Eu só consigo pensar numa coisa: Tem espaço pra todo mundo se tornar trabalhador meramente arquitetural? Acho que o maior problema é a velocidade das mudanças sem o tempo de absorção dos profissionais por outras áreas. Enquanto a demanda está diminuindo na nossa área, ela não está aumentando em outras. A economia vai colapsar se 50% dos trabalhadores de TI e outras áreas tiverem sem emprego em 2027,2028. Não dá nem tempo de trocar de profissão.
Isso impacta o ramo de Aluguel, Varejo, e etc. Se todo o dinheiro ficar concentrado em poucas pessoas de alto poder nas empresas, o que acontece?
Pra mim, inventando número só pra servir de exemplo: Se você automatiza o trabalho de 30% da força de trabalho e não redistribui a renda gerada por essa automação, você destrói o consumo que sustenta a própria economia que a automação deveria estar servindo. Uma maluquice do caralho, que já aconteceu na história.
Sem sacanagem, quem é que vai comprar o produto que a IA ajudou a produzir mais barato, se quem comprava esse produto não tem mais salário?
Igual eu falei, já aconteceu coisas similares antes, mas as ações eram diferentes. Em 1914 Ford dobrou o salário dos operários justamente porque percebeu que não adianta o trabalhador fazer mais e não ter condições de comprar o carro que ele mesmo fazia. Num era bondade, era lógica econômica. Aí a lógica atual é o inverso disso: corta headcount, concentra margem, distribui para acionistas. Tá funcionando enquanto ainda tem consumidores com renda. Mas é óbvio que vai parar de funcionar quando a automação corroer essa base.
Só consigo ver dois caminhos:
Um é redistribuição forçada, que é a famosa renda básica ou uma taxação de automação e, algo defendido em alguns países, a redução de jornada. Só que esse caminho exige vontade política que hoje não existe em nenhum lugar, e se eu puder opinar, não resolve o problema. Se alguém recebia 15K de salário por mês e passa a receber 3K de renda básica universal e não consegue se realocar em pouco tempo, a economia sofre um impacto. Taxar a automação creio que dificilmente seria aprovada em qualquer lugar, já que a automação é incentivada pelos Governos. Reduzir a jornada, só funcionaria se os CEOs e Acionistas pensassem como Ford, mas não é o que vem mostrando os acontecimentos.
O outro caminho é o que geralmente acontece quando a redistribuição não vem: contração econômica severa, instabilidade social, e eventualmente algum tipo de ruptura política, que pode ser progressista ou reacionária, a história não tem preferência, mas se eu pudesse apostar seria reacionária.
O problema real não é tecnológico. É de distribuição de poder sobre quem captura o ganho da automação. E esse é um problema político, que a gente só pode assistir e discutir um pouco. Quem tem reservas financeiras, que tente lucrar com isso enquanto dá.