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IA e a síndrome do impostor

Trago aqui um desabafo e convido todos a uma reflexão.

Desde o início da era da IA, sempre fui extremamente reticente quanto ao seu uso. Evitava ao máximo utilizá-la e me posicionava fortemente contra essa tecnologia. Contudo, nos últimos seis meses, vi-me obrigado a começar a estudá-la e utilizá-la, pois, caso contrário, acabaria ficando para trás.

O problema é que, desde que comecei a usar IA no dia a dia, sinto cada vez mais que estou desaprendendo a programar, por delegar a geração de código a ela. É claro que, com isso, acabo direcionando meu foco para outras habilidades, mas até que ponto isso representa uma vantagem? Eu, como desenvolvedor, não deveria focar justamente em código?

Esse é o dilema em que me encontro: quanto mais utilizo IA, mais me sinto uma fraude; quanto mais utilizo IA, mais me sinto burro; quanto mais utilizo IA, mais me torno refém dela.

Assim como TikTok, Instagram e outras plataformas oferecem uma recompensa instantânea, a IA também toca em um ponto bastante primitivo do ser humano: a busca pelo menor esforço.

Afinal, por que gastar 45 minutos escrevendo um código manualmente se posso pedir para uma IA e recebê-lo pronto em dois minutos?

Diante disso, fico me perguntando: qual será o futuro da nossa profissão? E, principalmente, qual será o futuro das pessoas por trás de tudo isso?

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Vou te dar um ponto de vista diferente:

No passado, bem no passado, já exisita móvel planejado. A pessoa contratava um marceneiro para preparar os móveis, e então este ia até a casa do cliente instalar.

Mas ele não ia sozinho, ele ia com 3 ou 4 ajudantes, de pouco conhecimento da marcenaria, mas que sabiam usar um martelo, um cerrote e uma chave de fenda com maestria. A operação de ajuste do móvel para encaixar e fixar na casa do cliente existia pois, apesar de já terem sido tiradas as medidas antes e preparado tudo, ao chegar no local, além da montagem, sempre tem ajuste no tamanho a se fazer, além de dezenas, centenas de parafusos a apertar. É assim até hoje. Tem-se que fazer algumas aparas, tem que parafusar...

Pois bem, um tempo depois ficou popular a eletricidade, e rapidamente surgiram a cerra elétrica, a parafusadeira eletrica... e o que aconteceu com esses trabalhadores?

O marceneiro dominava a arte de criar produtos incríveis, conhecia o comportamento das diferentes madeiras, sabia a capacidade de carga de cada instalação, quantos fixadores, quantas pernas... mas os ajudantes, esses tiveram ou que se tornar marceneiros, ou mudaram de profissão.

Não sei se você já se tocou no quanto isso se parece com nossa realidade hoje. Então eu vou deixar óbvio:

Hoje todo desenvolvedor humano precisa ser o marceneiro. Precisa entender tudo da infra, das decisões de arquitetura, de replicar com eficiência a regra de negócio do cliente/produto. Precisa compreender de estética, usabilidade ui/ux... este profissional não nasce com o advento da IA, da mesma forma que a eletricidade não transformou o ajudante em marceneiro.

Então a pergunta é: você sempre foi ajudante (dev)? ou já vem aos poucos se tornando marceneiro (pm/po/tech leader)?

E mais importante: ser um marceneiro (pm/po/tech leader) te incomoda?

Se está tudo bem para você ser um marceneiro, a partir de agora você terá todo o tempo do mundo para ser o melhor marceneiro. E o serviço braçal, de escrever código, isso a "eletricidade" acabou de resolver.

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Só para que essa mensagem não chegue como uma anestesia para a dor: a IA em algum momento também vai começar a ser um "marceneiro", assim como muita coisa hoje é feita por máquinas (vide impressoras 3d, robôs que fazem carros... a título de exemplo). Então apenas evolua sempre!

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Eu tenho pensado assim, e isso me conforta. Mas sei que não posso ficar parado.

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"...Só para que essa mensagem não chegue como uma anestesia para a dor: a IA em algum momento também vai começar a ser um "marceneiro", assim como muita coisa hoje é feita por máquinas (vide impressoras 3d, robôs que fazem carros... a título de exemplo). Então apenas evolua sempre !..."

Pois eh, a regua subiu e nao tem cara de que vai parar tao cedo.

Como diziam: "rock and roll" - pedra que rola nao cria limo.

Vai dar certo ? Sei la, so sei que se ficar parado com certeza vou ser atropelado.

Saude e Sucesso !

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Hoje eu sou líder técnico, ja sou "marceneiro", mas sei lá, por não codar mais e só delegar o código pra IA me faz sentir uma fraude, eu ja venho há anos codando cada vez menos justamente pq estava me tornando um "marceneiro", mas era uma curva natural, agora com a IA sinto que é uma curva mais artificial por assim dizer.
Acho que o que estamos passando pode ser muito similar ao que os trabalhadores passaram durante as revoluções industriais.

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To meio atrasado, pois minha vida virou de cabeça pra baixo, então to lendo agora algumas coisas.

Sabe... eu vou dizer uma coisa. Vc sofre pq vc quer, lembre bem disso. Vc já entendeu q as coisas evoluem, vc já entendeu q não dá pra competir com a IA, vc entendeu q depende dela pra melhorar em algumas coisas e outras não... então a pergunta q vc tem q fazer pra acabar com esse sentimento de fraude é: pq eu continuo querer sentir isso?

Uma coisa, sabe pq as pessoas tem dificuldade de sair do limbo? isso é perceptivel qndo vc passa por algo parecido e começa a observar cada um e vc enxerga um padrão. Simplesmente pq eles não tem coragem de aceitar as mudanças. Então saiba, enquanto tu ficar se confrontando, se sentindo péssimo, vc obviamente continuará se jogando na areia movediça. e pior, não é a areia q estará te puxando e sim vc esta nadando pro fundo, pois vc se recusa a sair dela.

Eu vou te dar uma dica, talvez funcione, talvez não funcione, pois depende mais de ti. Se vc quer tanto ser um programador raiz (ou seja, sair codificando), vc tem 2 escolhas. ou vc para de usar IA e trabalha da forma antiga e viva feliz com essa decisão, ou vc usa IA no trabalho e comece criar projetos pessoais para sanar essa sua vontade de codificar.

Vai por mim, pare de ficar se chitoteando... vc só está criando um problema q na real, não precisa existir. Vc só torna sua vida simples se vc quiser deixar ela simples, caso contrário vai passar o resto da sua carreira nessa briga interna q só vai levar a sua sanidade mental para o limbo.

Bom, boa sorte ai no seu trampo e espero q vc se resolva internamente. Lembre, o problema não é a IA, é vc, pois vc qm está deixando se corroer por dentro.

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Meus 2 cents,

Entao, um DEV nao escreve codigo, ele resolve problemas atraves de codigo.

Nos anos 90 (portanto, bem antes do gepeto e correlatos) trabalhei em uma fabrica de software onde a atividade de um analista de sistemas era conversar com o cliente, entender os detalhes do negocio (levantamento de dados/requisitos), descrever e so entao passar para o DEV que escrevia o codigo (porque nao existia nenhuma maquina que fizesse isso sozinha).

Este analista entendia muito dos dois lados: ja tinha sido DEV, entao sabia como um app funcionava e como as regras de negocios iam ser transpostas, e ao mesmo tempo entendia as necessidades do cliente.

Entao nao se sinta impostor: voce apenas subiu de nivel.

Conheco team leaders que passam meses sem digitar uma linha de codigo.

Se subir para gerentes ou C-level, ainda mais tempo (alguns nem escreveram codigo, mas deixa para la...)

Mas o que nao mudou eh a necessidade de entender o que, como, onde um app faz o que faz.

Sim, voce precisa continuar estudando feito um maluco - pois eh a unica forma de entender, avaliar, auditar, modificar, confiar naquilo que a IA esta gerando.

E sim, voce vai precisar estudar a IA cada vez mais tambem, para usa-la cada vez melhor.

Nao tem mais volta: mesmo com a bolha estourando (os tokens estao ficando caros demais), o uso da IA nao ira cessar - no maximo modificar.

Eh como a bolha da internet: quando estourou um monte de empresas meia-boca desapareceram, mas a internet so intensificou seu uso (porque era boa demais para abandonar). A IA eh boa demais para ser abandonada.

Pode usar IA a vontade - muito mesmo. Cada vez mais, porque eh a unica forma de voce entender como produzir algo de valor ali eh usando no dia-a-dia, aprendendo onde ela funciona e onde nao. O que cada novo modelo traz de vantagens. Ou que modelos gratis de programacao fazem sem o custo de um modelo frontier. Quando usar um Fable, um Kimi ou um Laguna S 2.1 (free). Como usar agentes. Onde eles falham miseravelmente. Onde eles brilham. Nada disso se aprende so lendo, tem de usar e muito.

Parafraseando "Perdido em Marte":

I'm left with only one option: I'm gonna have to science the shit out of this !

At some point, everything’s gonna go south on you... everything’s going to go south and you’re going to say, ‘This is it. This is how I end.’ Now, you can either accept that, or you can get to work. That’s all it is. You just begin. You do the math. You solve one problem... and you solve the next one... and then the next. And if you solve enough problems, you get to come home.

Eh isso: estude, estude, estude.

Estude codigo, estude IA, estude Ingles, estude Linux, estude sobre Redes, estude sobre BD, estude sobre Virtualizacao, estude sobre cyberseguranca (essencial)...

Escreva o codigo via IA em 2 minutos e use os outros 43 para estudar, ler, testar, transar, comer, dormir, correr - enfim, para fazer tudo aquilo e qualquer coisa que a IA nao consegue fazer por voce.

Saude e Sucesso !


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Sabendo usar e não querendo se enganar é de grande ajuda! Estava numa Trilha de Java, estava em Banco de Dados, então chega hora da dúvida e cadê o instrutor para ajudar ? Isso foi faz 5 anos - se fosse hoje teria usado o chat ou qualquer um que me ajudasse a prossegur. Agora, não dá pra confiar cegamente nem achar que virou Dev.
Ajuda a desenvolver mais rápido, mas está usando as melhores práticas ? Sou capaz de entender o que são as melhores práticas ?

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Vou trazer um ponto de vista que foge um pouco do padrão "se você gosta de código, melhor se preocupar com IA".

Trabalho numa Software House a algum tempo. Quem já teve essa experiência, sabe como o ritmo é frenético na maior parte do tempo. Você é cobrado por cliente, por tech lead, pelo time de negócios, pelo time de UX/UI, pelos colegas de time. Não de modo pejorativo, mas coisas corriqueiras, como "conseguiu ver aquele PR?", "o layout implementado está um pouco diferente na resolução X", "como está o backlog dessa sprint?".

A IA potencializa nosso trabalho em diversas frentes.

O code review é automatizado. O Junior não vai pedir uma revisão enquanto não resolver os pontos óbvios relatados pela IA.

O planejamento de atividades é impulsionado. Essa é a parte que a IA se destaca. Diversas regras de código são traduzidas facilmente para linguagem de negócios, facilitando trocas com times não técnicos.

Revisão de layout também está chegando num ponto bem bom. Você encaminha um print da versão implementada e outro da versão de referência do protótipo, a IA trás os pontos de melhoria e já corrige.

Isso tudo nos dá mais tempo pra focar no código. Com IA usada como pair programing, podemos rapidamente montar um planejamento técnico das nossas tarefas, revisar pontos críticos de implementações existentes, explorar diferentes tipos de arquitetura para novos projetos, implementar testes automatizados e documentar processos.

Eu tenho curtido de mais essa nova fase. Claro que não é um mar de rosas. Ainda temos que lidar com prazos apertados, POs com expectativas pouco realistas, tecnologia mudando o tempo inteiro, débitos técnicos acumulados, mas são coisas da profissão que acho que devem continuar existindo por algum tempo.

E no fim do dia galera, vale sempre lembrar: é só trabalho.

Não deixem de cuidar da saúde, tanto física quanto mental.

Vamos sempre lembrar de fazer uma caminhada, beber água, passear com a família e fazer coisas que gostamos fora do trabalho.


Offtopic
Essa temporada nova Elbaf de One Piece tá topp de mais.


Saúde e sucesso pra gente!


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Sou dev a 22 anos e enxergo o dev generativo com muita empolgação. É uma abstração tal qual outras que já vi. Com a biblioteca gigante e infinita de frameworks, boilerplates e milhões de pacotes, mesmo antes da IA já estávamos codificando cada vez menos.

Me lembro quando eu estava na indústria de games em 2009: certa feita eu precisava de um sistema de armazenamento e disparo de sons para o sound design do jogo. Que tivesse pan de acordo com 3 vetores 3D. Que armazenasse chaves e que pudesse ser disparado em qualquer momento do jogo, atrelado a eventos ou disparo direto via singleton.
Eu tive que codificar isso do zero. Foi divertido.
Mas hoje em dia, mesmo sem IA, eu teria pelo umas 6 opções muito boas de bibliotecas prontas pra importar no meu codebase. Já não preciso codificar.

O fato é que o que precisamos saber cada vez mais de arquitetura, negócio, estrutura/infra e, principalmente, governança. Isso tudo muito antenado na cultura organizacional.

Isso hoje faz devs se tornarem necessários. E são os melhores pra se manter por perto.

Abraço!

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Código a IA pode te ensinar e muito bem, acho que o segredo esta em não deixar de estudar, e isso mesmo sem IA, agora a pergunta mais relevante que fez é "É claro que, com isso, acabo direcionando meu foco para outras habilidades, mas até que ponto isso representa uma vantagem?"

Eu como empresário te digo, a vantagem é total!!!

Eu não quero especialista em programação, porque eu sei que a IA é, quero alguem que saiba o básico, o resto a IA do meu negócio ensina, eu quero programadores básicos que tenham outras habilidades para guiar a IA, saber lidar com gente, entender negócio etc entendeu? Esse é o profissional do futuro.

O código perdeu o valor, infelizmente quem pensa o contrário esta só se enganando, mas as habilidades que a IA não possui, essas sim valem ouro, e sempre valeram na verdade.

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Síndrome de impostor já era comum para todos nós e tenho a mesma sensação. Já tive uma visão mais tenebrosa sobre nosso futuro e a cada dia que lido com agentes, fico menos pessimista.

Um artigo que recomendo a leitura: https://www.thoughtworks.com/content/dam/thoughtworks/documents/report/tw_future%20_of_software_development_retreat_%20key_takeaways.pdf

Nosso foco deixará de ser escrever código. Cada empresa tem seus processos específicos. Isso não mudará. Então sempre haverá a necessidade de alguém entender como os agentes funcionam de uma forma mais profunda e entender as regras desses processos e orquestrar isso tudo.

E o mundo funciona em ondas. Estamos em uma onda sem volta e maravilhosa, que só temos que nos adaptar. Mas não... não escreveremos mais código. Faremos coisas diferentes, que pessoas de negócio não saberão como fazer.

Hoje as empresas dizem para seus colaboradores: usem IA e melhorem seus processos. Todos estão fazendo isso, mas eu já vi isso com planilhas. Todos criavam suas planilhas, cada um com seu formato e atendiam perfeitamente ao seu criador, mas quando uma parte dessa planilha dependia de outra planilha e essa de outras, isso tudo se tornou um inferno.

Em breve teremos um novo inferno. Adivinhe quem irá ajudar a tornar esse inferno menos inferno... nós. Só não me pergunte como, mas qualquer hora vamos descobrir, porque ninguém sabe.

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Senti cada linha. Mas te ofereço uma virada que me ajudou: o valor tá cada vez menos em ESCREVER o código e cada vez mais em saber O QUE construir, por quê, e enxergar quando a IA tá te levando pro buraco. Isso não é preguiça, é subir de camada.
Sou fundadora solo e construo muita coisa com IA. No começo bateu exatamente esse "então eu não sei nada?". O que virou a chave foi parar de medir meu valor pela quantidade de código que digito na mão, e começar a medir pela qualidade das decisões e pela leitura crítica do que a IA cospe (que erra bastante, e alguém precisa saber pegar).
Dependência é real e vale vigiar. Mas "impostor" pressupõe que você tá enganando alguém, entregar resultado bom, com discernimento, não é enganação. É o trabalho novo.

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