Até o Linus tá puto com a IA
Linus Torvalds mandando um "chega" para pull requests inúteis gerados por IA no kernel do Linux é a coisa mais sensata que aconteceu no desenvolvimento de software recentemente.
O mercado de slides vende que a engenharia de software vai triplicar de velocidade porque agora qualquer um consegue cuspir 500 linhas de C ou Rust apertando um botão. O que ninguém coloca na planilha do ROI é o custo cognitivo de ler essa porcaria.
Gerar código virou commodity barata. O problema é que a IA não entende de concorrência real, gerenciamento de memória de baixo nível ou por que aquele ponteiro específico precisa ser tratado com cuidado para não quebrar a arquitetura sob carga pesada. Ela apenas adivinha o próximo token com base em probabilidade estatística.
Aí o sujeito roda um prompt genérico, gera um patch que parece limpo na superfície, não testa em ambiente de stress, não valida concorrência e abre o PR achando que está contribuindo.
Quem se ferra é o maintainer do projeto.
O revisor tem que parar o que está fazendo, dar checkout na branch, debugar o código e passar horas tentando entender se aquela refatoração bonitinha não vai causar um memory leak silencioso que só estoura depois de três dias de uptime ou um race condition que trava o loop assíncrono em produção.
A IA é uma ferramenta absurda para expandir a nossa produtividade e outras coisas. Eu uso diariamente para estruturar mocks de testes, decifrar stack traces gigantescos de ferramentas que não domino ou clarear ideias de modelagem de dados. Ela serve para te ajudar a pensar, não para pensar por você.
Terceirizar a lógica core de um sistema crítico para um autocomplete de luxo e abrir pull request sem entender cada linha alterada não é produtividade. É passar a responsabilidade de testar e pensar para outra pessoa.
Escrever código sempre foi a parte mais fácil do processo. O trabalho de verdade é garantir que a aplicação continue de pé quando a conexão dropar, o container local quase estourar por OOM killer e o banco de dados começar a travar. Menos commits automáticos para inflar gráfico de contribuição, mais runtime estável.