Uma oportunidade de ficar rico que ninguém está vendo
Algo fora do radar, mas que tem dinheiro de verdade
👋🏼 Bem vindo à edição de número #149 da Newsletter do Moa.
R$ 3 milhões de lucro por ano, sem vender a empresa. Esse é o cenário B, o que acontece se o plano principal não der certo. Agora imagina como é o plano A…
Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu abro, pela primeira vez, a tese completa por trás do Tintim: os modelos mentais que usei, o sweetspot que poucos enxergam e os riscos que decidi aceitar.
Um modelo matemático
Um dos assuntos que mais me interessa é sobre como pensar melhor. Um dos grandes expoentes da sabedoria aplicada à prática é Charlie Munger, braço direito de Warren Buffett, o maior e mais bem-sucedido investidor do mundo e de todos os tempos.
Um dos livros mais legais do Munger é o Poor Charlie's Almanack, uma coletânea de discursos, palestras e ensaios dele, que foi organizada por Peter Kaufman (você vê que o cara é bom quando alguém decide sair caçando seus pensamentos para montar um livro, igual ao que fizeram também com o Naval).
Nesses discursos, Munger apresenta diversos modelos mentais que ele pegou emprestado de outras disciplinas, como biologia, engenharia, física, matemática, etc, para aplicar no dia a dia e, com isso, tomar melhores decisões. Em um deles, especificamente, ele usa um problema complexo para ilustrar o uso de alguns desses modelos mentais.
O problema é simples: você está em 1884 e tem o desafio de transformar 2 milhões de dólares em 2 trilhões de dólares até o ano de 2034. A partir daí, ele começa a fazer uma conta de trás pra frente para definir as premissas necessárias para alcançar esse objetivo.
Eu me lembro exatamente do momento em que lia sua explicação sobre as decisões que faziam sentido e os racionais por trás delas. Foi mindblowing! Diante daquela explicação, um mundo de possibilidades se abriu na minha cabeça. Foi nesse momento que eu tive a certeza de que dava para transformar o objetivo “enriquecer” em um “problema matemático”, e então criar uma estratégia para resolver esse problema.
Foi usando essa lógica que eu planejei, na minha cabeça, o que seria o Tintim. Hoje eu vou compartilhar essa lógica e também o racional por trás dela.
Meus objetivos
Eu sempre quis ser rico, não rei. Meu objetivo nunca foi ser poderoso, influente, nada disso. O que eu sempre quis foi ganhar dinheiro suficiente para que eu não precisasse mais me preocupar com grana para sobreviver. Meu objetivo é construir patrimônio, para que o rendimento pague as contas da minha família e nos permita viver uma vida confortável.
Diante desse objetivo, eu enxergo dois grandes caminhos para alcançá-lo: 1) ganhar uma boa grana todo mês e guardar um pouquinho, para formar esse patrimônio, e 2) construir e vender um ativo valioso, colocando a quantidade necessária de grana no bolso numa tacada só.
Eu, particularmente, acho o caminho 1 mais arriscado que o 2. Sim, eu sei que a probabilidade de sucesso em construir e vender uma empresa é baixíssima (as chances de colocar um dinheiro substancial no bolso são mais baixas ainda). Mas ganhar bem todo mês pode ser uma grande armadilha psicológica. É preciso MUITA disciplina e autocontrole para ver uma quantidade relevante de grana entrando todo mês no seu bolso e não aumentar o seu padrão de vida. Autocontrole não é algo natural do ser humano.
Tá, mas se psicologicamente o caminho 1 é arriscado, praticamente em todos os outros aspectos, o caminho 2 é muito mais, certo? Sim, e não. Eu acredito que, se você for safo o suficiente, você é capaz de fugir de algumas armadilhas do empreendedorismo e ser bem-sucedido (mas isso é assunto pra outra hora).
O sweetspot
Alguns meses atrás eu assisti a um vídeo do excelente Bruno Faggion, em que ele menciona sua teoria de que existe um gap, uma oportunidade, no mercado brasileiro, que ninguém está olhando. Essa oportunidade está em negócios que faturam na casa dos R$ 10 milhões por ano. Segundo ele, essa faixa de faturamento é um sweetspot, já que reúne diversas características interessantes.
A ideia é simples. Primeiro que, na casa dos R 10M de faturamento, você consegue fugir da competição de massa da faixa dos R 1M. Nessa faixa existe uma grande oferta de possibilidades para “pessoas comuns” empreenderem e terem sucesso. Agências de marketing digital, franquias, prestação de serviços, negócios locais, etc. Mas, ao mesmo tempo em que é “fácil” alcançar um faturamento desses com esses tipos de negócio, é difícil passar dessa faixa, dada a natureza de baixa escala desses modelos.
A segunda grande vantagem de negócios de R$ 10M é que essa é uma faixa que “top players” não têm interesse em competir. Fundos de venture capital, private equity, etc, não têm interesse em investir em negócios desse tamanho, pois o retorno não é atrativo. Empreendedores de elite focam em negócios que têm potencial muito maior, na casa das centenas de milhões de faturamento/ano, ou até na casa do bilhão.
A terceira grande vantagem é que construir um negócio de R 10M é, sim, mais difícil que construir um negócio de R 1M, mas não 10x mais difícil (desde que você escolha o modelo de negócios correto).
Quando pensei no Tintim, eu mirava justamente a faixa dos R 10M-R 30M de faturamento por ano.
A lógica
Eu já contei a minha história aqui algumas vezes. Apesar de eu ter começado a empreender como prestador de serviços, eu sempre tive a vontade de criar um negócio digital, que fosse escalável através da internet. Eu consegui esse feito através da DevPro, escola para programadores da qual fui sócio, mas o resultado não foi como eu esperava.
A DevPro tinha uma série de “falhas estratégicas”, que não nos permitiriam chegar na casa R$ 10M de faturamento, e que eram muito difíceis de serem corrigidas. Eu percebi isso quando meu amigo Rodrigo Lopes, num almoço, me perguntou qual era a minha estratégia, e não tinha uma.
Foi nesse mesmo almoço que o Rodrigo me disse, com seu sotaque paulista: “meu, você já sabe vender, vai empreender com software, que é a área que você domina”. Esse conselho foi a fagulha para o principal fundamento: minha próxima empreitada tinha que ser um negócio num setor que eu domino.
Tecnologia é um setor que reúne várias boas características. Primeiro, que com tecnologia você consegue construir um negócio escalável. Isso significa ter a possibilidade de crescer o faturamento sem aumentar a quantidade de pessoas no time (diferente de muitos modelos de R$ 1M, por exemplo).
Segundo, que é um setor em que o mercado de M&A (fusões e aquisições de empresas) é super aquecido. Todo ano aparecem dezenas de notícias sobre empresas de tecnologia que foram vendidas para players estratégicos (sem contar as que não saem no jornal). Isso aumenta drasticamente as chances de eu conseguir vender minha empresa.
“Tá, mas vou usar tecnologia para fazer o quê?”
Outro setor que eu domino é o marketing digital. Operar por três anos a área de marketing e vendas da DevPro me fez conhecer profundamente o mercado. Durante esses anos eu construí um know-how e um networking relevante nesse mercado (tanto que brotou, do nada, um investidor para o Tintim quando a gente tinha meses de vida).
Esse mercado de marketing digital tem outra característica muito importante: você está perto do dinheiro. Quanto mais perto do dinheiro eu estiver, ou seja, quanto maior for minha capacidade de fazer uma empresa faturar, mais eu posso cobrar por essa capacidade. Essa é uma decisão estratégica que impacta diretamente no ticket médio e na margem. Impacta também o valuation da minha empresa.
Riscos
Uma objeção óbvia a esse plano seria basear toda a premissa em construir e vender um negócio. Como disse antes, probabilisticamente falando, as chances de isso acontecer são muito baixas.
De fato, eu posso nunca conseguir vender minha parte do Tintim. Mas, se isso acontecer, eu não me importo. Pela parte de propósito, eu sou apaixonado pelo desafio de construir e escalar essa empresa. Primeiro que, se eu vender, quero vender pra alguém que tenha uma cultura alinhada com a nossa, e que continue esse legado. Se não vender, terei o maior prazer de seguir comandando o barco.
Pela parte financeira, as premissas do negócio são muito boas. É um negócio escalável, com margem e com recorrência. Matemática básica: se eu tiver um faturamento de R 15M por ano, com uma margem de 20%, estamos falando de R 3M de lucro por ano. Se eu colocar metade desse valor no bolso, estamos falando de colocar R$ 1,5M no bolso, todo ano (fora o salário de CEO). Nada mal, né? Ok, acabo caindo no caminho 1, que citei no começo do texto, mas isso é um problema bom para ser resolvido.
Mas, nem tudo são flores. O Tintim pode falir. Esse risco é real. As probabilidades de uma empresa falir são muito maiores do que uma empresa prosperar. Mas, se isso acontecer, sei que toda a trajetória que tive até aqui me desenvolveu absurdamente como profissional (e como pessoa), muito mais do que se eu estivesse num emprego tradicional. Devido a esse desenvolvimento e à minha trajetória, eu me tornaria uma pessoa altamente empregável.
Conclusão
Essa tese pode ter falhas? Sem dúvida tem. Eu não construí essa tese de forma deliberada, num final de semana. Ela foi sendo lapidada de forma empírica ao longo dos anos.
Por exemplo: O Tintim começou a ser idealizado em 2022, e eu só fui ler o livro do Charlie Munger em 2024. O vídeo do Bruno Faggion só foi lançado meses atrás. Muito da tese ainda não estava clara na minha cabeça, mas eu tinha boas intuições.
A interação com a realidade também é muito importante. A execução me trouxe muitos aprendizados. Tem muita coisa que eu sei hoje, e que eu não sabia há 4 anos, que eu só pude aprender porque eu estava no campo de batalha, executando. Tem alguns conhecimentos que só emergem da prática.
Some a isso, também, a minha alta capacidade de construir repertório. Eu leio diariamente há mais de 10 anos. Sempre que possível, eu passo meu sábado à noite assistindo a algum filme. Quando estou em deslocamento, coloco um fone no ouvido para ouvir podcasts e conhecer a história de outros empreendedores. Todo esse repertório me ajuda a calibrar essa minha intuição.
Essa é a primeira vez que documento essa tese. Talvez estivesse, inconscientemente, fugindo de fazer isso, por saber que ela ainda não está pronta. Mas, depois de escrever esse texto, ficou claro pra mim: ela nunca estará. Tem muita coisa que eu ainda não vivi, que eu ainda não aprendi, e que, por isso, não consta aqui. Essa tese seguirá sendo lapidada.
✉️ Esta foi mais uma edição da Newsletter do Moa.
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Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.
Portanto, se você se interessa por soft-skill, desenvolvimento pessoal, empreendedorismo e opiniões relativamente polêmicas, sugiro que você se inscreva para receber as próximas edições.
Fonte: https://bit.ly/4weALgV