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Software "inchado" - Você não deveria ser limitado pelo hardware dos seus dispositivos.

Um Pouco Sobre Meu Contexto

Assim como grande parte da população brasileira, minha pessoa veio de origem humilde, não sendo herdeiro de fortunas ou de alguma empresa. Dito isso, ao longo da minha vida, todos os dispositivos computadorizados (celular, notebook, etc) que tive foram no máximo medíocres.

Eu poderia abordar sobre o meu celular antigo, mas ele não tem uma relevância tão grande para esse texto quanto outros 2 aparelhos que usei durante um bom tempo: um tablet que foi disponibilizado PELO GOVERNO (já vê o nível) e um notebook de MAIS DE UMA DÉCADA, pego de segunda mão.

O Notebook

Esse queridinho é um verdadeiro guerreiro que já passou por muita coisa e viu DE TUDO. Inicialmente ele possuia aquele Win 8.1 que ninguém gostava, mas isso foi há dez mil anos atrás.

Avançando um pouco no tempo, ele tinha o Win 10, e meu DEUS, que sofrimento era fazer qualquer coisa funcionar nele sem travar ou demorar. Vale mencionar que o notebook ainda era pior, pois ao invés de SSD possuia um HDD, e ao invés dos míseros 4GB de RAM, eram 2GB, D-O-I-S de RAM. E um Intel Celeron de 2ª geração, ô coitado.

Durante um longo período eu insisti no Ruindows, realizando tudo quanto é tipo de procedimento pra matar os serviços infelizes da Microslop e qualquer coisa irrelevante/inútil que consumisse RAM ou processamento.

Até que não era mais possível prosseguir, nada que eu fazia adiantava mais. Tomei coragem e dei um salto de fé para o Linux, decisão essa que foi a MELHOR que eu poderia ter feito pra salvar meu computador e gerar em mim um espírito de resiliência de hardware baseada em software leve, otimizado e tendo APENAS o necessário.

O Tablet

Como meu celular antigo estava quase que literalmente desintegrando, depois de ganhar o tablet eu aposentei ele de vez.

Após alguns processos hackerman fui capaz de desbloqueá-lo para que eu conseguisse utilizar e... O que é isso? 2 GB de RAM? Processador de arquitetura 32 bits?

É... Eu me lasquei. O tablet era extremamente limitado, e, pra melhorar, para que ele não "auto-bloqueasse", tive que desativar o Google Play Services, responsável por fazer uma porrada de aplicativos funcionarem.

Mas o foco não é esse, e sim na (in)capacidade do hardware do tablet. Entretanto, eu já era macaco velho com essas situações, já havia passado por esse tipo de coisa com o notebook, e ser desenvolvedor me dá a grande vantagem de conhecer o universo Open Source.

Vários aplicativos possuiam uma alternativa OSS que era simplesmente melhor em diversos aspectos: mais simples, mais seguro/privado e MAIS LEVES, além de não precisar do Play Services.

Além das alternativas, deixei o tablet extremamente enxuto, removendo apps "impossíveis" de desinstalar, através do adb. Isso deu uma sobrevida absurda nele, o deixando totalmente viável para atividades comuns e até alguns jogos.

Onde Quero Chegar?

Dadas informações sobre parte da minha história, o que quero trazer à mesa é o ABSURDO que a "massa" da população tem que engolir das grandes empresas de tecnologia por não possuir esse conhecimento técnico (que ninguém é obrigado) ou vontade insana de ter algo melhor mesmo sem recursos financeiros, fazendo ela pesquisar alternativas (que, novamente, ninguém deveria ser obrigado).

As empresas, através de seu software cheio de tranqueira que você não pediu e sequer usa, põem uma "data de validade" na sua máquina. Você não tem liberdade pra usar aquele celular tijolinho, ou aquele notebook velho de 2015, simplesmente porque impuseram, através DO SOFTWARE que ele não presta mais. Simples assim.

Qual a Solução?

Primeiro: Conhecimento. "Conhecimento é poder" não é brincadeira. Se arme de conhecimento e espalhe, claro, de maneira que pessoas "comuns" consigam entender. É muito triste ver alguém jogando fora um dispositivo que dá pra ser reavivado com um Linux, por exemplo, por pura ignorância.

Depois: Open Source. Acredito fortemente no poder do Open Source Software porque em sua maioria, são soluções que propoem exatamente o contrário do que fazem as grandes empresas: leves, modulares, seguras e suficientes.

Considerações Finais

Como viram, já passei por maus bocados por causa de programas pesados em dispositivos ruins, que eu tinha não por escolha própria, mas porque era o que o financeiro permitia.

Por causa disso, o meu desejo e uma filosofia minha é a inclusão social por meio de software que respeite o hardware que a condição financeira do indivíduo permita comprar. Software deve ser simples, funcional e acessível, para que não seja necessário se tornar um especialista técnico só pra tornar um PC usável.

Esse assunto tem muitas outras coisas envolvidas que também poderiam ser discutidas, mas sobre o que eu gostaria de abordar, é isso. Gostaria de saber o que acham disso tudo.

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Muito relevante sua postagem, man

Hardware é essencial para todos nós tabnewers e além disso você apontou para política, sociedade e (mais importante) acúmulo/desperdício.

Considera o seguinte:
Se você tem uma nota de dez reais na carteira e você decide guardar...
Com o tempo ela vai dissolver. Com bilhões de anos até as moedas enferrujam (ou eventualmente caem na lava de um vulcão em erupção)
O ponto é que se você 'guarda' não é seu: É do TEMPO (que a tudo transformará).

Por outro lado, se o fulano vai até a sorveteria e fala assim:
"Por favor me sirva um sorvete de chocolate."
E entrega uma nota de dez reais para a atendente funcionária que se chama ciclana
A Ciclana considera o seguinte:
"Essa é a nota de dez reais do fulano"

Enquanto ela coloca a nota de dez reais no compartimento da máquina registradora ela atribui a 'POSSE' da nota ao fulano.
Mesmo que nesse exato instante a 'propriedade' da nota esteja sendo 'transferida' do fulano para a sorveteria.

Por um período de tempo a ciclana considera que a nota 'é do fulano'
Só é seu o que você dá" (como canta o poeta)

A gente vive em uma época que os acúmulos estão evidentemente camuflados/ocultos

Economizar hardware não deveria ser tão relevante.
Vamos instalar uns joguinhos aí cara...
Rodar redes neurais no nosso hardware...
Instalar IDE's pesadas...
Experimentar uns softwares novos...
Vamos usar as máquinas (elas funcionam mesmo se for em standBy)
Como a gente tem um tempo para usar elas, vamo fazê direito...

Uma outra faceta do acúmulo é assim:
O fulano conhece a ciclana em um ambiente do cotidiano e deixa de iniciar uma conversa no whatsApp porque já tem dezenas de outras conversas ACUMULADAS

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É interessante olhar por esse lado, mas nao diria que se aplica da exata mesma forma.

Em primeiro lugar, a partir do momento que você nao repassa a máquina (ou seja lá o que for), mas sim descarta por achar que "passou da validade", automaticamente tudo que ainda há de valor nela é ignorado e ninguém mais poderá aproveitar dele.

Em segundo lugar, sobre a questão do acúmulo, como citei no texto: na maior parte dos casos o indivíduo não mantém pra si um aparelho ruim porque quer, porém porque é o que dá pra ter. Eu mesmo, tendo a oportunidade de ter algo melhor, claro que vou trocar!

Logo, não é acúmulo, pois está ativamente sendo usado, só não tem bom desempenho.

Isso que, no post nem citei questão ambiental do descarte eletrônico de coisas que ainda tem utilidade...