teria um restaurante

Sempre que vou almoçar, eu fico olhando ao entorno do restaurante, fazendo conta:

“Deve atender umas 200 pessoas no almoço. O ticket médio deve ser uns R$ 100, então são R$ 2.000 de faturamento. Isso dá quase R$ 50k, só de almoço. O CMV deve ser uns 30%, coloca mais 20% de imposto, mais funcionário. Será que esse cara ganha dinheiro?”

Isso é de lei. Sempre que minha esposa percebe que eu estou olhando em volta, quieto e pensativo, ela fala: “Já sei: você nunca teria um restaurante, né?”. Ela faz piada disso, pois, sempre que eu faço essas contas, essa é a conclusão a que eu chego. São vários os motivos pelos quais eu nunca teria um restaurante…

O primeiro deles é o nível de sofisticação de mercado. Vender comida é, provavelmente, uma das atividades mais antigas da história da humanidade. Quanto mais antigo um mercado, mais sofisticado é esse mercado. Quanto mais sofisticado, mais próximo da comoditização e mais difícil a diferenciação.

Pode reparar: a grande maioria dos restaurantes brigam por preço. Alguns poucos conseguem se estabelecer através da qualidade da comida, mas, ainda assim, não conseguem cobrar tão mais caro. Os que conseguem cobrar caro, de verdade, são os que entregam qualidade aliada à experiência. Conclusão: é um mercado muito concorrido.

O segundo motivo pelo qual eu nunca teria um restaurante é a dificuldade de operar esse tipo de negócio. Restaurantes são altamente dependentes de mão de obra. Você precisa de cozinheiro, garçom, lavador de prato, gente para limpeza. Precisa, também, de um gerente para coordenar toda essa galera. Lidar com ser humano já é uma complicação por si só. Agora, imagina com o ser humano brasileiro que, via de regra, não é muito chegado numa responsabilidade…

Além disso, tem a dificuldade de operar estoque. Comida é algo perecível, e que precisa ser extremamente bem armazenado e conservado. Se seus funcionários não forem extremamente diligentes, você corre o risco de servir carne podre aos seus clientes. Tenho certeza que você já teve ânsia assistindo Pesadelo na Cozinha, quando o Jacquin resolve entrar na cozinha dos restaurantes.

E para gerenciar as compras desse estoque? Se você comprar demais, o estoque sobra, estraga, e você perde dinheiro. Se você comprar de menos, o estoque falta, o cliente é mal atendido, e sai falando mal do seu restaurante para todos os amigos dele.

O terceiro motivo que eu não teria um restaurante é pelo risco Brasil. Um negócio de porta aberta para a rua está sujeito a vários tipos de problemas. Um cliente bêbado pode encrencar com alguém e arrumar briga. Um mendigo chapado pode resolver entrar no salão e incomodar seus clientes. Uma vítima da sociedade pode resolver fazer justiça social e apontar uma arma na cabeça do seu gerente. Isso, da cozinha pra fora.

Da cozinha para dentro, um fiscal da vigilância sanitária pode decidir visitar sua cozinha, abrir a geladeira e descobrir que existe uma única peça de carne sem a etiqueta de data de validade. Isso dá multa, sabia? Multa pesada. Agora, imagina que essa etiqueta acabou descolando e caindo exatamente do lado da peça. Acontece, somos humanos e erramos, né? Só que, com o fiscal, não tem conversa, a não ser que você viabilize aquele tal cafezinho (essa história aconteceu de verdade com um amigo meu).

Por fim, o principal motivo pelo qual eu não teria um restaurante é pela limitação de escala. Imagina só: você resolve colocar uma grana relevante para alugar e reformar um ponto, montar equipe e aguentar o fluxo de caixa negativo dos primeiros meses até fazer seu negócio virar. Depois de um ano, finalmente, seu restaurante começa a fazer fila na porta. Sucesso!

Sim, e não, né? Se você tivesse mais mesas disponíveis, você conseguiria atender toda essa demanda e não deixar dinheiro na mesa. A real é que, se você fizer um bom trabalho de marketing e tiver muito mais demanda do que pode atender, o caminho mais lógico é abrir uma nova unidade. Mas, será que vale mesmo a pena? Ter que montar uma operação nova, toda do zero. Correr todo o risco de novo? Ter todo o trabalho de montar outro time competente? Vale mesmo a pena?

As duas grandes funções de uma empresa

Eu tive a ideia de escrever este artigo depois de ler um tweet do Nathan Barry, defendendo que devemos focar em construir arranhas-céus, e não galerias comerciais.

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No meu texto, eu decidi trocar a analogia da galeria comercial para a analogia do restaurante, mas a ideia continua a mesma: ao invés de focar em fazer vários negócios pequenos, o foco deve ser em fazer um único negócio grande.

Para que uma empresa tenha sucesso, ela precisa fazer duas coisas muito bem: vender e entregar. Sem vendas, a empresa quebra em poucos meses. Sem entrega, a empresa quebra em poucos anos. O grande desafio do empresário é conseguir fazer bem essas duas coisas, com uma quantidade limitada de recursos, e de forma lucrativa.

Construir as bases para uma boa entrega demora e dá trabalho. Reformar ponto dá trabalho, montar time dá trabalho, gerenciar estoque dá trabalho. Passar por essa fase e sair vivo no final é trabalhoso e, principalmente, demorado.

Paralelo a isso, montar a máquina de vendas também dá trabalho. Acertar o canal de comunicação dá trabalho, atender bem os clientes dá trabalho, construir sua reputação é muito trabalhoso e, principalmente, demorado.

Depois de um, dois anos se esforçando muito para construir uma boa máquina de vendas e uma boa máquina de entrega, você finalmente consegue respirar e pensar no crescimento do seu negócio. Só que, na analogia da figura, para crescer a galeria comercial você tem que começar tudo do zero de novo. Mas, para crescer o arranha-céu, é só construir mais um andar.

Para que ambos os negócios parem de pé e sejam lucrativos, é necessário uma base sólida. A diferença é que, em negócios escaláveis, depois que essa base é construída, crescer é mais fácil. Em negócios não escaláveis, o custo cresce junto com o faturamento. Em negócios escaláveis, não.

“Moacir, mas construir uma base sólida de um negócio escalável é muito mais difícil…”

Sim. Mas não é tão mais difícil assim. Vale a pena passar um pouquinho a mais de perrengue no começo, e, talvez, demorar um pouco a mais pra começar a ver dinheiro. A recompensa dos efeitos compostos vale muito a pena.

Entenda: sua vida não vai ficar fácil, muito pelo contrário. Você vai continuar tendo que resolver um monte de pepino. Sua máquina de entrega vai continuar tendo problemas. Sua máquina de vendas vai dar trabalho pra escalar. Não se iluda.

O ponto é que em ambos os casos você terá problemas, só que, a partir de determinado momento, você passará a ganhar mais dinheiro para resolver esses problemas. É uma questão de eficiência.

exponential

O ofício do empreendedor é resolver problemas. Mas, não somos hipócritas: também estamos no game pelo dinheiro. Se eu puder ganhar mais para resolver problemas, por que não? Para que isso aconteça, devemos seguir o conselho do Nathan: “Stay focused on one thing. Iterate until it works. Promote it relentlessly.”

PS: Depois de escrever este texto, entrei no Youtube e vi que o Bruno Faggion publicou um vídeo listando restaurantes como um tipo de negócio que ele nunca teria kkkk.


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