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Devs deveriam parar de cair em discussões rasas sobre BigTechs, IA e política

Eu resolvi trazer aqui uma discussão que acho importante, e o LinkeDisney não daria atenção o suficiente. Não sei se vou levar como vídeo pro canal, mas enfim. Vamos ao ponto.

Existe uma ironia silenciosa nas comunidades de desenvolvedores quando o assunto é poder tecnológico e política.

O dev médio tem, ou deveria ter, mais capacidade técnica para entender como algoritmos moldam comportamento, como dados são coletados e monetizados, como infraestrutura de plataforma cria dependência estrutural do que 99% da população. Mas quando o debate político sobre BigTechs aparece no Twitter, no LinkedIn, no Threads ou o diabo que for, esse mesmo dev frequentemente repete os mesmos enquadramentos rasos que as próprias empresas financiam e amplificam.

Não é questão de burrice. É uma armadilha bem construída mesmo. E entender como ela funciona é mais útil do que qualquer opinião sobre se determinada regulação é boa ou ruim.

O problema não é ter opinião. É ter a opinião errada sobre o que está em jogo. Quando alguém discute se as BigTechs devem ser reguladas, o debate público costuma girar em torno de moderação de conteúdo, privacidade do usuário e, nos últimos anos, desenvolvimento de IA. São temas importantes. Mas são a camada superficial de um problema estrutural muito mais antigo e mais profundo.

O que realmente tá em jogo é quem detém soberania sobre a infraestrutura da vida contemporânea. O fato de você ficar preso igual à população comum nessa camada superficial tem objetivo e é claramente orquestrado pelas redes sociais.

Michel Beaud é um historiador do capitalismo que li anos atrás. Ele observou algo que parece óbvio mas que é mais importante do que imaginam: desde o século XV, capital e poder político nunca estiveram separados. O que muda ao longo da história não é a existência dessa relação. É quem está ganhando dentro dela em cada momento.

No século XVII, a East India Company britânica não era só uma empresa. Ela tinha exército próprio maior que o do governo britânico, cunhava moeda, declarava guerras e administrava justiça sobre centenas de milhões de pessoas no subcontinente indiano. Não foi o Estado que criou o domínio colonial britânico sobre a Índia. Foi uma empresa. O Estado veio depois e herdou o território.

Hoje, a Amazon decide quem pode vender para o mercado global e cobra pedágio de quem quer existir digitalmente. O Google controla o acesso à informação de bilhões de pessoas. A Meta decide o que pode ou não pode ser dito em plataformas usadas por 3 bilhões de usuários. A Microsoft e a Amazon juntas sustentam boa parte da infraestrutura de nuvem da qual dependem governos, hospitais e sistemas financeiros.

Yanis Varoufakis, economista que enfrentou o FMI como ministro das finanças grego em 2015, tem um nome pra isso, e vou explicar melhor mais pra frente. Por ora, o ponto é: esse é o quadro. A discussão besta sobre se o Zuckerberg, Musk e o diabo A4 é de esquerda ou direita é ruído dentro desse quadro, mas é vendido como se fosse prato principal dos assuntos.

O que está acontecendo agora não é política. É estrutura. Quando você vê desenvolvedores discutindo se Elon Musk é fascista ou libertário, se Zuckerberg é progressista ou conservador, se o Vale do Silício é de esquerda ou direita, você está vendo pessoas que constroem a infraestrutura do poder discutindo o papel de parede enquanto o kernel tá sendo todo mexido. Esses caras nem tem ideologia, vão fingir ser daquela que mais interessar no momento.

A Shoshana Zuboff é uma professora de Harvard que descobri faz pouco tempo. Ela passou anos documentando o que chama de capitalismo de vigilância: um regime de acumulação inteiramente novo, baseado na extração do comportamento humano como matéria-prima.

O modelo é simples de descrever: cada clique, cada pausa numa rolagem, cada busca, cada conversa é coletado, processado e transformado em previsões sobre comportamento futuro. Essas previsões são vendidas para quem quiser influenciar esse comportamento, sejam anunciantes, campanhas políticas, governos ou qualquer outro comprador. E pior, as plataformas podem usar tudo isso sem as limitações que o comprador tem. Elas constroem a realidade que quiserem.

Sacaram que o lance não é só publicidade direcionada? É a capacidade de construir realidades diferentes para públicos diferentes. De amplificar conteúdo que gera engajamento emocional, raiva e medo especificamente, porque funcionam melhor que qualquer outra coisa. As bolhas informacionais não existem por acidente. Existem como consequência direta da otimização do algoritmo para maximizar tempo de tela.

O que Zuboff descreve não é maldade corporativa. É lógica sistêmica. As empresas fazem o que o sistema incentiva. E o sistema está incentivando a acumulação de poder sobre atenção, percepção e comportamento em escala sem precedente histórico.

Por que o doidão do economista grego que foi ministro das finanças importa para você, dev?

Varoufakis publicou em 2023 um livro chamado Technofeudalism e a tese central é perturbadora: o capitalismo já morreu, substituído por algo pior.

No capitalismo clássico, o lucro vem da produção e venda de mercadorias num mercado competitivo. Há risco, há inovação, há concorrência real. No tecnofeudalismo, o lucro vem principalmente de renda. Assim como o senhor feudal não produzia nada e cobrava pelo acesso à terra, as BigTechs cobram pelo acesso ao território digital. Quem não paga, some. Quem paga, existe. A Amazon não compete com você. Ela cobra para que você possa competir. O Google não vende informação. Ele vende visibilidade dentro de um território que ele controla. Isso não é mercado. É senhorio digital.

Cédric Durand, um economista francês, chegou à mesma conclusão de forma independente: o que sustenta o poder das BigTechs não é capital produtivo, mas monopólio sobre ativos intangíveis como dados, algoritmos e efeitos de rede. Quem controla esses ativos controla o território. E território, como qualquer estudante de ciência política sabe, é a base da soberania.

Aí tu deve estar falando na tua cabeça:

Mas a maioria dos devs não está nem perto dessas decisões

O imaginário do desenvolvedor foi construído em torno de uma narrativa: você constrói sistemas que mudam o mundo, você está no centro da transformação digital, sua habilidade é escassa e valorizada. Eu mesmo quando tinha meus 17 anos e comecei na área, tinha comprado a ideia. Parte disso até é verdade, a depender de onde você trabalha. Mas a maior parte é marketing de recrutamento que serve aos interesses das empresas que precisam de mão de obra qualificada e motivada.

A realidade é que a esmagadora maioria dos desenvolvedores faz CRUD. Create, Read, Update, Delete. Formulários, integrações, APIs, painéis administrativos. Trabalho relevante, trabalho bem remunerado historicamente, mas trabalho sem influência real sobre as decisões estruturais que trouxe pra discutirmos aqui.

Quem decide como o algoritmo do TikTok é otimizado não é o dev que faz o backend do painel de analytics. Quem decide que dados o Facebook coleta e como são monetizados não é o engenheiro que mantém o sistema de autenticação. Quem decide a política de moderação da plataforma não é a pessoa que escreve os microsserviços de infraestrutura.

Isso não diminui o trabalho técnico. Mas coloca em perspectiva a ideia de que o dev, por trabalhar com tecnologia, tem uma compreensão privilegiada do sistema de poder que essa tecnologia sustenta. Ter acesso técnico a uma parte do sistema não equivale a entender o sistema inteiro. Quase todo dev, mesmo crud maker, já tomou um TopDown na carreira. Imagina os que estão em áreas que influenciam de fato a sociedade como um todo.

E aí eu trago uma ironia específica: o dev que constrói parte da engrenagem frequentemente tem menos noção do sistema inteiro do que um historiador econômico que nunca abriu um terminal, que nem sabe fazer hello world em Python haha

E então vem a IA e a história não se repete, mas rima...

Em 1811, na Inglaterra, trabalhadores têxteis começaram a destruir as máquinas que estavam sendo introduzidas nas fábricas. Ficaram conhecidos como luditas. Hoje o termo é usado como insulto para quem resiste à tecnologia. Mas o que os luditas estavam resistindo não era a tecnologia em si. Era a forma como a tecnologia estava sendo usada para destruir sua capacidade de barganha e reduzir seus salários.

As máquinas eram reais. O aumento de produtividade era real. Mas quem ficou com o ganho não foram os trabalhadores. Foi o capital.

Hoje, o discurso sobre IA nas empresas de tecnologia segue um padrão reconhecível para quem conhece essa história. As demissões em massa no setor de tech desde 2022, dezenas de milhares de postos cortados em empresas com lucros recordes, foram acompanhadas de narrativas sobre eficiência, reestruturação e, cada vez mais, sobre IA. A mensagem implícita é consistente: o trabalho que vocês fazem pode ser feito por modelos de linguagem. Vocês são substituíveis.

Parte disso é verdade tecnicamente. Modelos de linguagem são, de fato, capazes de gerar código funcional para uma fração significativa das tarefas do dia a dia de um dev mediano. A automação de trabalho cognitivo de rotina é real e está acontecendo.

Mas há uma diferença importante entre IA está transformando o trabalho de desenvolvimento e sua empresa está usando IA como justificativa para reduzir headcount e aumentar margem. As duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo e frequentemente são.

Quando a Meta demite 11.000 pessoas em 2022 e anuncia um ano de eficiência enquanto seus lucros batem recordes históricos em 2023 e 2024, a IA é parte da narrativa mas não é a causa. Tu sabe que em 2022 o código das IAs era uma merda, nada pronto pra produção. Como que a justificativa de eficiência via IA foi dada pela Meta naquele momento? Narrativa. A causa real é que o capital sempre buscou reduzir o custo do trabalho. A tecnologia é o instrumento. O objetivo é o mesmo de sempre. Mano Deyvin falou disso ao comentar sobre a Stone esses dias

O trabalhador têxtil inglês de 1811 também achava que sua habilidade era especial o suficiente para ser insubstituível. Que o conhecimento que levou anos para adquirir tinha valor intrínseco que a máquina não poderia replicar. Ele estava parcialmente certo e completamente errado sobre o que isso significava para sua posição no mercado de trabalho.

A questão nunca foi se a tecnologia pode substituir o trabalho humano. A questão sempre foi quem fica com o valor gerado pela substituição.
Não to com papinho de dev raiz contra uso de IA. É só um contexto histórico que muda o enquadramento da discussão.E aí vem o próximo ponto:

Existe um enquadramento que as empresas preferem que você use

Existe um padrão nas discussões sobre BigTechs e IA que vale a pena nomear explicitamente.

Quando o debate é sobre regulação, as empresas preferem que ele seja sobre liberdade de expressão e censura, porque esse enquadramento divide a opinião pública ao longo de linhas políticas preexistentes e impede coalizões mais amplas em torno de questões estruturais como antitruste e soberania de dados. É aí que eu digo que dev não deveria ser tão manipulável a ponto de não saber que as redes sociais vão escolher e até incentivar a propagação dessa ideia de que pode haver uma censura dos governos. Em todos os países, com governos totalmente diferentes ideologicamente, o mesmo papo vem sendo propagado: querem censurar as pessoas nas redes sociais. Essa discussão não existe de verdade na maior parte do mundo e só serve às BigTechs.

Quando o debate é sobre IA, as empresas preferem que ele seja sobre se a IA vai tomar todos os empregos ou se vai resolver todos os problemas, porque esse enquadramento é tão abstrato que paralisa a ação e desvia atenção de questões concretas: quem controla os modelos, quem tem acesso aos dados de treinamento, quem decide como esses sistemas são implantados em contextos de trabalho. O que aconteceu com a discussão sobre propriedade intelectual? Sobre como foram feitos os treinamentos? Sumiu. No LinkedIn só tem postagem de emocionado ganhando milhares de likes e milhões de impressões. Nenhuma discussão politicamente importante e concreta acontece.

Quando o debate é sobre poder de mercado, as empresas preferem que ele seja sobre inovação versus regulação, porque nessa ótica qualquer restrição parece um ataque ao progresso tecnológico, quando frequentemente é apenas uma tentativa de impedir que o monopólio de plataforma destrua concorrência. Fica gostoso demais ficar no rasinho achando que o Estado é malvadão e quer atrasar o progresso, ou que o Estado é o bem encarnado e quer apenas cuidar de todos. Mas é exatamente isso que as BigTechs querem, que a discussão fique polarizada nessas duas visões.

O dev que passa o dia discutindo se determinada lei de regulação de IA é boa ou ruim com base em posts de influenciadores tech está, com alta probabilidade, usando um enquadramento que foi cuidadosamente construído para ser palatável e não ameaçar os interesses das empresas que financiam esse ecossistema de opinião. A forma como o debate está estruturado já determina quais perguntas podem ser feitas. Virou jogo de cartas marcadas.

Eu quero que se foda o Lula, o Bolsonaro, o Trump, o Milei, espero que entrem um no cu do outro e vão pra puta que pariu. Mas você tá aí caindo no papinho polarizado que as BigTechs criaram pra fazer você discutir coisas que não agregam em nada. Esse assunto não é de governo. Tem que ser um assunto de Estado, agnóstico ao governo atualmente eleito.

Mas e aí, quem tá discutindo profundamente sobre essas questões?

Mariana Mazzucato, economista da UCL, oferece um enquadramento mais sofisticado do que o debate costuma nos dar: o Estado que financiou a pesquisa básica que gerou a internet, o GPS e o touchscreen tem legitimidade e capacidade para co-governar o que foi construído sobre essa base pública. A questão não é Estado versus mercado. É sobre qual modelo de Estado, com quais mecanismos, servindo a quais interesses.

Evgeny Morozov vai além: a solução não está em domesticar as BigTechs dentro da lógica atual. Está em soberania tecnológica, infraestrutura digital tratada como bem público, não como território privado de extração de renda.

Essas são posições que exigem pensamento estrutural. Não se encaixam em nenhum meme político. E é exatamente por isso que raramente aparecem nas discussões de tech no Twitter ou LinkedIn.

Aí tu vai falar "Mas isso muda o que pra mim?".

Entender a estrutura histórica e econômica por trás do que está acontecendo não resolve nada imediatamente. Não vai salvar seu emprego se a empresa decidir cortar headcount. Não vai mudar a política de moderação da plataforma que você usa. Não vai transformar a relação de forças entre capital e trabalho no setor de tech.

Mas muda o que você consegue ver. Quando uma empresa anuncia demissões com justificativa de eficiência via IA, você consegue separar o que é transformação tecnológica real do que é narrativa para justificar uma decisão financeira que teria sido tomada de qualquer forma.

Quando um debate político sobre regulação de plataformas aparece, você consegue identificar qual enquadramento está sendo usado, por quem, e a serviço de quais interesses, em vez de tomar partido numa polaridade que foi construída para não ameaçar ninguém que realmente importe.

Quando você avalia seu próprio trabalho e sua posição na indústria, você consegue fazer isso com mais realismo sobre o que o trabalho técnico significa dentro de uma estrutura de poder maior, sem a ilusão de que saber programar coloca você do lado de dentro do sistema, e sem o niilismo de achar que nada pode ser feito.

Você passa horas entendendo arquitetura de software, trade-offs de banco de dados, complexidade de algoritmos. Você lê documentação. Você pensa em consequências de segunda e terceira ordem das suas decisões técnicas. Por que não aplicar o mesmo rigor ao sistema econômico e político no qual esse código opera?

Não tenho nenhuma resposta pra te dar, só questionamentos.
A pergunta que fica

A East India Company operou por 258 anos. Foi construída por engenheiros, contabilistas, administradores e soldados que em sua maioria faziam seu trabalho sem pensar no sistema que sustentavam. Quando foi dissolvida em 1858, não foi porque as pessoas dentro dela tiveram um momento de iluminação coletiva. Foi porque as contradições do sistema se tornaram insustentáveis e forças externas forçaram a mudança.

Não estamos em 1858. Não existe ainda uma força equivalente à Revolta dos Cipaios no contexto das BigTechs. Os pensadores mais sérios sobre o tema têm diagnósticos sofisticados e propostas ainda embrionárias. Varoufakis, Zuboff, Mazzucato, Srnicek, Morozov. A lacuna entre entender o problema e ter soluções viáveis é real e honesta.

Foram os próprios trabalhadores da estrutura de dominação que forçaram essa mudança. O que o equivalente hoje poderia ser? Não sei a resposta. Ninguém sabe.

O que existe agora, e que tem valor real, é a possibilidade de parar de usar as visões pré-fabricadas que foram desenhadas para você não fazer as perguntas certas. Para um dev, que tem mais ferramentas conceituais do que a maioria para entender como sistemas funcionam, isso não é pouco.

E se reclamar que essa porra é um texto muito longo, é porque estão literalmente treinando você a ficar com a atenção cada vez menor, tu tá ligado né?

Leituras para quem quer sair do raso e tocam fundo nesse tema:
Michel Beaud — História do Capitalismo: de 1500 aos nossos dias (1981)
Shoshana Zuboff — A Era do Capitalismo de Vigilância (2019)
Yanis Varoufakis — Technofeudalism (2023)
Cédric Durand — Technoféodalisme (2020)
Mariana Mazzucato — Missão Economia (2021)
Nick Srnicek — Capitalismo de Plataforma (2016)
Evgeny Morozov — artigos e ensaios em The Guardian e New Left Review

Como não tem resposta problema, cada autor traz uma visão diferente. Cada um vai ter uma posição que se aproxima mais de pensamentos que intelectuais de direita teriam, outros que se aproximam mais de intelectuais de esquerda. Então, vale ler todos e ver por todas as óticas :D

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Vivemos no tecnofeudalismo. fato-consumado. e o mais triste é a anestesia. gente ainda chama de progresso aquilo que opera como servidão.

E sim. nós. Os programadores somos o clero do regime. Escribas de mosteiros digitais. Copistas da nova ordem. Bem pagos, alimentados, entretidos.

Mantemos legível a máquina que consome pessoas. quase sempre sem perceber. Não erguemos a fogueira com as próprias mãos. apenas escrevemos o código, afinamos o mecanismo, administramos o acesso. O resto o sistema faz sozinho.

Mas sempre houve hereges. Gente de dentro que tentou devolver o fogo ao povo. Rasgar o véu. Traduzir o mistério. Abrir o templo. Giordano Bruno foi um deles. morreu queimado em preça pública. espero não ter o mesmo destino. tento não servir em silêncio.

Porque Musk, Zuck e companhia não são só empresários. São administradores da sua mente. Donos das praças, correios, vitrines, mapas, púlpitos, arquivos. A Companhia das Índias pelo menos era so lá. Agora o império é a Terra toda. Não ocupa só terras. ocupa atenção, afeto, desejo.

Talvez a única coisa capaz de nos salvar seja justamente o excesso da própria máquina. O dilúvio de slop. A saturação. Vai ser feio. Vai piorar muito antes de melhorar. Muita realidade gerada vai passar por verdade. muita conveniência por liberdade.

Mas nenhuma noite é eterna e quando o fim da historia chegar vamos voltar a fazer o que os nossos ancestrais faziam de melhor. Olhar para as estrelas.

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Sinceramente, eu nunca tinha parado para pensar sobre como estas discussões políticas/éticas são rasas. Confesso que li seu artigo meio na correria, vou ler ele novamente com um pouco mais de tempo, mas, já adianto que me causou um certo desconforto ao perceber que sou tão passivo quanto aos conteúdos e provocações que recebo nas redes (principalmente Yt).

Eu queria começar a ler sobre estas coisas que você citou, estes autores e fontes podem me ajudar a entrar no tópico. Agradeço pelo tempo dedicado aqui, me deu uma luz sobre como começar a aprender mais sobre isto.

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Obrigado pelo seu texto escrito por um humano. Os padrões de linguagem escrita por llm, formatação markdown e emoji de foguetinho estão causando em mim algum tipo de repulsa fazendo perder o interesse no conteúdo durante a leitura.

Ter soberania digital é bem complicado. No meu exemplo, tenho dificuldades de encontrar pessoas que queiram me ajudar a estudar e montar seus próprios laboratórios de infraestrutura rodando software livre, entrando na parte se hardware de ia o assunto fica pior.

Ainda sonho em criar um pequeno tecnofeudo, ou talvez algo mais parecido com o conceito de Quilombo dos Palmares ou Zion.

Tem alguma coisa estrutural no sistema para nos manter prisioneiros, eu ainda não entendi exatamente como funciona mas já entendi boa parte dessa lama, é difícil libertar outras pessoas para que enxerguem a realidade, e as que não estão libertas defendem o sistema atual inconscientemente de várias formas.

A sequência de Matrix do 1 ao 4 tenta explicar isso, de uma forma disfarçada, como se fosse uma mensagem enviada na época da ditadura brasileira tentando furar a censura. No final o sistema conseguiu distorcer a mensagem, em Matrix 4 deixam claro que isso aconteceu.

Uma pena que poucos vão ler, e menos ainda os que vão entender.

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Obrigado pelo seu texto. Parece estranho, mas não irei ler (só li o início e desisti depois q vi q é mto longo). Sei q terá gente q irá ler, pois parece q é um assunto q está na modinha por causa do caos politizado em q vivemos.

Eu falo isso pq eu já desencanei do caos q vem acontecendo no nosso mundo. Eu cheguei numa conclusão q independente de q lado escolher, de q opinião tiver, nada vai mudar para o q quero, pois o mundo não depende só de mim, pois não sou deus.

Eu decidi então focar em minha vida, pois minha vida é mais valiosa do q ficar levantando bandeiras pra um time A ou um time B. Claro q tenho minhas opiniões e posições, mas nossa vida é curta demais para ficar brigando pelos outros.

E eu sei mto bem q se eu não posicionar e brigar, estarei aceitando o q não quero, mas fazer o q. A vida é cheia de escolhas, e percebi q a vida é mais agradável qndo a gente foca em ajudar o próximo, sim, aquela pessoa q está do seu lado, seja família, seja amigo, seja um desconhecido...

Não sei se isso realmente tem haver com a discussão acima, pois não cheguei a ler acho q nem 10% do texto, mas no final só quis mostrar minha opinião q existem coisas mais importantes do q ficar escolhendo lados e brigar em redes sociais (q imagino q não será aqui, ahahah).

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No texto eu comento sobre essa disputa de lados ser algo gerado propositalmente e trago diversos exemplos e paralelos históricos. Além de resumir a visão de diversos autores sobre o tema. Se eu puder recomendar algo do texto pra você ler, recomendo o final onde falo sobre seu ponto 'O que EU tenho a ver com isso'. Pode fazer o search por "Aí tu vai falar "Mas isso muda o que pra mim?"." e ler dali pra baixo, que são os ultimos parágrafos.