Pitch: Como construí o Rota.tech para conectar direção, aprendizado e prática em tecnologia
Nos últimos meses venho desenvolvendo o Rota.tech, um projeto que nasceu de um problema que eu via com frequência em quem começa ou tenta evoluir na área de tecnologia.
Conteúdo não falta.
O que muitas vezes falta é uma sequência mais clara entre perguntas como:
- Qual área faz sentido para mim?
- O que devo aprender agora?
- Como organizo esse aprendizado?
- O que posso construir para realmente praticar?
Foi a partir disso que comecei a desenvolver o Rota.tech.
A ideia do produto
Em vez de criar uma ferramenta para resolver apenas uma dessas perguntas, tentei conectar diferentes momentos da jornada.
Hoje a plataforma está em produção e reúne quatro frentes:
- Explorar áreas, para entender melhor diferentes caminhos em tecnologia;
- teste vocacional tech, com uma recomendação personalizada de área;
- roadmaps, para organizar o aprendizado em uma sequência progressiva;
- laboratório de projetos, para transformar tecnologias e interesses em uma proposta mais estruturada para desenvolver.
A ideia central não é tomar decisões pelo usuário, mas diminuir a quantidade de decisões soltas que ele precisa organizar sozinho.
Onde a IA realmente entra
Uma decisão importante durante o desenvolvimento foi não colocar IA em tudo simplesmente porque o produto trabalha com IA.
Existem partes em que conteúdo estruturado e editorial resolve melhor o problema. Explorar áreas, por exemplo, não precisa gerar uma resposta diferente a cada acesso.
Já no teste vocacional, nos roadmaps e nos projetos, o contexto de cada usuário muda bastante. É nesses pontos que a personalização passa a fazer mais sentido.
No backend, as respostas da IA não são aceitas diretamente como resultado final. Elas passam por validação estrutural antes de serem persistidas ou utilizadas pelo restante do fluxo.
Também tentei evitar que erros da IA virassem punição para o usuário. Se uma geração falhar ou retornar algo inválido, ela não deve consumir o limite disponível.
Como está sendo construído
O frontend foi desenvolvido com Next.js, React e TypeScript.
No backend estou usando Java com Spring Boot, seguindo uma organização modular por domínio. Hoje existem módulos separados para identidade, teste vocacional, roadmaps e projetos, além da infraestrutura compartilhada.
A persistência usa PostgreSQL, e a integração com IA é feita por Spring AI.
Nos fluxos em que faz sentido revisar o resultado antes de salvar, como roadmaps e projetos, utilizo previews temporárias. O usuário gera primeiro, visualiza o resultado e confirma antes da persistência definitiva.
Essa separação acabou sendo importante para não misturar três estados diferentes:
- o que o usuário pediu;
- o que a IA gerou;
- o que realmente foi confirmado e salvo.
Algumas coisas que aprendi construindo
Uma delas foi perceber que adicionar funcionalidades é mais fácil do que manter uma jornada coerente.
Teste vocacional, roadmap e gerador de projetos poderiam existir como três produtos completamente separados. O desafio maior foi fazer o resultado de cada parte parecer um próximo passo natural, e não apenas mais uma ferramenta dentro do site.
Outra foi tratar IA como uma dependência que pode falhar.
Timeout, resposta inválida ou indisponibilidade não podem deixar estado inconsistente no banco nem consumir uma geração que o usuário não recebeu. Isso me fez prestar bastante atenção em validação, persistência e em que momento cada limite é efetivamente consumido.
E talvez a principal decisão de produto tenha sido uma pergunta que continuo usando durante o desenvolvimento:
“Isso simplifica a jornada do usuário?”
Se uma funcionalidade aumenta o número de escolhas ou exige mais explicação do que o problema que resolve, provavelmente ainda não está boa.
Onde o projeto está agora
O Rota.tech já está disponível publicamente e continuo ajustando o produto a partir do uso e dos feedbacks que recebo.
Ainda existem várias possibilidades de evolução, mas estou tentando evitar decidir antecipadamente tudo o que a plataforma pode se tornar. Quero entender primeiro quais partes realmente ajudam as pessoas e onde ainda existe atrito.
Para quem quiser conhecer o produto e principalmente apontar o que faria diferente:
Tenho bastante interesse em ouvir opiniões sobre a ideia de conectar direção → aprendizado → prática em uma mesma experiência, tanto do ponto de vista de produto quanto técnico.