Comecei a programar em papel de caderno (1993). Hoje, sou Vibe-coder com orgulho.
O ano era 1993. Um ano antes de perdermos o ídolo Ayrton Senna. Eu tinha 12 anos e uma vontade absurda de entender como as máquinas funcionavam, mas não tinha um computador.
Meu irmão trabalhava em um banco e trazia livros de Clipper para casa. Eu devorava as páginas, escrevia o código em folhas de caderno e entregava para ele levar ao trabalho. No dia seguinte, ele trazia o código digitado e um "print" da tela para eu ver se tinha funcionado.
Tudo era MS-DOS. O "compilar" levava uma eternidade na minha imaginação antes de ver o resultado físico.
Aos 14, o primeiro computador chegou em casa e selou meu destino: eu seria programador pelo resto da vida. De lá para cá, passei por todas as modas e revoluções:
- Pascal/Delphi: Onde a mágica das interfaces começou.
- FoxPro / Visual Basic: A era dos sistemas comerciais parrudos.
- C / C++: Onde aprendi o que era memória de verdade.
- Classic ASP / PHP: Vi a Web deixar de ser estática e virar o mundo (2003+).
- Java: O império do Enterprise.
- Javascript: Quando a Web se tornou onipresente.
- Java / Objective-C / Swift: A corrida do ouro do Android e iOS.
- Dart/Flutter: A busca pela eficiência multiplataforma.
O dia que eu sabia que chegaria
Sempre soube que a programação teria um ponto de inflexão. O momento em que não precisaríamos mais "datilografar" instruções, mas sim orientar a inteligência.
Hoje vejo uma geração de jovens apaixonados por "escrever código". Gastam horas discutindo indentação, se o ponto e vírgula deve estar ali ou aqui, ou se o framework X é 0.001ms mais rápido que o Y. Sinceramente? Isso me parece o novo "escrever em papel de caderno", só que com uma tela na frente.
Eu cansei de ser um dicionário de sintaxe ambulante. Hoje, eu sou um Vibe-coder.
Eu não digito mais cada caractere. Eu não coloco mais cada função no lugar. Isso seria burrice da minha parte após 30 anos de estrada. Hoje, eu escrevo de forma cognitiva. Meu "prompt" é menos técnico e mais estratégico. A escrita mudou, mas o resultado? O resultado é o mesmo que eu buscava em 1993, só que 100x mais rápido.
A prova real: Gefrei
Muitos dizem que "IA só cospe código lixo" ou que "não dá para fazer algo profissional assim".
Eu acabei de finalizar minha última criação: o Gefrei. Ele foi feito totalmente nesse novo formato. 100% com IA. Eu não precisei escrever uma única linha de código sequer "na mão", mas obtive exatamente o que eu queria: qualidade, performance e profissionalismo.
Para quem acha que é impossível ou que a IA "ainda não chegou lá", deixo o convite para conhecerem e tentarem encontrar as "falhas":
A tecnologia mudou, mas a essência continua sendo resolver problemas. A diferença é que agora, eu finalmente parei de lutar contra a sintaxe e comecei a focar na solução.