Li seu post e entendi a linha: canais de distribuição ficando mais caros/menos previsíveis, IA “comoditizando” o código e, por isso, o salto de MVP pra MLP + “velocity as a moat”, usando a Lovable e a leitura da Elena Verna como referência.
O ponto é: eu não compro a Lovable como referência forte, então também não compro automaticamente a leitura de mercado vindo “de dentro” dela. Não por birra — é porque eu já usei esse tipo de produto e, na prática, ele atende muito bem um público específico (pessoa comum e, às vezes, dev com pressa), mas não se sustenta quando você entra no mundo real de engenharia: manutenção, qualidade, arquitetura, observabilidade, segurança, integrações, operação.
E mais: o que a Lovable entrega hoje já existe — e melhor — em stacks agentic bem construídas, só que elas ainda estão menos “embaladas”/visíveis pro público geral. Eu mesmo rodo vários agentes ao mesmo tempo em servidores multidomínios, gerenciando tickets de suporte, automatizando correções, criando código, implantando serviços. Inclusive, precisei construir um software específico de backup/versionamento contínuo + RAG + restauração em tempo real, porque só git não dá conta desse ritmo quando você coloca agentes trabalhando o tempo todo: eu preciso rastrear 100% dos arquivos e versionar mudanças o dia inteiro, com recuperação rápida e consultável. E, para mim que construí meu sistema, já virou mainstream.
Agora a previsão baseada em realidade (não em “hype”): as grandes já estão transformando “agente” em plataforma — com governança, execução e distribuição embutidas — e isso é exatamente o tipo de movimento que espreme ferramentas “prompt-to-app”:
OpenAI já está formalizando o stack de agentes (SDK + guias + primitivas) pra construir workflows agentic de verdade, não só “gerar código”.
Microsoft está levando agente pra “mexer” em software e web mesmo quando não tem API (computer use), e já fala em integrar agentes mais fundo no próprio Windows (o sistema virando “agentic”).
Google está empurrando agente de navegador/uso de sites (Project Mariner / “Agent Mode”), ou seja: agente executando tarefa real na interface, não só respondendo texto.
AWS está empacotando runtime/infra pra operar agente em escala (com políticas/limites, operação e segurança), deixando isso “padrão de cloud”, não gambiarra.
Por isso minha tese é simples: muito do “vibe coding” que virou produto vai ser esmagado por comoditização. Quando esse combo (agente + execução + integrações + governança + custo bom) virar default nas suites e nos clouds — e está caminhando rápido pra isso — a “ferramenta que gera app rápido” vira feature, não empresa. A exceção, pra mim, é quem criar fosso real além de “UX + gerar app rápido”: dados, distribuição própria, compliance, execução ponta-a-ponta, integrações profundas e um ecossistema que não dá pra copiar fácil.
Então eu até concordo com a provocação “não dá pra ser só viável” — mas eu discordo do exemplo e da conclusão implícita de que “MLP + Lovable-style” é norte confiável pro longo prazo. Se o fundamento (gerar software rápido) vira commodity, qual é o moat de verdade aqui quando agentic for mainstream pra todo mundo — não só pra quem já montou stack?