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Vivemos no tecnofeudalismo. fato-consumado. e o mais triste é a anestesia. gente ainda chama de progresso aquilo que opera como servidão.

E sim. nós. Os programadores somos o clero do regime. Escribas de mosteiros digitais. Copistas da nova ordem. Bem pagos, alimentados, entretidos.

Mantemos legível a máquina que consome pessoas. quase sempre sem perceber. Não erguemos a fogueira com as próprias mãos. apenas escrevemos o código, afinamos o mecanismo, administramos o acesso. O resto o sistema faz sozinho.

Mas sempre houve hereges. Gente de dentro que tentou devolver o fogo ao povo. Rasgar o véu. Traduzir o mistério. Abrir o templo. Giordano Bruno foi um deles. morreu queimado em preça pública. espero não ter o mesmo destino. tento não servir em silêncio.

Porque Musk, Zuck e companhia não são só empresários. São administradores da sua mente. Donos das praças, correios, vitrines, mapas, púlpitos, arquivos. A Companhia das Índias pelo menos era so lá. Agora o império é a Terra toda. Não ocupa só terras. ocupa atenção, afeto, desejo.

Talvez a única coisa capaz de nos salvar seja justamente o excesso da própria máquina. O dilúvio de slop. A saturação. Vai ser feio. Vai piorar muito antes de melhorar. Muita realidade gerada vai passar por verdade. muita conveniência por liberdade.

Mas nenhuma noite é eterna e quando o fim da historia chegar vamos voltar a fazer o que os nossos ancestrais faziam de melhor. Olhar para as estrelas.

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"Escribas de mosteiros digitais" é a melhor imagem que já vi para descrever o que tentei dizer sobre o clero do regime. Você chegou num lugar que eu não cheguei haha

O Giordano Bruno morreu queimado. Os hereges de dentro geralmente pagam caro antes de qualquer mudança estrutural acontecer. O que me parece mais honesto do que a esperança no colapso é a ideia mais modesta e mais difícil: que entender o sistema já muda algo, mesmo que não mude tudo, mesmo que não salve ninguém. Não é confortante. Mas pelo menos é verdade.

Pra falar a real, pensando agora... Talvez o sistema atual esteja nos deixando cada vez mais individualistas pra que nos sintamos impotentes, sem capacidade de mudar nada.