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HTML, CSS e JavaScript não afundaram seu produto. Seu código é lindo, seu produto é uma merda.

Eu não sou dev. Construo produtos, e é exatamente por isso que vejo esse problema com tanta clareza.
Você escolhe a stack "certa". O código está limpo, testado, bem documentado, os commits são semânticos, o CI/CD tá rodando liso.
E o usuário abre o sistema, não entende nada, e fecha em 30 segundos.

O problema não é técnico. É de prioridade.

A cultura de desenvolvimento tem um vício sério: romantizou demais o "como é feito" e esqueceu completamente do "o que é feito" e pra quem é feito.

Virou status ter uma stack impressionante. Virou currículo usar o framework que saiu faz três meses. Virou símbolo de senioridade torcer o nariz pra HTML, CSS e JavaScript, como se dominar o box model e criar uma experiência fluida fosse coisa de dev júnior sem ambição.

Mas o usuário não sabe o que é um ORM. Ele não sabe a diferença entre REST e GraphQL. Ele não se importa se você usou Server Components ou não.

O que ele sabe é que o botão estava num lugar inesperado, que ele clicou três vezes sem nada acontecer, que o formulário limpou tudo depois de um erro de validação, que ele desistiu.

"Só funcionar" não é entregar valor

Eu quero que o usuário não precise de treinamento pra usar. Quero que ele chegue no fluxo certo sem pensar. Quero que quando ele errar, o sistema o ajude a corrigir sem punição. Quero que ele saia com a sensação de que o produto foi feito pensando nele.

Isso não é perfumaria. Isso é o produto.

Um restaurante onde a comida não tem gosto mas também não envenena tecnicamente cumpriu a função. Mas ninguém volta, ninguém indica, ninguém cria vínculo. É exatamente isso que acontece com produto que "só funciona".

Planejamento de fluxo não é opcional

A maioria dos times começa a codar antes de responder perguntas básicas:

  • Por onde o usuário entra?
  • O que ele quer fazer nos primeiros 30 segundos?
  • Onde ele pode travar?
  • O que acontece quando ele erra?
  • Como ele aprende a usar sem ler manual?

Essas perguntas não são de designer. São de quem constrói produto. E quando a equipe ignora isso, o retrabalho aparece, o suporte explode, o churn aumenta, e aí culpam o mercado, o usuário, ou a concorrência desleal.

Frontend virou o primo pobre da engenharia

E isso tem um custo real.

Quando a cultura do time trata frontend como "a parte chata", como "coisa que qualquer um faz", o que acontece? As decisões de UX ficam pra última hora. O fluxo de uso nunca é discutido em profundidade. A interface vira consequência do backend, em vez de ser o ponto de partida do design do sistema.

O usuário sente isso. Ele não sabe nomear, mas sente.

E a ironia: um frontend bem feito, com performance real, acessibilidade, estados de erro bem tratados, feedback visual preciso e fluxo pensado, é tecnicamente tão desafiador quanto qualquer sistema backend complexo.

O que eu aprendi construindo produto

Produto bom começa com empatia pelo usuário, não com escolha de stack.

A stack é meio, não fim. O fim é alguém conseguir fazer o que precisa, de forma simples, sem fricção, e sair com a sensação de que aquilo foi feito pra ele.

Quando essa ordem se inverte, quando a tecnologia vem antes da experiência, o resultado é um código impressionante dentro de um produto que ninguém quer usar.

E no mercado, quem decide se o seu produto sobrevive não é o seu tech lead. É o usuário que vai ou não vai voltar amanhã.

Isso é opinião de quem está do outro lado do balcão, observando o produto ser usado, não o código ser escrito. Se alguma parte cutucou, talvez valha a pena sentar e perguntar: o último projeto que entrei em produção, eu realmente pensei no usuário antes de pensar na stack?

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Concordo ! se o produto não resolve alguma coisa e só cria uma nova camada de complexidade, ele não serve para os dias atuais, se o seu produto não tem técnica poka yoke (a prova de erros para o usuário e NÃO para o seu código bonitinho..) ele não esta preparado para os usuários (idade <30) que pesquisam doenças no tik tok.

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Infelizmente, na grande maioria, por falta de habilidades sociais, ficam enclausurados com seus computadores em ambientes de baixa luz e seus fones de ouvido codando. Se tornaram muito bons na criação de seus códigos, excelentes produtores, com raciocínio lógico afiado, e ignoram que quem usa o produto na ponta da linha é um humano, não uma máquina que vai avaliar o código-fonte da aplicação.

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Eu acho que o X da questão é que escrever código é legal.
Desenvolver software é legal.

Tem bastante hype nesse sentido e quem tá nessa vibe acaba optando por ela e sempre colocando tomada de decisões gerênciais/marketing em segundo plano

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Obrigado! E você tocou num ponto importante. Escrever código é legal mesmo, não tem problema nenhum nisso. O problema aparece quando o prazer de escrever código vira o objetivo, e o usuário vira detalhe. Aí o produto sofre sem que ninguém no time consiga identificar exatamente onde foi que as prioridades se inverteram.

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Um dos exemplos mais gritantes disso são aqueles sites de serviços públicos, mas que são administrados por empresas privadas como Sabesp, Enel, Vivo. Normalmente estão com algum bug em um formulário que impede que eu peça um serviço ou a interface é extremamente confusa para eu, que sou programador, agora imagina para a velhinha de 70 anos que precisa pedir a segunda via da conta...

Já tive que editar o HTML do site usando o devtools para conseguir avançar uma etapa ao pedir um serviço, pois algum gênio desabilitou o campo do formulário que preciso preencher e o site valida esse campo para avançar no processo e com o campo desabilitado não conseguia preencher nada ali.

Nem passa pela cabeça dessas empresas a experiência do usuário, pois todos dependem deles, e não é que eles precisam captar novos usuários.

Pior que eles são os sites de serviço 100% públicos porque aí realmente eles deitam e rolam mesmo, em algumas situações simplesmente não dá para usar o site, pois o serviço está quebrado ou nem existe aquilo que você precisa fazer. Aí você liga e ninguém atende, aí manda um e-mail e ninguém responde, restando você ir pessoalmente para lá, perdendo seu tempo.