Gostei muito do seu post. Como dev sênior, concordo totalmente que as soft skills que você mencionou são fundamentais, comunicação, colaboração, clareza, maturidade técnica, mas elas, por si só, não definem experiência real.
Quando você diz:
“Eu não me vejo como dev de linguagem X, me vejo como alguém que resolve problemas com código.”
Isso é ótimo como mentalidade geral, mas também abre espaço para uma armadilha bem conhecida, que se encaixa perfeitamente no ditado:
“Quem muito abarca, pouco aperta.”
Se você quer ser realmente bom em algo, precisa ter profundidade. Se você quer ter destaque, precisa ser excelente em alguma coisa, não em tudo. Especialização importa, e muito, especialmente em problemas complexos.
Quando alguém chega dizendo:
“Sou programador sênior de Java, Node.js, React, Flutter, Go, Python, Rust…”
isso até pode impressionar à primeira vista, mas, na prática, costuma indicar superficialidade.
A pessoa pode até resolver um problema difícil, mas quase sempre da pior forma possível, porque está refém de soluções genéricas, padrões superficiais e, às vezes, até de mentalidade low code aplicada ao que não deveria ser low code.
Ser sênior não é colecionar stacks.
Ser sênior é demonstrar:
• domínio profundo de pelo menos um ecossistema
• capacidade de abstração e arquitetura
• consistência técnica ao longo do tempo
• entendimento sólido de causas, efeitos e trade-offs
• e principalmente, resolver problemas com qualidade, não só “dar um jeito”
Não é sobre saber tudo.
É sobre saber muito bem o que realmente importa.