Tenho amigo que trabalha a mais de 20 anos no ramo de editora(das grandes, conglomerado) disse que o mercado brasileiro nunca esteve tão bem quanto hoje, e para livros físicos, o digital empacou, chegou no pico. A situação atual não foi um boom recente, foi crescimento gradual desde a pandemia, mas mesmo assim não estava ruim antes dela.
As métricas de Brasil eterna terra desolada da leitura aparecem quando se adiciona a comparação com outros países, daí vemos exacerbada a perda de potencial comercial e cultural. Como somos um país muito grande em território e população, com diferenças socio-econômicas muito grandes, as médias das métricas acabam sendo ruins.
Outro ponto a considerar é que "antigamente" a forma mais prática e econômica de mídia era a impressa, então tinha revista e jornal de muitos assuntos(carros, motos, decoração, moda, praticamente qualquer coisa), isso migrou pras redes sociais e vídeo online, todo tipo de assunto aleatório que você acha nas redes, existia alguma publicação impressa. MAS o negócio vendável nesses casos é informação sobre o tema, e a forma impressa era apenas a mais adequada no momento. Já literatura(incluo aí ficção e não-ficção) é uma coisa diferente, o formato em texto/livro é essencial, não substituível(veja o vídeo de Carl Sagan sobre livros). E foi esse conteúdo que teve bastante crescimento.
Uma coisa que mudou bastante foi a qualidade técnica geral dos livros. Antes da internet existia muita diferença de qualidade por conta dos requisitos de negócio, tinha uns livrinhos de bolso vendidos em banca de jornal que simplesmente se desfaziam em alguns meses, mas custavam muito barato e vendiam muito, ao mesmo tempo poderia publicações com qualidade maior, mas eram raras. A editora Abril se utilizava de um parque industrial gigante para publicar com qualidade boa(não ótima) em grandes volumes, e as editoras focadas em literatura se viravam pra equilibrar qualidade e preço. Atualmente existe uma variação menor, mas a média é boa para alta, também por conta das melhorias trazidas pela informática e equipamentos mais baratos.
Último ponto relevante: o Brasil tem um sério problema na parte de suprimentos, pois existe um virtual monopólio na produção de papel, ou seja, poderiamos ter livros mais acessíveis.