Vibe coding vai acabar como o maker movement?
Uma pergunta estava circulando pelo Hacker News essa semana com quase 400 pontos:
"Will vibe coding end like the maker movement?"
É uma analogia que incomoda porque faz sentido na superfície.
O que aconteceu com o maker movement
Em 2012, a Wired declarou que o movimento maker ia mudar o mundo. Arduino custava 30. Impressoras 3D estavam chegando a 500. Cortadoras laser estavam se tornando acessíveis. A narrativa era clara: qualquer pessoa poderia criar produtos físicos. A nova revolução industrial seria distribuída.
O que aconteceu na prática? O movimento maker cresceu, mas ficou restrito a um nicho. Hoje temos comunidades ativas de makers, Faberspaces em várias cidades, projetos incríveis. Mas a promessa de "qualquer pessoa pode fabricar qualquer coisa" não se concretizou em escala.
Por quê? Porque as barreiras físicas não desapareceram. Mesmo com impressoras 3D baratas, você ainda precisa entender CAD, resistência de materiais, acabamento superficial. A ferramenta ficou acessível. O conhecimento necessário para usá-la bem, não.
Por que vibe coding é diferente
A barreira do maker movement é física: matéria-prima, precisão mecânica, acabamento. Você imprime algo errado e tem um objeto inútil na mão. A falha é imediata e concreta.
Software não tem barreira física. Um app que funciona 80% do tempo ainda entrega valor. Você consegue mostrar para um cliente. Você consegue cobrar por ele. Você consegue iterar.
Além disso, a curva de aprendizado é diferente. Aprender CAD para impressora 3D leva semanas. Aprender a fazer um prompt claro para uma IA leva horas. A distância entre "entendi o conceito" e "consigo usar" é muito menor.
Onde a analogia tem razão
O ponto válido da comparação é esse: maker movement não falhou. Ele apenas não democratizou tanto quanto prometia.
Vibe coding provavelmente vai seguir o mesmo caminho: crescer, solidificar, e ficar com um público maior do que os makers tiveram, mas menor do que o hype de "qualquer pessoa pode criar qualquer software" sugere.
Por quê? Porque nem toda dificuldade no desenvolvimento de software desaparece com a IA.
Definir o que você quer construir ainda exige clareza de pensamento. Saber quando o app está bom o suficiente ainda exige julgamento. Integrar pagamento, autenticação e deploy ainda exige entender que essas partes existem.
A IA executa bem. Mas a pessoa ainda precisa saber o que pedir.
A questão mais importante
O maker movement ficou com hobbyistas e entusiastas. Mas criou um mercado real de ferramentas (Prusa, Bambu Lab), comunidades (Instructables, YouTube), e carreiras (design de produto, prototipagem rápida).
Vibe coding vai criar o mesmo. Um mercado de ferramentas. Comunidades em torno de padrões e melhores práticas. E um novo tipo de profissional: não o dev tradicional, mas alguém que sabe direcionar IA para resolver problemas reais de negócio.
A democratização não vai ser total. Nunca é. Mas vai ser real o suficiente para criar oportunidade para quem souber aproveitar.
A pergunta não é "vibe coding vai acabar?" A pergunta é: quando o hype baixar e ficar só o que é útil de verdade, você vai estar do lado certo?