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IA vai substituir o desenvolvedor júnior ou vai criar mais espaço para ele?

A narrativa dominante é: IA vai eliminar vagas de júnior porque as tarefas básicas serão automatizadas. Discordo. Mas não pela razão que você espera.

O argumento da substituição

Júniores fazem tarefas repetitivas: CRUD, componentes simples, testes unitários básicos. LLMs fazem essas coisas bem. Logo, menos necessidade de júniores.

Isso tem lógica. Mas ignora algo importante.

O que júniores realmente entregam

Júniores não entregam código. Entregam capacidade futura.

A empresa contrata júnior para ter pleno em 2 anos e sênior em 4. O código que um júnior escreve hoje não é o produto. O dev que esse júnior vai se tornar é o produto.

Se IA automatiza o trabalho de júnior, você para de treinar plenos e seniores. Em 3 anos, você tem um time que não sabe mais fazer o que a IA faz por eles, sem ter capacidade de revisar o que ela produz.

O que vai mudar de verdade

O piso de entrada vai subir. Júnior que não sabe usar IA produtivamente vai competir com quem sabe. A diferença entre um júnior com IA e um júnior sem IA já é visível.

Mas não é substituição. É mudança do papel: de executor de tarefas para verificador e contextualizador das saídas da IA.

Vocês estão contratando júniores ainda? O que mudou no processo?

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Está certo. Não é possível eliminar os júniores porque isso criaria um buraco enorme no mercado.

Os júniores, na maioria dos lugares, sempre fizeram coisas que já eram para ter abstraído, generalizado, já deveria ter pronto e não ter que fazer de novo. Mas como boa parte do sêniores não sabem nada sobre isso (ou seja, só são sêniores no título do cargo, não é uma pessoa com experiência ampla), acabam repetindo as mesmas coisas que deveriam ter sido automatizadas.

Agora estão automatizando, mas do jeito errado, estão usando IA para isso, ou seja, continua quebrando DRY, refazendo coisas que já existiam mas agora de forma mais rápido, criando montes de linhas de código, cada vez mais, entregando rápido e criando uma enorme dívida técnica.

Estão mandando o júnior fazer o que fazia antes agora usando IA. Isso é mater o futuro do júnior. Mas muitas empresas só olham o que é palpável ali na hora, ela descartará o júnior que nunca chegará a pleno e procurar alguém no mercado.

Pela descrição, em geral, o que o júnior precisa entregar agora é o que o sênior entregava antes. Ou seja, a conta não fecha. Quem jogar esse trabalho para o júnior está esperando algo que ele não é capaz. Cada caso é um caso, mas em muitos casos pode não compensar.

S2


Farei algo que muitos pedem para aprender a programar corretamente, gratuitamente (não vendo nada, é retribuição na minha aposentadoria) (links aqui).

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O ponto sobre DRY com IA é real e pouco discutido. A velocidade de entrega aumentou mas boa parte das bases de código estão ficando maiores, não menores. E o que você descreve do sênior de título aparece aqui também: a pessoa que deveria reconhecer dívida técnica acumulada não tem o repertório pra identificar.

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E outro ponto: Júnior com IA e pouca supervisão gera danis reais pro projeto. Cria uma hola de neve de débitos técnicos e códigos de difícil manutenção. To tendo essa experiência principalmente com consultorias

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Ponto válido. Mas aí o problema não é o júnior com IA, é a falta de revisão de código. Sem PR review sério, sem sênior olhando o que sobe, qualquer dev gera dívida, com ou sem IA. A IA acelera tudo: tanto a entrega de código útil quanto a de lixo. O que muda o resultado é o processo ao redor, não a ferramenta. Em consultoria fica mais crítico porque o incentivo é velocidade de entrega, não qualidade do que fica.

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