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Pitch: Como uma agenda de papel e grupos de WhatsApp nos levaram a criar uma TravelTech para gestão de excursões

Há pouco mais de um ano, eu não estava procurando criar uma startup de turismo.

Como desenvolvedor e analista de sistemas, sempre gostei de resolver problemas reais usando tecnologia. E foi justamente observando a operação de uma empresa de excursões que encontrei um problema que parecia pequeno à primeira vista, mas que escondia uma complexidade enorme.

A empresa organizava viagens para dezenas ou centenas de passageiros.

E praticamente toda a operação era conduzida utilizando:

  • agendas de papel;
  • planilhas;
  • grupos de WhatsApp;
  • anotações dispersas;
  • documentos compartilhados;
  • conhecimento que existia apenas na cabeça de algumas pessoas.

A operação funcionava.

Mas ela funcionava até certo ponto.

Conforme o negócio crescia, começaram a surgir problemas que provavelmente muita gente aqui já viu em outros setores:

  • informações duplicadas;
  • dificuldade de encontrar dados antigos;
  • erros operacionais;
  • retrabalho;
  • dependência excessiva de pessoas específicas;
  • dificuldade para treinar novos colaboradores;
  • pouca visibilidade do negócio;
  • baixa capacidade de escalar.

Foi nesse momento que nasceu a ideia da Viagilize.

O que aprendemos antes de escrever uma linha de código

Meu primeiro instinto, como desenvolvedor, foi pensar na solução.

Mas rapidamente percebi que eu ainda não entendia o problema.

Passei muito mais tempo observando a operação do que programando.

  • Como as excursões eram vendidas?
  • Como os passageiros eram organizados?
  • Como eram feitos os pagamentos?
  • Como os guias trabalhavam?
  • Como os documentos circulavam?
  • Quais informações eram realmente importantes?

Descobri algo que às vezes esquecemos na área de tecnologia:

As pessoas não compram software. Elas compram menos problemas.

E muitos dos processos que pareciam "errados" existiam porque, em algum momento, foram a melhor solução disponível.

O desafio de digitalizar um negócio tradicional

Criar um sistema para excursões parece simples.

Até você perceber que uma única viagem pode envolver:

  • passageiros;
  • responsáveis;
  • pagamentos parcelados;
  • documentos;
  • ônibus;
  • motoristas;
  • guias;
  • pontos de embarque;
  • contratos;
  • fornecedores;
  • comunicação constante com clientes.

Não era apenas um CRUD de viagens.

Era a digitalização de um processo operacional inteiro.

E digitalizar não significa pegar um formulário de papel e transformá-lo em uma tela.

Significa repensar o processo inteiro.

Algumas decisões técnicas

Desde o início, decidimos construir a plataforma como um SaaS multi-tenant.

A ideia era permitir que diferentes agências e operadores de turismo pudessem utilizar a mesma plataforma mantendo isolamento de dados e uma infraestrutura que pudesse crescer de forma sustentável.

A stack atual utiliza:

  • PHP e Laravel;
  • PostgreSQL;
  • processamento assíncrono através de filas;
  • serviços de armazenamento e comunicação em nuvem;
  • arquitetura preparada para expansão gradual.

Mas, sinceramente, nenhuma dessas decisões foi a mais difícil.

O mais difícil foi traduzir anos de processos informais para uma experiência digital simples.

O maior aprendizado até agora

A tecnologia raramente é o gargalo.

O gargalo geralmente está em entender profundamente como as pessoas trabalham.

Hoje eu tenho uma convicção ainda maior:

Existem setores inteiros da economia brasileira que continuam extremamente dependentes de papel, planilhas e processos manuais.

Não porque não existam desenvolvedores capazes.

Mas porque falta gente disposta a sentar ao lado do usuário, observar a operação e entender as dores antes de abrir o editor de código.

Acredito que existe uma enorme oportunidade em digitalizar setores considerados "tradicionais".

E talvez as melhores ideias de software ainda estejam justamente nesses lugares.

Um resultado inesperado

Essa jornada de construção entre a startup e uma operadora de turismo acabou gerando algo que eu nunca imaginei quando comecei.

A experiência se transformou em um estudo de caso sobre colaboração entre uma startup e uma empresa tradicional e foi aprovada para apresentação no 5º Congresso Latino-Americano de Casos de Open Innovation.

Mas, mais importante que qualquer reconhecimento, foi a validação de uma ideia que levo comigo desde o início:

Às vezes a inovação não nasce de uma tecnologia revolucionária. Ela nasce quando alguém decide olhar para um problema antigo com atenção suficiente para entendê-lo de verdade.


Gostaria de ouvir de vocês:

Quem aqui já encontrou oportunidades de produto em setores extremamente tradicionais? E qual foi o maior desafio para transformar processos manuais em software?

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Meus 2 cents,

Parabens pela iniciativa !

Eh sempre interessante acompanhar projetos reais usando tecnologia para resolver problemas reais.

Como voce bem apontou - a capacidade de sentar e entender a operacao antes de imaginar a solucao tecnologica em si eh um diferencial em qualquer startup.

Obrigado por compartilhar !

Saude e Sucesso !


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