1

R$ 100k+ de faturamento e 80% de lucro (não é SaaS)

Aproveite as vantagens do que você já construiu.

Anos atrás, eu troquei a prestação de serviços por um negócio que pudesse escalar. Anos depois, conheci dois irmãos que prestam serviços para mais de 30 clientes e têm um lucro de 80%.

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu conto por que os prestadores de serviços estão vivendo a melhor era da história do seu mercado (e o que eles devem fazer para faturar R$ 1M por mês com poucos funcionários).

Parágrafo 1

Semana passada eu fui convidado para palestrar no Master Ultra, um mastermind de donos de agências de marketing. Eu sou muito fã do formato dos grupos de mastermind, e donos de agência são o público-alvo do Tintim. Obviamente, aceitei!

O formato de um Mastermind é o de uma mesa-redonda, geralmente de poucas pessoas, que se reúnem de tempos em tempos com o objetivo de trocar experiências e se ajudar para resolver problemas práticos dos seus integrantes.

Num contexto desse, eu fiquei em dúvida sobre o que palestrar, dado que não vivo o dia a dia de uma agência e, por isso, não teria nada de prático para compartilhar. Mas o Rodrigo Bindes, organizador do grupo, me deu a letra de um tema que traria muito valor para a galera.

Como todas as pessoas que são entusiastas de tecnologia, a galera por lá também está usando e abusando do Claude Code para automatizar suas operações. Para você ter uma ideia, conheci dois irmãos que tocam, sozinhos, uma agência com mais de 30 clientes. Faturamento de centenas de milhares de reais e margem de 80% no bolso. Nada mal, né?

Acontece que uma galera se empolgou com os superpoderes do Claude e decidiu que queria vender as próprias soluções como SaaS. O próprio Rodrigo foi um caso desses. Ele tentou produzir e vender seu próprio SaaS, mas percebeu que o buraco era bem mais embaixo. Diante da própria experiência, ele me sugeriu que eu trouxesse quais são os desafios de se operar um SaaS.

Minha trajetória

Para falar dos desafios, eu decidi, também, contar minha história. Se você é um assinante antigo desta newsletter, já sabe que eu comecei a programar com 11 anos de idade. Na real, meu primeiro contato com um computador foi com 6 anos de idade. Me lembro, como se fosse hoje, de querer saber como meu pai fazia aquelas planilhas cabulosas (sendo que eu nem sabia para que servia uma planilha).

Por graça de Deus, eu tive um professor de história que decidiu usar uma das suas míseras três aulas semanais para ensinar “informática” para seus alunos. Um visionário, afinal, estávamos saindo da década de 90 e entrando nos anos 2000, e o computador ainda era um bicho estranho para muita gente.

Ele dava essas aulas para seus alunos da sexta série. Só que, com 11 anos, eu ainda estava na quinta série e, portanto, não tinha acesso a essas aulas. Isso não foi problema. Colei nos meus amigos mais velhos e aprendi sozinho a fazer o que eles estavam fazendo.

Esse foi o início da minha paixão por computadores, internet e software. Essa paixão me levou à faculdade de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, que me levou ao meu primeiro estágio na área, com 19 anos de idade.

Só que essa paixão acabou virando desilusão. Diante de uma sequência de más experiências na área, eu acabei me traumatizando e pegando raiva. Por isso, aos 23 anos eu decidi pedir as contas para empreender com um negócio que não tinha nada a ver com tecnologia. Foi quando abri meu primeiro CNPJ.

Durante essa época, eu tentei de tudo (até tentei ser jogador de poker profissional), mas o que pagava minhas contas, mesmo, eram os freelas de programação e construção de sites que eu fazia. Depois de uns 3 anos batendo cabeça, eu finalmente entendi que eu amava programação, mas odiava o ambiente das empresas de tecnologia. Foi quando decidi criar a minha própria empresa de tecnologia: uma fábrica de software.

Nessa época eu decolei. Consegui bons clientes e coloquei um bom dinheiro no bolso. Mas também trabalhei igual a um camelo, mesmo tendo um bom time abaixo de mim. Foi quando eu tive contato com o mercado de marketing digital, mais especificamente o de infoprodutos, e decidi que queria criar um negócio escalável, e não de prestação de serviços.

Aos 29 anos me tornei sócio da DevPro, um curso de programação, e mergulhei de cabeça no mundo do marketing digital. Fui responsável pela máquina de receita da empresa durante 3 anos. Ao longo desse tempo, investimos perto de R$ 1M de mídia e faturamos alguns milhões.

Mas, depois do boom da pandemia (que gerou uma demanda absurda por programadores), eu percebi que não tínhamos nenhum diferencial competitivo e, em breve, seríamos engolidos pelos nossos concorrentes. Meu sócio também não estava mais na pegada, então decidimos nos separar.

Mas, durante essa trajetória, eu percebi que faltava uma tecnologia boa para conseguir rastrear leads e vendas. Era uma dor real no meu dia a dia como comprador de mídia. Depois de estudar melhor esse mercado e essa dor, aos 32 anos de idade, eu lancei o Tintim.

Founder market fit

Founder market fit (ou ajuste entre o fundador e o mercado) é uma sintonia profunda entre os fundadores de uma startup e seu mercado. É a capacidade que nasce da junção das características, experiências, habilidades e motivações desses fundadores, que será usada como diferencial para conquistar o mercado disputado.

Olhe para a minha trajetória quando decidi fundar o Tintim: na época, eu já programava há 21 anos, trabalhava na área há 13 anos, empreendia há 9 anos, desenvolvia produtos digitais como empresário há 6 anos e estava há 3 anos imerso no mundo de marketing digital, investindo pesado em tráfego pago. Eu tinha uma experiência de décadas em desenvolvimento de software e empreendedorismo. Tinha também uma experiência sólida em marketing. Esse contexto me colocava numa posição rara para construir um produto para gestores de tráfego. Eu tinha o tal do founder market fit.

Mas tinha uma coisa que eu não tinha: uma unfair advantage. O termo (vantagem injusta) refere-se a qualquer fator, recurso ou condição que dá a uma pessoa um diferencial competitivo difícil de ser copiado ou alcançado pelos concorrentes. Eu não tinha nenhuma reputação no mercado de marketing. Não tinha grandes contatos. Toda minha reputação estava no mercado de programação. No marketing, eu era um zé-ninguém.

Foram anos de muito trabalho duro para conquistar nossas vantagens competitivas. Hoje, já temos algumas: marca, dados proprietários, um time super capaz. Já falei sobre isso antes. Em todo caso, tenho certeza de que essas conquistas só foram possíveis por causa da minha experiência de décadas construindo software.

Essa foi a argumentação da minha palestra para os donos de agência do mastermind. Fazer software que escala é muito caro e muito trabalhoso, mesmo quando a IA escreve o código pra gente. Sem a experiência de já ter feito isso antes, vai ser MUITO difícil se consolidar como uma empresa de SaaS, que fornece uma solução robusta, segura e escalável.

Na minha opinião, uma agência de marketing querer se aventurar vendendo SaaS é uma decisão pouco estratégica, justamente pela falta de founder market fit. Para empreender no mercado de software, é preciso ter uma bagagem sólida em… software!

A boa notícia: essas pessoas não precisam fazer um SaaS para faturar um milhão de reais por mês (ou mais). Essa mesma inteligência artificial, que está empolgando todo mundo, permite ao dono da agência automatizar grande parte da sua operação. Pela primeira vez na história do capitalismo é possível escalar a prestação de serviços.

Um dono de agência que decide criar uma agência escalável tem founder market fit e, principalmente, tem MUITA unfair advantage. Ele já tem o conhecimento de como operar o negócio, já tem a reputação no mercado, já tem anos de experiência para saber o que funciona e o que não funciona. Basta mergulhar de cabeça na IA e aprender como automatizar seus processos (claro, não é tão simples assim, mas você me entendeu).

Esse é o movimento estratégico que eu acredito que as agências devem fazer: escalar suas operações automatizando tudo o que for possível com inteligência artificial.


✉️ Se você quer acompanhar semanalmente os meus artigos, acompanhe a Newsletter do Moa

💪🏻 O meu objetivo é ajudar profissionais de tecnologia que desejam desenvolver uma visão mais estratégica.

Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.

Portanto, se você se interessa por soft-skill, desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e opiniões relativamente polêmicas, sugiro que você se inscreva para receber as próximas edições.

Carregando publicação patrocinada...