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Como ficar rico sendo programador

Spoiler: não é programando

Você sabe programar. Domina lógica, estrutura de dados, arquitetura de sistemas. Todo mundo fala que seu trabalho é extremamente valioso. Mas, deixa eu te fazer uma pergunta incômoda: por que, com toda essa habilidade, você ainda não ficou rico?

Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu explico porque o caminho para o programador ficar rico NÃO é através da programação.

Eu sou programador

Eu sou programador. Talvez, na hora de preencher a ficha do hotel, eu preencha o campo de profissão com “empresário", pois é o que eu faço hoje. Mas, se alguém me perguntar “qual é o seu ofício”, eu responderei, sem dúvidas: “programador”.

Eu sempre tentei ficar rico como programador. Durante os meus 15 anos de profissão, foram várias as ideias que tive e tentei fazer vingar, sendo que a grande maioria foi um fracasso. Apesar disso, eu sempre ganhei a vida como programador. Foi a programação que me sustentou, durante anos, para que eu tentasse a sorte com essas ideias.

Em determinado momento da vida, eu decidi que não tentaria mais ficar rico com ideias mirabolantes, mas, sim, vendendo a minha habilidade. Foi quando eu decidi criar uma fábrica de software. Nesse período eu, finalmente, comecei a ganhar um montante relevante de dinheiro, principalmente para um garoto de 27 anos de idade, que morava sozinho e não tinha filhos.

Só que, rapidamente, eu encontrei um teto para o meu crescimento. Quando comecei a estudar sobre marketing e vendas, descobri que, para vender serviços de desenvolvimento de software, eu precisaria fazer relacionamento e venda consultiva. Fazer isso é interagir com humanos de forma não escalável, tudo o que um programador NÃO quer fazer.

Foi quando eu decidi entrar no mundo do marketing digital. O caminho para isso foi virar sócio do meu amigo Renzo, na Python Pro, escola de programação online que ele havia criado. Finalmente, estava envolvido com um modelo de negócio escalável. Depois de alguns meses de trabalho, a gente conseguiu, finalmente, começar uma escalada.

Mas, confesso que escalamos muito mais na sorte do que na competência. Foi bem na época da pandemia, as pessoas estavam em casa, sedentas por formas de ganhar dinheiro pela internet. Além disso, as empresas de tecnologia estavam cheias de dinheiro no bolso, sedentas por programadores. A gente, por sorte, vendia curso de programação para pessoas que queriam migrar para a área. Num cenário desses, praticamente qualquer um poderia prosperar, inclusive dois aventureiros que sabiam pouco do que estavam fazendo.

Porém, no meio de 2022, o mercado virou, e a gente percebeu que não tinha nenhuma estratégia para concorrer com os gigantes da educação. Foi quando eu decidi sair do projeto e fundar o Tintim.

Hoje, passados pouco mais de três anos desse último movimento, e também depois de mais de R$ 10 milhões faturados nesse projeto, eu consigo olhar para trás e conectar os pontos e, talvez, a frase que mais possa definir essa jornada é a icônica frase do Naval Ravikant:

"Aprenda a construir e aprenda a vender. Se você conseguir fazer ambas as coisas, será imparável".

O que é marketing?

Eu abri o ChatGPT e fiz essa pergunta. Ele me respondeu que “marketing é entender pessoas para gerar valor e troca”. Segundo o GPT, marketing é o conjunto de atividades usadas para identificar um problema real de alguém, criar uma solução percebida como valiosa, e conectar essa solução às pessoas certas, no momento certo, do jeito certo.

Isso envolve, na prática: entender o público, entender o problema, definir uma proposta de valor, comunicar bem, distribuir, converter e reter. O Tintim é fruto desses fundamentos, muito bem executados. Quer ver só?

Primeiro de tudo, eu entendia o público, pois eu mesmo trabalhei durante três anos conquistando clientes via tráfego pago. Eu também entendia muito bem o problema, pois eu vivia o problema na pele durante esses três anos. O gestor de tráfego precisa ter dados reais para otimizar campanhas, e era muito complexo extrair, tratar e disponibilizar esses dados. Diante desse cenário, a proposta de valor era clara: facilidade para acessar os dados e facilitar a tomada de decisão.

Com essa hipótese na cabeça, eu fui atrás dos gestores de tráfego para validar se isso, de fato, geraria valor para eles. Entre conversas iniciais, protótipos, validações, idas e vindas, foram mais de 50 calls de venda, mais de 10 webinários, e centenas de respostas de pesquisas. Tudo isso com o objetivo de iterar para garantir que o produto gerava valor, de fato. Mas, além disso, com o objetivo também de conhecer profundamente o gestor de tráfego. Saber seus problemas, suas dores, seus desejos. Foi esse conhecimento que nos ensinou a nos comunicarmos muito bem com essa galera.

Devido aos três anos de experiência com marketing digital na empresa de cursos, a gente já era muito bom em adquirir leads baratos através de tráfego pago. A única coisa que faltava pra gente masterizar a distribuição era criar uma área comercial. Fizemos isso muito bem também.

Por fim, tivemos o cuidado de criar uma área de suporte e customer success muito boa, que realmente se importa com o cliente e que o ajuda a extrair o máximo de valor da ferramenta. Isso nos fez bons em retenção.

Percebe que em nenhum momento eu falei de programação?

Programação é meio, e não fim

O programador é muito bom em resolver problemas, mas pouco habilidoso em identificar e diagnosticar esses problemas. Programação é solução, mas a solução só funciona se o problema estiver claro.

Quando o Naval fala que o programador precisa “aprender a vender”, ele não está falando necessariamente de técnicas de negociação, quebra de objeção, gatilhos mentais, etc. Ele está falando de algo mais amplo, e desenvolver a habilidade de identificar e diagnosticar problemas talvez seja a base para isso.

A programação não é o valor primário da equação. Identificar o problema é. Um problema pode ser resolvido de diversas maneiras, e a programação é apenas uma delas (inclusive, boa parte dos problemas do Tintim, até hoje, são resolvidos por gente, e não por código).

Agora, pensa comigo: o grande valor da programação é a escala. Se você identifica bem um problema e identifica bem como resolver esse problema, o código te permite a escala que nenhum outro meio permitiria. Aí sim está o valor da programação. Problemas de escala demandam uma grande habilidade técnica. É nesse momento que o (bom) programador brilha.

Por isso, se você é programador, saiba que você tem uma grande habilidade nas mãos, mas, que só será realmente útil numa etapa avançada da empreitada. Você já sabe como escalar um produto. Se você aprender como identificar um problema e conceber um produto que realmente resolva esse problema, você se tornará imparável (e milionário).


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Além disso, pretendo também compartilhar outras coisas, como um pouco dos bastidores da construção de um negócio SaaS, as minhas opiniões e meus aprendizados. A ideia geral é ser uma documentação pública e estruturada dos meus pensamentos e aprendizados ao longo dos anos.

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Eu penso um pouco diferente.

Existem exatamente três jogos disponíveis para quem sabe escrever if e else. E o plot twist é que o mais "boring" é frequentemente o mais eficiente.

  1. O Caminho do Funcionário Iluminado
    Você pega um emprego que pague bem, não precisa ser FAANG, um sênior decente em São Paulo ou remoto já tira 30k. Agora investe como se o mundo fosse acabar amanhã. Depois de 35 anos de aportes disciplinados, você tem um patrimônio de 5-10 milhões e uma renda passiva que paga suas contas.
    É o caminho mais subestimado porque não dá like no LinkedIn. Não tem pitch deck. É só matemática básica, juros compostos e a paciência de um monge. A galera ignora porque "CLT é escravidão", mas esquece que abrir empresa é escravidão com imposto e contador.

  2. A Armadilha da Software House
    Aqui você "para de vender hora e começa a vender software". Bonito na teoria. Na prática, você trocou 8 horas diárias por 16, e em vez de ter um chefe, tem doze (os clientes). A limitação continua sendo seu tempo ou o tempo do time que você contratou, o que significa que você virou gerente de pessoas, não programador.
    É o estágio intermediário do inferno: você já não codifica o que quer, codifica o que o cliente exige. Virou dono de padaria: lucra mais que o padeiro, mas acorda mais cedo e dorme pensando em fluxo de caixa. Válido? Sim. Romântico? Só no Instagram.

  3. O Casamento com o Problema
    O sonho molhado de todo dev: criar um SaaS, parar de vender software e começar a vender solução. Aqui você não é pago pelo código, é pago pelo resultado que o código gera.
    Só que tem um detalhe que ninguém conta: código não vende. Você vai passar 20% do tempo programando e 80% fazendo suporte pra cliente que não sabe logar, copywriting de landing page que converte, e discutindo com gateway de pagamento. Seu produto é um filho, chora à noite, exige atenção constante, e não dá lucro nos primeiros anos.
    É o único caminho com potencial de escala real (um software vendendo enquanto você dorme), mas também o único onde você pode passar dois anos sem salário e descobrir que ninguém queria aquele saas que você achou genial...

O Veredito

Todas são válidas. A questão é: você quer ser rico, ou quer ser dono de algo? Porque "rico" é matematicamente mais fácil na opção 1. "Dono" é emocionalmente mais satisfatório na 3. E a opção 2 é aquele purgatório onde você tem a pressão do dono sem a escalabilidade do produto, mas no geral vai ser muito mais lucrativo que 3...

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Nao importa a profissão, ninguem vai ficar rico trabalhando, você fica rico vendendo e fidelizando. Ou seja, você fica rico se conseguir vender mensalidade ou que as pessoas te deem dinheiro de forma recorrente. Isso é meio generalista? É! Mas é o que eu tenho visto.