AI me tirou uma parte da programação que eu gostava
Não é um post contra IA. É um post sobre o que ficou para trás.
Tenho percebido uma coisa estranha nos últimos meses. Eu sempre gostei de programar. Não só de resolver problemas ou entregar software, mas do ato de programar.
Sou um full stack sênior, mas o frontend, para mim, sempre teve um lado meio artístico. Gostava de testar frameworks novos, comparar experiências de desenvolvimento, discutir qual biblioteca era mais elegante. Ajustar fontes, espaçamentos, animações e detalhes visuais até tudo parecer certo.
Hoje, quando preciso criar uma interface, nunca faço isso manualmente. Não porque deixei de gostar, mas porque é muito mais rápido pedir para uma IA fazer. E ela faz rápido. Muito rápido. Entrego mais software do que nunca.
Mas a relação com o desenvolvimento mudou.
Talvez eu nunca mais programe da mesma forma.
futuro dos frameworks.
Outra coisa que tenho observado é que os frameworks também devem mudar.
Durante muitos anos falamos sobre DevXP (Developer Experience). Frameworks competiam para oferecer uma experiência melhor para quem escrevia código.
Agora parece que estamos entrando em uma fase diferente. Talvez os frameworks do futuro sejam otimizados não para desenvolvedores, mas para agentes de IA. Menos foco em DevXP e mais foco em AgentXP. Estruturas mais previsíveis. Convenções mais rígidas. APIs mais fáceis para agentes entenderem e modificarem.
Não sei se isso é bom ou ruim.
Só sei que sinto falta daquela programação mais contemplativa. Daquela tarde terapeutica ajustando detalhes de uma tela porque eu realmente gostava daquilo com perfeição.
Hoje a programação está ficando cada vez mais performática. Eu continuo construindo software. Estou mais produtivo do que nunca. Mas existe uma parte do processo que eu gostava bastante e que talvez não volte mais.