Primeira campanha real criada por alguém que não era eu
Tem marcos técnicos num projeto: primeiro deploy, primeira query, primeiro bug em produção.
Tem um marco diferente que ninguém fala: a primeira vez que alguém que não é você usa o produto de verdade.
No BloodLink esse momento aconteceu algumas semanas depois do lançamento. Uma campanha apareceu no sistema com nome de hospital real, tipo sanguíneo real, urgência marcada como alta.
Não era eu testando.
O que senti
A primeira reação foi verificar se estava tudo funcionando. A campanha tinha sido criada corretamente, as notificações estavam ativas, a imagem de compartilhamento tinha gerado.
Depois veio uma sensação estranha. O sistema que eu tinha construído estava sendo usado para tentar salvar alguém. Não era abstrato mais.
O que mudou depois disso
A forma como eu penso sobre bugs. Antes era "isso quebrou, vou corrigir". Depois virou "isso quebrou e alguém pode estar dependendo disso agora".
Também mudou como eu priorizo features. Coisas que melhoram o fluxo principal subiram na lista. Coisas que são interessantes mas não impactam quem está com urgência real ficaram para depois.
Por que estou documentando isso
Porque acho que quem constrói produtos deveria lembrar desse momento. É fácil ficar focado em métricas, em tráfego, em código. O produto existe para resolver um problema de uma pessoa real. Essa pessoa apareceu.
Ps.: Desenvolvo o BloodLink — plataforma gratuita que conecta doadores de sangue a campanhas de doação. Se quiser conhecer, vale a visita.