A cisão do Front-end
Uma discussão sobre a Grande Divisão
Mesmo pra quem é novato na área de TI já deve ter ouvido falar que umas das poucas certeza que temos é que Tudo muda o tempo todo, só que o que ninguém fala é que, às vezes, isso dói um pouco também.
Um breve contexto
Quando comecei a mexer com esse negócio de front-end, ainda existia o papel do famigerado web master, o famoso faz tudo. As tecnologias da época eram bem mais limitadas e com isso era bem comum esse papel dentro das empresas, uma pessoa responsável desde a concepção do site até a total implementação dele.
Com o passar do tempo e a evolução da web, a necessidade de se dividir a parte técnica da parte artística foi se tornando cada vez mais inevitável. A partir daí a parte de web designer foi crescendo e se subdividindo e a parte técnica se dividiu entre front-end e back-end
Nesse ponto, parecia que a paz entre os mundos tinha chegado, tinha na empresa o povo do back e o pessoal do html (quem nunca escutou um "recorta esse PSD ai pra mim" ou "Dá pra fazer isso com jQuery?"). Mas com o passar dos anos, alguma coisa pareceu que saiu fora do lugar.
Peso das tecnologias
Considerando os três pilares de front-end: HTML, CSS e Javascript, verdade seja dita, com o passar do tempo o JS foi ficando cada vez mais massivo. Hoje em dia inclusive, não é difícil ver desenvolvedores que manjam o básico de HTML, tem conhecimento rudimentar em CSS, mas por ter um conhecimento avançado em JS acabam por se destacar e se tornarem sênior ou especialistas. Mas será que o JS realmente é mais importante que os outros alicerces? E eu que gostava muito mais de CSS do que de JS, como deveria me posicionar pra não ser engolido pelo mercado?
Em meiados de 2018 me deparei com um artigo do tabeless que trouxe um desconforto pra mim e que plantou uma sementinha na minha mente que até hoje dá frutos.
Logo depois em 2019 o CSS Tricks publicou um outro artigo que dava ainda mais quorum para a discussão do cenário de desenvolvimento front-end
Isso me trouxe uma clareza sobre o porquê eu estava me sentindo incomodado e sentia que estava 'ficando para trás'. Não é que o JS é mais importante, mas ele é umas das principais partes de um outro tipo de perfil de desenvolvedor front-end. E foi aí que eu senti a Grande Divisão na pele.
Percebi que existem realmente dois perfis de desenvolvedores que, por mais que compartilhem algumas tecnologias, são dois mundos a parte que vão crescendo e evoluindo. Encaixar esses dois mundos dentro do título "desenvolvedor front-end" é ruim pra todo mundo.
Profissionais distintos
Imagina que você é cabuloso em acessibilidade, HTML, CSS, Motion, UX e semântica, se te passarem uma demanda para configurar um webpack, você, além de não conseguir performar do mesmo jeito, se sentirá frustrado por fazer um trabalho que não encaixa nas suas aptidões.
Isso é ruim pra você, para o time, para o RH, para a empresa. Todo mundo sai perdendo quando a peça não se encaixa.
Lembro que na época, tentei levantar a discussão com meus líderes, gerentes, colegas de trabalho, mas foi um trabalho meio em vão. Acho que por aqui no Brasil essa divisão ainda não estava tão clara e fui sumariamente ignorado (kkkkkrying) e dessa forma fui me especializando no tipo de front-end que o mercado regional estava pedindo. Me frustrando a cada nova linha de JS que eu tinha que criar.
Até que, durante um trabalho em uma aplicação, tive a oportunidade de criar uma microinteração em um dos botões de 'Like' de uma listagem. Pode parecer bobo, mas durante aquelas 2 horas criando aquela animaçãozinha de like, toda essa urgência e vontade de trabalhar com a parte mais artística do front-end surgiu novamente.
E pra minha surpresa, a discussão sobre a divisão na área ainda estava ocorrendo. Li um artigo ótimo da DPW agora no finalzinho de 2022 que reacendeu em mim a chama para tentar novamente levantar essa discussão, tanto na empresa quanto com os profissionais com quem trabalho.
O que antes era chamado de "front do front" e "back do front", agora já me parece que está se consolidando nomenclaturas diferentes para esses perfis, Front-end Designer e Front-end Engineer.

Saber disso e entender que realmente essa divisão é real, traz uma luz de esperança na minha carreira como desenvolvedor. Queria saber de vocês, se também já se sentiram dessa forma, se já passaram por coisa parecida e se acha que essa Grande Divisão é algo que virá para o campo nacional ou se só fica num contexto mais teórico ou apenas na gringa.
Valeu ^^