Eu penso um pouco diferente.
Existem exatamente três jogos disponíveis para quem sabe escrever if e else. E o plot twist é que o mais "boring" é frequentemente o mais eficiente.
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O Caminho do Funcionário Iluminado
Você pega um emprego que pague bem, não precisa ser FAANG, um sênior decente em São Paulo ou remoto já tira 30k. Agora investe como se o mundo fosse acabar amanhã. Depois de 35 anos de aportes disciplinados, você tem um patrimônio de 5-10 milhões e uma renda passiva que paga suas contas.
É o caminho mais subestimado porque não dá like no LinkedIn. Não tem pitch deck. É só matemática básica, juros compostos e a paciência de um monge. A galera ignora porque "CLT é escravidão", mas esquece que abrir empresa é escravidão com imposto e contador. -
A Armadilha da Software House
Aqui você "para de vender hora e começa a vender software". Bonito na teoria. Na prática, você trocou 8 horas diárias por 16, e em vez de ter um chefe, tem doze (os clientes). A limitação continua sendo seu tempo ou o tempo do time que você contratou, o que significa que você virou gerente de pessoas, não programador.
É o estágio intermediário do inferno: você já não codifica o que quer, codifica o que o cliente exige. Virou dono de padaria: lucra mais que o padeiro, mas acorda mais cedo e dorme pensando em fluxo de caixa. Válido? Sim. Romântico? Só no Instagram. -
O Casamento com o Problema
O sonho molhado de todo dev: criar um SaaS, parar de vender software e começar a vender solução. Aqui você não é pago pelo código, é pago pelo resultado que o código gera.
Só que tem um detalhe que ninguém conta: código não vende. Você vai passar 20% do tempo programando e 80% fazendo suporte pra cliente que não sabe logar, copywriting de landing page que converte, e discutindo com gateway de pagamento. Seu produto é um filho, chora à noite, exige atenção constante, e não dá lucro nos primeiros anos.
É o único caminho com potencial de escala real (um software vendendo enquanto você dorme), mas também o único onde você pode passar dois anos sem salário e descobrir que ninguém queria aquele saas que você achou genial...
O Veredito
Todas são válidas. A questão é: você quer ser rico, ou quer ser dono de algo? Porque "rico" é matematicamente mais fácil na opção 1. "Dono" é emocionalmente mais satisfatório na 3. E a opção 2 é aquele purgatório onde você tem a pressão do dono sem a escalabilidade do produto, mas no geral vai ser muito mais lucrativo que 3...