2

Perspectiva de professor (hoje ensino inglês; antes, muitos anos de negócios) — e vou discordar do próprio pressuposto do produto, com respeito pelo que você construiu, que tecnicamente é impressionante.

Se a IA faz a tarefa, o problema não é descobrir quem fez. É que a tarefa passou a medir a coisa errada. Vigiar a autoria é entrar numa corrida armamentista que o professor perde sempre — a cada semestre a IA fica melhor em parecer aluno, e o aluno fica melhor em usar a IA. A energia que a instituição gastaria auditando, na minha opinião, rende mais redesenhando a avaliação: cobrar o que não dá para delegar.

No meu campo isso ficou binário: a IA escreve uma redação em inglês melhor que qualquer aluno meu, então redação como dever de casa morreu como instrumento de avaliação — e não faz sentido eu "ensinar" o que a máquina já faz pelo aluno. O que sobrou de valioso é justamente o que não tem como terceirizar: entender e se expressar ao vivo, na reunião, na conversa. É nisso que passei a concentrar aula e avaliação. Imagino que em programação exista um equivalente (defender o código ao vivo? explicar a decisão?), mas aí vocês conhecem melhor que eu.

Fica a pergunta sincera, porque é ela que decide o futuro do produto: a universidade quer pagar para policiar o mundo antigo ou para migrar para o novo? Meu palpite é que o segundo mercado é maior e briga menos com o aluno.

Carregando publicação patrocinada...
2

Discordo, não é somente sobre auditoria. É sobre devolver aos professores a autonomia e controle sobre o ensino.

Infelizmente no Brasil o ensino é nivelado por baixo, quando um professor entrega uma atividade e turma fica dependente de ferramentas externas para concluir até coisas básicas eles não aprendem, e o professor fica a mercê da situação, tendo que gastar sua energia e sanidade mental repassando o mesmo conteúdo, repetindo os mesmos assuntos e preso naquilo, enquanto poderia avançar na ementa.

E no fim, quem acaba se prejudicando são os próprios alunos.

0