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O Tintim não tem meta para 2026

Porque entrei em 2026 sem meta pela primeira vez em 3 anos

Pela primeira vez em três anos, entrei em 2026 sem saber qual meta perseguir. Não por falta de ambição, nem por falta de resultados. O problema é outro: descobri que uma meta mal desenhada pode criar incentivos que destroem exatamente aquilo que você construiu.

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu compartilho com você o dilema que todo fundador ambicioso vai enfrentar um dia: como definir uma meta que te faça crescer sem quebrar seu negócio?

As dores do crescimento

Estava eu, entediado e scrollando o Youtube, quando me deparei com este vídeo do meu amigo Bruno Faggion, defendendo que devemos ter poucos objetivos para um ano. Um, dois, no máximo três.

A ideia central do vídeo é simples: independentemente do tamanho da empresa, normalmente, só é possível realizar cerca de três coisas realmente relevantes por ano. Ok, eu concordo plenamente com essa premissa. Mas, esse vídeo me fez refletir…

Conforme contei em outra edição, o ano de 2025 foi um ano de grandes emoções para o Tintim. A gente cresceu muito. Nosso MRR aumentou 2,5x entre janeiro e novembro, e, por pouco, não alcançamos os tão sonhados sete dígitos. Mas, esse crescimento teve um preço.

Ryan Diess, um excelente produtor de conteúdo sobre negócios, defende que uma empresa só pode ter dois tipos de problemas: ou ela não está conseguindo vender o suficiente, ou ela não está conseguindo atender seus clientes com qualidade. Dentre esses dois, eu diria que 90% dos empreendedores enfrentam o primeiro problema.

Eu, por anos, tanto na fábrica de software quanto na DevPro, enfrentei o primeiro problema. Já no Tintim, a gente conseguiu montar uma máquina de aquisição de clientes muito redondinha e eficiente, responsável por esse crescimento tão acima da média. Por conta desse crescimento, pela primeira vez, eu me vi com problemas de escala.

É servidor que não para de pé, é banco de dados ficando lento porque está trabalhando em sua capacidade máxima, são filas engargaladas pois a infra não está aguentando o alto volume de processamento… E o suporte segurando toda a bronca. Pela primeira vez na minha carreira de empreendedor, eu comecei a enfrentar os desafios da escala de software.

“Tá, mas o que tudo isso tem a ver com o vídeo do Bruno?”

Se eu fosse elencar o fator principal que nos fez crescer tanto em 2025, com certeza seria a nossa capacidade de definir e buscar uma meta. Em todos os três anos de Tintim, nós sempre começamos o ano com uma meta clara a ser perseguida.

Em 2025, a meta era bem ousada, tanto que não conseguimos bater. Ainda assim, batendo um pouco mais de 90% da meta, considero esse um resultado excelente. Porém, 2026 foi o primeiro ano que entramos sem ter uma meta clara. Por quê? Porque eu estou com medo de definir uma meta que quebre nosso negócio.

Eu sou uma pessoa muito competitiva. Meus sócios também são muito competitivos (inclusive, vale lembrar que eu ganhei do Júnior no boliche que jogamos no nosso último encontro dos sócios rs). A partir do momento que definirmos a meta, a gente vai buscar essa meta a todo custo. E esse é justamente o problema. Esse “a todo custo” do ano passado nos fez olhar muito para nossa máquina de aquisição e pouco para o resto da empresa. É natural, afinal, somos bons em aquisição. Esse foco acaba acontecendo quase de forma intuitiva.

Veja, não estou fazendo um mea culpa. Eu não me arrependo dessa nossa atitude. Nós crescemos muito e de forma lucrativa. Por causa desse crescimento, eu pude montar um time muito capaz e pude, também, colocar dinheiro no caixa da empresa. Além disso, o Tintim continua gerando valor para seus clientes. Anyway, prefiro mil vezes ter problemas por excesso de vendas do que por falta delas.

Também seria bem difícil prever esse crescimento. O crescimento veio muito mais rápido do que esperávamos. Nunca imaginaria que, em menos de 3 anos de empresa, estaríamos chegando próximo de sete dígitos de receita recorrente mensal.

Por que ainda não defini uma meta para 2026?

Voltando das minhas férias, estava ouvindo o episódio do excelente podcast A Próxima Onda, em que eles entrevistaram o produtor de conteúdo Elton Luiz. Durante o episódio, o Elton conta que seu pai é corretor de seguros e que, nesse business, o desafio não é adquirir novos clientes, e nem reter os clientes atuais. O desafio, mesmo, é manter um equilíbrio ideal entre essas duas disciplinas. Isso me marcou.

Um business de SaaS é muito parecido com o business de um corretor de seguros. O real valor não vem da sua capacidade de adquirir clientes, mas, sim, de manter esses clientes te pagando durante um bom tempo. Mas, para que haja uma quantidade relevante de clientes dentro da base, é preciso investir em aquisição. Problema complexo, né?

Eu ainda não defini as metas de 2026 porque não quero criar um sistema que crie incentivos indesejados. Se eu simplesmente colocar uma meta de MRR, ou de faturamento, a gente corre o risco de acabar focando só em aquisição, e deixar a retenção de lado. Ao mesmo tempo, se eu colocar uma meta agressiva de redução de churn, a gente corre o risco de estagnar e parar de crescer.

Por isso, eu e meus sócios estamos investindo energia e dinheiro em aprender, tanto com pessoas de fora quanto com o nosso passado. O objetivo é definir uma meta que seja ousada, mas que, ainda assim, crie os incentivos corretos.

Em todo caso, é bom dizer que não estamos parados. Durante dezembro e o comecinho de janeiro, a gente dedicou várias horas de análise e planejamento com os times de tecnologia e receita. Fizemos nossa lição de casa e já temos um roadmap de projetos para essas áreas. A execução, pelo menos do primeiro trimestre, já está planejada. O que faltam são as metas, que, no máximo, até o fim de janeiro devem sair.


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💪🏻 O meu objetivo com essa newsletter é ajudar profissionais de tecnologia que desejam desenvolver uma visão mais estratégica.

Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.

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