ACEITE! A IA é mais inteligente que você
O que sobra para o humano quando a máquina passa a ter todas as respostas
Em 2026, o ser mais inteligente do mundo não é mais o ser humano. É a IA. Ela tem todas as respostas da internet na memória, e você nunca vai competir com isso. A boa notícia? Você não deveria nem tentar. Existe um lugar onde o humano ainda ganha (e quase ninguém está olhando pra ele).
Na edição de hoje da Newsletter do Moa, eu mostro como parei de competir com a IA e passei a usá-la para tomar decisões que fazem minha empresa crescer.
Agentes
Durante a semana passada eu ouvi a participação do meu amigo Bruno Okamoto no podcast A Próxima Onda. Nesse episódio, ele conta sua saga de poucos meses e milhões de faturamento com o OpenClaw, um agente de inteligência artificial criado para atuar como um assistente digital. O conteúdo foi tão bom que resolvi ouvir outra entrevista do Bruno, mas agora no Podcast Product Guru's.
Eu não tinha dado muita bola para esses agentes autônomos. Minha percepção é que o hype não se justificava, afinal, aparentemente, tudo o que a turma estava fazendo eu já conseguia fazer com meu querido Claude Code. Mas, nesse final de semana, resolvi dar uma segunda chance.
Então, no domingo à tarde, fui pelo caminho tradicional. Procurei por alguns vídeos no Youtube, tentando entender os prós e contras de cada um dos agentes mais famosos, como Hermes, Openclaw, etc. Gostei mais do Hermes, então, fui ler a documentação. Foi quando parei e pensei: “peraí!”.
O caminho tradicional é o caminho pré AI. Era assim que eu buscava saber mais sobre determinado assunto. Mas, na era pós AI, o caminho mudou. Então, eu abri o Claude Code, colei o link da documentação do Hermes, expliquei o problema que queria resolver e pedi pra ele me ajudar. Minutos depois, o próprio Claude tinha instalado o Hermes na minha máquina e eu já estava conversando com o agente através do meu Telegram.
Respostas genéricas
Eu tenho certeza que você já teve uma experiência ruim com inteligência artificial. No meu caso, não foram uma, foram várias.
Todo santo dia eu vejo alguém no Instagram, ou no X, dizendo que está produzindo conteúdo com AI e conquistando milhões de views. Não sei o que essas pessoas fazem, só sei que todas as vezes que eu tentei produzir conteúdo usando AI, só saiu aquele conteúdo água de salsicha, AI slop digno de Linkedin.
E aquelas pessoas que estão resolvendo problemas de negócio com o Claude? Quando eu perguntei para ele o que eu tinha que fazer para diminuir o churn da minha empresa, ele veio com uma resposta completamente genérica, típica daqueles blogposts, que são feitos somente para rankear em SEO e ganhar tráfego orgânico.
E a galera que diz que não programa mais, mas está entregando 10 projetos de forma simultânea, com 20 terminais de Claude Code abertos? Não sei como, porque sempre que pedi para o Claude escrever código, saiu um negócio macarrônico, sem testes, sem padronização, e todo quebrado.
São sentimentos como esse que nos fazem pensar que AI é hype, que não serve para o meu contexto, e que só serve mesmo é para colocar dinheiro no bolso de vendedor de curso. Eu tenho certeza que você já se sentiu assim. Eu já me senti assim durante muito tempo, mas não mais.
O ser mais inteligente do mundo
Antes, o jeito antigo que eu usava para resolver um problema era muito parecido com o que eu descrevi no começo do texto. Diante do problema, eu pesquisava por materiais que haviam sido produzidos sobre o tema. Fazia um filtro inicial, via o que tinha valor e me aprofundava para entender sobre o assunto de forma conceitual. Depois de muito estudar, eu conseguia comparar a teoria com o meu contexto, e, só assim, tomar uma decisão sobre o que fazer, na prática.
Nesse modo de agir, o motor de construção de conhecimento somos nós, humanos. O ser humano consome o conhecimento, o compara com todo o imenso contexto que possui, e toma uma decisão. O ser humano, por ser o mais inteligente do mundo, até então, construía o conhecimento.
Acontece que, em 2026, o ser mais inteligente não é mais o ser humano, e sim a inteligência artificial. Por mais estudioso e capaz que seja um ser humano, ele nunca terá uma fração da capacidade de armazenar conhecimento que uma AI tem. Uma AI tem todas as respostas da internet armazenadas em sua memória. O ser humano nunca vai conseguir competir com isso. E nem deve.
O papel do ser humano não é mais produzir conhecimento. Quem produz conhecimento é a AI. O papel do ser humano é apenas fornecer contexto e tomar decisões.
Um caso de uso real
Dia desses eu tirei uma tarde para me debruçar em cima de um problema de negócio do Tintim. Numa empresa que já está perto dos 7 dígitos de faturamento mensal, a ordem dos problemas é muito mais complexa e, consequentemente, as respostas desses problemas são muito mais difíceis de se encontrar e compreender.
Então, abri meu Claude Code, coloquei no modelo Opus e comecei a conversar com ele. Conforme fomos avançando, ele foi me pedindo mais contexto. Pediu nosso faturamento, nosso histórico de churn, dados de uso da plataforma, LTV, CAC, etc. E eu, agindo como seu estagiário, fui buscando todas essas informações e colando no chat.
Foi quando me veio um estalo: “Para a AI fazer um bom trabalho de análise, esse contexto precisa estar acessível e amigável para ser consumido”. Ficar nesse papo de copia e cola não fazia sentido. É muito mais prático entregar o acesso aos documentos para a AI e mandar ela se virar. Ela é a mais inteligente da sala, lembra?
Foi quando eu tive a ideia de montar um repositório que centralizasse todo o contexto sobre o Tintim. O objetivo era fazer a IA produzir conhecimento para me ajudar a tomar boas decisões. Nesse caso, o contexto eram decisões de produto.
(Antes de seguirmos, vamos nos alinhar: não quero entrar em detalhes técnicos aqui. Eu quero explicar a lógica, explicar o porquê, para que você entenda o fundamento e consiga replicar para seu contexto, ok?)
A estrutura do sistema é muito simples. Eu tenho três grandes entidades (tipos de dado):
Fato é tudo o que aconteceu no mundo real. Um pagamento, uma ação no sistema, um chamado no suporte, uma resposta a uma pesquisa, etc.
Conhecimento é o que a AI produz a partir desses fatos. Uma análise, uma hipótese, um diagnóstico, uma conclusão, um insight, etc.
Decisão é tudo o que eu escolho fazer ou não fazer, a partir do conhecimento produzido pela AI.
O que eu fiz foi produzir uma documentação robusta explicando todas as fontes de dados (fatos) relevantes do Tintim, onde elas estão e qual a melhor forma de consumi-las. Esse é o setup.
A partir disso, eu abro uma janela do Claude Code e pergunto “Como eu faço para dobrar de tamanho todo ano, durante os próximos três anos?”. Não dá para responder uma pergunta complexa dessas sem ter contexto da empresa. Sem saber o histórico de faturamento, o total de investimento em mídia, o churn, o uso da plataforma, o tamanho de mercado, etc. Ótimo, pois agora a AI tem acesso a tudo isso.
Conclusão
Repara que meu papel não é mais produzir conhecimento, mas sim tomar decisão. Não adianta eu competir com a inteligência artificial na produção de conhecimento. Ela sempre vai ganhar. Agora, no exercício da sabedoria, o humano continua sendo mais capaz.
A AI não vai ser capaz de me dizer o que eu devo fazer para dobrar de tamanho. O máximo que ela consegue fazer é desenhar hipóteses muito acuradas, dado que ela terá acesso a todo o contexto. Mas a decisão de qual hipótese atacar e, principalmente, qual não atacar, continua sendo minha.
Tomar essa decisão exige muito mais contexto do que é possível fornecer para a AI. Você não consegue fornecer seus sentimentos para a AI. A sua intuição. O que você sonha. O que está no seu inconsciente. Todas as situações que você já viveu, todos os livros que você já leu, todos os filmes que já assistiu. É esse contexto que diferencia conhecimento de sabedoria.
Na era da AI, o papel do ser humano deixa de ser a produção do conhecimento e passa a ser a tomada de decisão. Não concorra com a AI. Use-a a seu favor.
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