O hype do "Build in Public" criou uma geração de SaaS medíocres!
Recentemente, tenho acompanhado o movimento de Build in Public em busca de inspiração. O que encontrei, no entanto, foi um cenário preocupante: uma saturação de estratégias de marketing agressivas para produtos tecnicamente pobres.
O Mano Deyvin já falou, é um sugando a ideia do outro e entregando um produto muito similar em uma embalagem um pouco diferente!
Estamos vivendo a era dos "SaaS Wrappers": códigos genéricos, muitas vezes apenas uma interface básica em cima de uma API de terceiros, com preços inflados para justificar o "tempo gasto" do desenvolvedor, em vez de focar no valor real entregue.
O lucro antes da aptidão técnica
O que me incomoda não é o lucro em si, mas a falta de consistência. A facilidade de desenvolvimento atual criou um mercado onde:
- A manutenção é zero, mas a mensalidade é alta: Soluções que rodam quase de graça são cobradas como serviços corporativos.
- Quantidade sobre qualidade: Lançam-se ferramentas para tudo, mas poucas parecem ser a "melhor solução" possível para o problema. As vezes você escolhe a solução X e daqui a 5 meses a Y tá melhor e mais pra frente e a X começou a ficar defasado e sem suporte.
- Foco no curto prazo: A preocupação é o lucro rápido, ignorando um posicionamento de mercado sólido ou uma arquitetura bem pensada.
O resultado? Um ecossistema de software "pobre", onde a engenharia e o processo é deixada de lado em favor de resultados rápidos.
De volta aos "velhos tempos": Software como Utilidade Pública
Decidi seguir o caminho oposto para o meu próximo projeto. Em vez de tentar surfar na onda das assinaturas recorrentes para funções básicas, quero resgatar a filosofia da ferramenta útil.
Minha ideia é recriar algo que já existe, mas de uma forma honesta:
- Uso Gratuito: Sem paywalls abusivos para funções essenciais.
- Monetização Ética: Baseada em anúncios não intrusivos e doações, focando apenas em cobrir custos e manter a melhora contínua.
- Foco no Serviço, não no Exit: Um projeto para crescer aos poucos, onde o lucro seja consequência direta da utilidade que ele provê à comunidade.
Acredito que ainda há espaço para o software que "apenas funciona" e que respeita a inteligência do usuário. No fim das contas, a boa engenharia deve servir às pessoas, não apenas às métricas de vaidade do Stripe.
E vocês, o que pensam sobre o estado atual dos micro-SaaS? Estamos priorizando o marketing e esquecendo a essência da programação?