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Spec-Driven Development: o que vem depois do vibe coding

Semana passada eu escrevi sobre como o vibe coding "morreu" segundo o próprio Karpathy. O novo nome é "agentic engineering", e a ideia é que a IA não é mais só um assistente, é um agente que executa tarefas completas.

Beleza. Mas na prática, o que muda pra quem tá construindo um app com Cursor ou Lovable?

A resposta tá num conceito que ganhou força essa semana: Spec-Driven Development.

O problema do "prompt and pray"

Se você já tentou criar algo além de um protótipo simples com IA, provavelmente bateu nesse muro:

  • Nas primeiras horas, tudo funciona. A IA gera telas, lógica, até banco de dados.
  • Na segunda semana, começa a ficar estranho. Você pede uma mudança e outra coisa quebra.
  • No terceiro mês, o projeto tá num ponto onde a IA não consegue mais acompanhar. O código cresceu demais, ninguém sabe por que certas decisões foram tomadas, e cada ajuste gera dois bugs novos.

Isso tem um nome agora: a parede dos 3 meses.

Um desenvolvedor descreveu assim: "A IA ainda é burra. Ela conserta uma coisa e destrói outras 10."

O problema não é a IA. É a falta de especificação. Quando você só descreve o que quer por vibes, sem documentar regras, limites e decisões, o código vira uma caixa preta. Nem você nem a IA sabem por que algo funciona daquele jeito.

O que é Spec-Driven Development

A ideia é simples: antes de pedir pra IA escrever código, escreva o que você quer que aconteça.

Não é programar. É documentar. Em linguagem normal.

Em vez de digitar "cria uma página de login", você escreve algo como:

Spec: Login

  • Campos: email e senha
  • Validação: email válido, senha mínimo 8 caracteres
  • Erro: mostrar mensagem vermelha abaixo do campo
  • Sucesso: redirecionar para /dashboard
  • Segurança: bloquear conta após 5 tentativas erradas

A diferença parece sutil, mas é enorme. Quando a IA tem uma especificação clara, ela gera código consistente. Quando você muda algo, a spec é o ponto de referência. Quando algo quebra, você sabe exatamente o que deveria estar funcionando.

Por que isso importa pra quem não programa

Se você é empreendedor usando Cursor ou Lovable pra criar seu produto, spec-driven development resolve o maior problema que você vai enfrentar: manutenção.

Criar é a parte fácil. Manter funcionando ao longo do tempo é onde 80% dos projetos morrem.

Com specs:

  • Você tem um mapa. Quando a IA gera algo errado, você sabe comparar com o que deveria ser.
  • Outras pessoas conseguem ajudar. Se você precisar contratar um dev depois, ele entende o que foi feito sem ler 10 mil linhas de código.
  • A IA fica mais inteligente. Modelos como o Claude e GPT geram código muito melhor quando recebem specs claras em vez de prompts vagos.

Ferramentas que já existem

O mercado já respondeu:

  • GitHub Spec Kit: toolkit open-source pra criar specs, planos e tasks dentro do seu repositório
  • Amazon Kiro: IDE da Amazon focada em spec-driven (anunciada fev/2026)
  • BMAD Method / GSD: frameworks prontos que você pode usar hoje com qualquer ferramenta

O Cursor, por exemplo, já tem suporte a arquivos de contexto (.cursorrules, docs de projeto). Usar specs é uma extensão natural disso.

O caminho do meio

Não precisa abandonar vibe coding completamente. A melhor abordagem é híbrida:

  1. Vibe coding pra explorar ideias rápido, testar conceitos, prototipar
  2. Specs pra qualquer coisa que vai pra produção, que precisa de manutenção, que envolve segurança ou dados sensíveis

É como construir uma casa: você pode improvisar uma maquete. Mas quando vai construir de verdade, precisa de planta.

O que fazer agora

Se você tá usando Cursor ou Lovable pra construir algo sério:

  1. Pare 30 minutos antes do próximo prompt e escreva o que você quer que o sistema faça
  2. Documente as regras (o que pode e não pode acontecer)
  3. Salve as specs junto com o código (no mesmo repositório)
  4. Use as specs como prompt em vez de descrever tudo de cabeça toda vez

Não precisa ser perfeito. Uma spec simples já é infinitamente melhor que nenhuma.

A IA tá ficando mais inteligente todo dia. Mas inteligência sem direção é desperdício. Spec-driven development é a direção.


Fontes: Red Hat Developer (17/02), The New Stack (19/02), Built In, GitHub Spec Kit

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Novos tempos!
Se não pode vencê-la, junte-se a ela...
...e prepara o bolso.

Eu imagino que este ano as vagas de emprego pra DEV já comecem a incluir requisitos como experiência em spec driven dev, agentes tal, vibe engineering, confecção de skills stylecode, context engineering...

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Haha, é exatamente isso. A ironia é que preparar o bolso pode ser o menor problema. O desafio real vai ser que os SDs que aprenderem a trabalhar com agentes vão rodar cirando software com 1/3 do custo atual. Ai o mercado vai ter que se adaptar.

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Eu ja escrevi a pouco tempo aqui sobre o tal sdd. É a maior balela que existe. È o "bom" e velho waterfall com auto conplete e nada além disso... É melhor ter specs do que não ter, isso é fato. Mas specs não são bala de pratas, documentaçao de qualidade sempre foi e sempre vai ser pre-requisito para codigo de qualidade. Com a ia o gap diminiu muito, uma vez que o codigo pode ser gerado a partir da documentacao, mas o grande desafio é manter codigo e docuemntacao sincronizados e sdd do jeito que sendo proposto nao resolve isso..

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Cara, eu pensava dessa forma. Mas depois descobri que não é waterfall, porque as specs são criadas de forma iterativa e incremental. Quem na verdade está escrevendo as specs é o agente de IA. Tu vai fornecendo as informações e descrições do produto via prompt (vibe engineering) e o agente é que vai preenchendo as specs. Às vezes uma descrição ou uma frase dita no prompt pode desencadear alteração em 2 ou mais arquivos .md de specs.

A qualquer momento você pode acionar o comando /implement e ter o produto gerado. Pode fazer isso várias vezes por dia, para validar e testar. Se não estiver ok, ajusta as specs; mas tudo via prompt. O workflow que eu tenho usado é bem semelhante ao ciclo de PDCA; praticamente igual.

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Esse ciclo que você descreveu — prompt → spec → implement → validar → ajustar — é exatamente o que diferencia do waterfall. No waterfall você define tudo antes e implementa uma vez. No SDD com agente, você implementa várias vezes por dia e as specs evoluem junto com o produto. O agente escrevendo os specs é um detalhe que muita gente não percebe: não é o dev que tem que sentar e escrever markdown — é o agente que faz isso baseado nas suas descrições. O dev só valida e ajusta.

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Eu também tinha uma desconfiança, mas estou usando para telas em um sistema e está ficando top. Sou mais forte no back do que no front. Com isso muda tudo. Entao quem nao aderir, vai ficar para trás.

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Essa é exatamente a virada de chave. Quem usa IA como ferramenta de produtividade no que já sabe — fica exponencialmente mais forte. Quem espera a IA resolver o que não entende — bate na parede. Parece que você tá no primeiro grupo.

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Concordo com a crítica principal: manter código e documentação sincronizados é o problema real, e SDD no formato atual não resolve isso de forma automática.

O que muda com os agentes é que, pela primeira vez, dá pra tentar automatizar essa sincronização. O agente lê a spec, gera o código, e pode atualizar a spec quando o código muda. É um loop que antes seria puramente manual.

Vou ler o que você escreveu sobre isso aqui. Qual é o slug do post?

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Acho que assim como o VSCode e a metodologia ágil adaptada, cada vez mais o mercado vai experimentar colocar ferramentas de IA(como o Cursor) e metodologias nessa pegada ao nosso workflow de trabalho.

Bom ou ruim? Se pagar a conta, é só um trabalho...
Agora quem gosta de código, por lazer não sei se usaria

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Exatamente esse o movimento. Ágil não matou engenharia de software, só mudou o workflow. Ferramentas de IA devem seguir o mesmo caminho.

Sobre quem gosta de código por lazer: acho que esse público vai usar IA pra eliminar o trabalho chato e focar no que acha interessante. Tipo, ninguém vai largar o que gosta. Mas o que é considerado "trabalho de dev" vai mudar bastante.

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kkkkk promptar e rezar, eu não sei debuggar, a galera anda fazendo tudo na vibe sem ao menos estudar o básico ou entender os fundamentos, por isso que ao adicionar uma coisa acaba quebrando outras 10, e pra usar o spec uma boa base é importante, curti teu post

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Você tocou no ponto central: vibe coding sem fundamentos vira um ciclo de consertar uma coisa quebrando dez. O spec ajuda justamente a sair desse loop — em vez de ir no modo tentativa-e-erro, você força a pensar no que quer antes de pedir. Mas concordo: sem entender o básico de como o código funciona, nem spec ajuda muito. É como ter um mapa num país cuja língua você não lê.

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sim mano, ou seja, nao tem pra onde correr, tem q estudar mesmo, eu acho que a facilidade veio com certeza, mas isso nao significa que temos que parar de estudar, ate onde eu enxergo alguns que estao usando assim de forma deliberada deixando os estudos de lado, vai acabar retrocedendo ou estagnando na carreira mano, é um dilema né, pq a nova leva de programadores que vao ser formados agora, somado as novas geraçoes com habitos especificos delas, tendem a seguir pra um rumo que sinceramente não faço ideia se vai ou nao vai ser bom, nao quero atacar ninguem, vou manter a duvida que acho q eh melhor...

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Exato, e o mais ironico e que a IA torna o estudo MAIS valioso, nao menos. Quem entende fundamentos consegue usar a IA como multiplicador. Quem nao entende fica preso no ciclo de copiar-colar-rezar.

Sobre a nova geracao: acho que vai ter uma separacao natural. Vai ter gente que usa IA como atalho pra nao aprender (e vai estagnar como voce disse), e vai ter gente que usa IA pra aprender mais rapido (tipo pedir pro Claude explicar um conceito enquanto implementa). O segundo grupo vai dominar.

A duvida que voce levanta e honesta. Ninguem sabe como isso vai se desenrolar. Mas historicamente, toda ferramenta nova que "facilitou" programacao (frameworks, libraries, no-code) criou mais demanda por quem entende o que ta por baixo. Acho que com IA nao vai ser diferente.