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O SaaS vai morrer?

O que ninguém está falando sobre essa história da IA matar o mundo do software

O CEO da Nvidia disse que a IA vai devorar o software. O CEO da Anthropic prevê que em 12 meses ela escreverá "essencialmente todo o código". Empresas já estão construindo sistemas internos com IA ao invés de contratar SaaS. Parece o fim de uma era. Será?

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu faço uma reflexão para tentar descobrir se, de fato, o SaaS vai morrer.

O fim do SaaS?

Em 2017, Jensen Huang (CEO da Nvidia) afirmou que "o software está devorando o mundo, mas a IA vai devorar o software", implicando que a IA substituirá métodos tradicionais de software. Em 2025, Dario Amodei (CEO da Anthropic) fez uma previsão: em alguns poucos meses, a IA estará escrevendo 90% do código, e em 12 meses ela estará escrevendo "essencialmente todo o código". Já não é de hoje que players relevantes da indústria de tecnologia fazem declarações fortes como essas.

Por conta dessa facilidade, estão surgindo alguns movimentos de empresas escolhendo construir software dentro de casa, ao invés de contratar softwares de mercado. Exemplos como o Dener Lippert, CEO da V4, contando em seu canal no Youtube que decidiu construir o próprio CRM, ao invés de contratar a solução da Salesforce. Ou então, como o tweet abaixo:

Tweet

Diante de declarações como essas, a gente tende a ficar apreensivo. Será que a profissão do programador vai acabar? Será que a categoria de software como serviço vai ser extinta? Finalmente a tecnologia ficou acessível a ponto de toda empresa poder vibecodar os sistemas necessários para rodar sua operação?

A culpa é de quem?

O meu primeiro emprego com tecnologia foi uma empresa que tinha uma cultura open source muito forte. Era um escritório de tecnologia associado à OMS, quase que um órgão público, só que mundial. Diante dessa característica de organização sem fins lucrativos, a empresa entendia que o movimento mais estratégico a ser feito era distribuir seus produtos via licenças de código aberto. Esse modelo permitia que pessoas do mundo todo colaborassem com o desenvolvimento dos projetos. Veja, estamos falando de 2010. Apesar de boa parte da internet já ser construída baseada na cultura open source, esse “modelo de negócio” era algo bem pouco difundido.

Foi nesse ambiente que fui apresentado ao Python e ao Linux. Até então, eu era um autodidata, e não tinha contato com mais ninguém que soubesse programar (ou tivesse qualquer intimidade com o computador além do pacote Office). Por esse motivo, não conhecia nada além de Windows e softwares proprietários (que eram pirateados, pois minha família não tinha um puto no bolso para gastar com essas “bobeiras”).

De repente, eu me vi diante de soluções de qualidade e que não custavam o olho da cara. Melhor ainda: eram de graça. Frente a esse novo mundo, eu não conseguia entender porque, ainda assim, as empresas pagavam caro para usar “aquela porcaria” de Windows.

Uma bela tarde, entre copos de cerveja e porções de batata frita, eu expus esse dilema a um amigo, que me trouxe a luz. Ele, um ferrenho defensor do ecossistema Microsoft, me explicou:

> “Moacir, se eu instalar um Linux no servidor do meu cliente e acontecer algum problema, eu vou ligar pra quem?”.

Foi aí que minha ficha caiu. Enquanto o menino da TI está preocupado em instalar um software e o analista do financeiro está preocupado em operar o software, o diretor da empresa está preocupado em garantir que aquele software siga funcionando e que o trabalho seja entregue. O diretor não quer inovação, ele quer garantias.

Em muitos casos, o custo de uma operação parada é muito maior do que o custo do sistema responsável por fazer a operação rodar. Em casos mais sensíveis, um erro de sistema pode falir uma empresa. Portanto, quando alguém escolhe usar um Salesforce da vida, ao invés de uma solução de código aberto, o que ela está comprando é segurança. O que está sendo comprado é a garantia de saber que, se der algum problema, eles têm pra quem ligar pra pedir ajuda.

Uma pessoa mais cínica iria além: o que está sendo comprado é a garantia de poder culpar alguém por algum problema.

E não é só isso…

Além do pragmatismo da segurança, existe também a compra de know-how. No mundo das empresas de consultorias, por exemplo, existe uma dinâmica de valor muito clara, que também existe em empresas de software.

Quando você contrata uma consultoria, o que você está contratando é um conhecimento que pode ser aplicado ao seu negócio. Geralmente, esse conhecimento vem empacotado em uma metodologia, que visa facilitar a capacidade de um consultor aplicar esse conhecimento. Essa metodologia não nasce de um simples lampejo que acontece na cabeça de um gênio. Ela nasce de anos de trabalho com dezenas, centenas, talvez milhares de empresas diferentes. Isso é know-how.

Empresas prestadoras de serviço, no geral, necessitam desse know-how para conseguir gerar valor para seus clientes. Para empresas que vendem software como serviço, isso não é diferente.

Quando alguém decide instalar um software como Salesforce em sua operação, essa pessoa não compra simplesmente um sistema de arrastar Kanban que ajuda o vendedor a fazer follow-up. Essa pessoa está comprando o know-how de uma empresa que atende centenas de milhares de negócios, dos mais diferentes setores e tamanhos. Uma empresa que possui capacidade de fazer benchmark nessas centenas de milhares de referências, e, com isso, desenvolver um produto melhor. Quem compra um Salesforce da vida está comprando, no fim do dia, especialização em processos comerciais.

Conclusão

A IA revolucionou o mundo da programação. De fato, o custo por linha de código escrita ficou muito mais barato. Mas, será que o grande valor está aí?

Para responder essa pergunta, vamos imaginar um outro cenário. Eu imagino que você, ou algum conhecido seu, já tenha sofrido na mão de um pedreiro picareta na hora de fazer uma reforma. A história é sempre a mesma: o cara vai reformar sua cozinha por um precinho camarada, e em um mês o assunto está resolvido. Passados 3 meses, você se vê procurando outro pedreiro para resolver a bagunça que o primeiro fez, tendo que gastar o dobro do que tinha planejado.

Decidir construir seu próprio CRM pode ser parecido. Quem é a pessoa responsável pelas regras de negócio? Pelos casos de uso? O diretor comercial? Qual é a experiência dele? Ter liderado meia dúzia de empresas? E quando o software começar a ter problemas de escala, quem vai resolver o problema? O programador baratinho que você contratou para vibecodar o sistema?

O grande ganho da inteligência artificial é a velocidade de execução. Mas, isso não é novo. Linguagens, frameworks e até software que também geram código já tentam resolver esse problema há anos.

O desafio não está em executar, mas, sim, em saber o que executar. A inteligência artificial até ajuda nisso, mas, o fator principal continua sendo o ser humano.

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O CEO da Nvidia ...
O CEO da Anthropic ...

Lição básica que todos deveriam conhecer:

Jamais escute quem está querendo vender algo

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Que isso, eu sempre confio no vendedor, afinal, ele tenta vender o produto todo dia, conhece tudo do assunto, deve ser a pessoa mais confiável pra me falar sobre aquilo, né?

O vendedor de carros usados disse que o carro era "único dono", nunca foi batido e andava pouco (por isso que rodou só 50.000 km em 15 anos).

A vendedora da loja disse que a roupa ficou ótima, fiquei até mais bonito e pareço 10 anos mais novo.

O traficante disse que aquele pozinho branco não faz mal, não vicia, é de qualidade, pode confiar.

O cara que participa do esquema de pirâmide me garantiu que não é pirâmide.

E os CEO's que precisam manter o hype vivo (pra postergar ao máximo o estouro da bolha) fazem declarações que só servem pra alimentar o hype.

Como não confiar? :-)
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Meus 2 cents,

IA escreve codigo ? Claro que escreve !

Mas se DEVs mediocres escrevem codigos mediocres, adivinha so: IA escreve código mediocre para caralho (basicamente porque foi treinada com milhares de codigos mediocres para caralho).

Ao longo de mais de 40 anos na area de TI, conheci talvez uns 15 DEVs realmente bons, cujo codigo olhava e ficava embasbacado com a qualidade e sutileza na resolucao de certos problemas.

Por outro lado, nao tenho como contar quantos DEVs medianos ou mediocres conheci - e que mesmo assim codavam e colocavam o app para rodar. Nao deu erro de compilacao ? Manda para producao !

Lamento pessoas, codigo de IA funciona assim: Nao deu erro nos testes ? Manda para producao.

O CEOs NVIDIA e ANTHROPIC estao tecendo loas a capacidade de codar de uma IA ? Acorda mocada, eles estao falando bem do produto que eles vendem.

Claro que neste momento o Claude eh provavelmente o melhor coder de IA disponivel - mas o nivel de comparacao eh sofrivel.

Sim, IA coda rapido para caramba - nem tem como competir aqui.

Spoiler - eu tambem uso IA para acelerar algumas coisas, mas se eu nao guiar a arquitetura do app, sai uma bosta.

As vezes olho os posts de DEVs dizendo "deixei o openClaw/ ClaudeCode /SeuAgenteCodePreferido fazer o PR sozinho" e fico imaginando o quanto que ele nao esta contando (p.ex. que o codigo do app ja existe e a acao especifica do Agente de IA foi encontrar um bug em uma funcionalidade - o que ele tambem consegue fazer com razoavel habilidade).

Enfim - nao, o DEV nao morreu. Mas se eh para ser DEV mediocre, a verdade seja dita, a competicao ficou mais apertada.

Saude e Sucesso !

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Ótimo conteúdo e ótimos pontos!

Quando eu era mais novo eu pesquisava, comprava peças, montava o PC, instalava e reinstalava Windows, enfim, tinha tempo e paciência. Hoje eu quero comprar um notebook, quero apertar um botão e quero que ele funcione. Simples assim.

É a mesma lógica, eu posso montar meu PC e ser responsável pela manutenção dele, mas eu não quero! rs
Prefiro comprar algo pronto e se possível que tenha suporte ou garantia.

Sendo mais simplista, todo mundo pode cozinhar, mas na maioria das vezes as pessoas preferem ir ao restaurante.

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Meus 2 cents...

Trabalhei em uma empresa que estavam me forçando a vibecodar. E lhes digo por experiência própria: não é nada escalável.

Sempre fui focado na stack Python, Django e fui contratado como programador. No início, eu era responsável por manter os sites no ar, porém, com o tempo, o diretor veio com suas ideias meio malucas, eu diria.

Ele queria desenvolver um CRM (utilizando o lovable) cujo umas de suas principais funcionalidades seria realizar transferências em criptomoedas. O projeto iniciou de forma até que agradável, telas bonitinhas, funcionalidades simples e simples de serem implementados. Até entrar o supabase como backend, ai começou toda a dor de cabeça.

Enfim, não vou entrar em detalhes, mas IA são ferramentas extraordinárias quando é utilizada para auxiliar em lógicas, regras de negócio e até mesmo modelar um banco. Porém, quando se trata de um sistema inteiro, ela (IA) não aguenta todo o contexto.