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Como leio livros usando inteligência artificial

Como a IA pode turbinar seus estudos em 10x

A maioria das pessoas lê da forma errada. Pegam um livro, começam do início, chegam à metade e abandonam. Resultado? Pilhas de livros não terminados e culpa acumulada.

Mas, e se você pudesse decidir em 10 minutos se um livro merece ser lido? E se pudesse revisar 200 páginas sem precisar reler tudo? A IA tornou isso possível, e, na edição de hoje da Newsletter do Moa, vou te mostrar exatamente como.

O Hábito

O hábito da leitura foi um dos primeiros hábitos que adquiri. Lá em 2016, eu comecei a ler o blog do Raiam Santos e fiquei impressionado com o que ele relatava: ele consumia mais de 300 livros por ano. Insano. Através de seus textos, eu fui entendendo a importância do desenvolvimento pessoal, e como esse processo passa, necessariamente, por bons hábitos. Leitura era um deles.

De lá pra cá, comecei e não parei mais. Entre obras que finalizei ou abandonei, já são quase 250 (245 para ser mais exato). Sei disso porque catalogo tudo o que leio.

Já li livros dos mais variados assuntos. Os temas mais recorrentes são empreendedorismo, marketing e vendas, desenvolvimento pessoal, negócios no geral, filosofia e história. Mas, no meio desses, tem uns meio diferentes, como livros sobre cinema, sociologia e antropologia. Eu sou uma pessoa muito curiosa, e pelos temas mais aleatórios.

Leitura é, junto com o esporte, o hábito mais longevo que carrego na minha vida adulta. Já são quase 10 anos acordando cedo, fazendo meus agradecimentos, e lendo durante meia horinha, todo santo dia de manhã. Eu levo tão a sério esse hábito que, todo ano, me organizo para ler pelo menos 200 dias.

Mas, como tudo na vida, não basta fazer muito, tem que fazer direito. Por isso, um tema que me interessa muito também é saber como estudar do jeito certo. Já escrevi, inclusive, um texto contando como eu estudo. O texto de hoje é uma extensão desse assunto, agora, com um tempero extra: inteligência artificial.

O uso de ferramentas como o ChatGPT da OpenAI, e o NotebookLM do Google, me ajuda a identificar se um livro vale a pena ser lido, e também a revisar livros que já li anteriormente, sem precisar, necessariamente, lê-los inteiro novamente. Para os livros que não valem a pena serem lidos por inteiro, o ChatGPT me ajuda a entender minimamente o conteúdo, produzindo um resumo melhor que um humano faria.

Abaixo, te mostro como faço tudo isso.

Como leio livros usando inteligência artificial

Passo 1: Consigo uma versão digital

Para ler um livro usando uma IA, o primeiro passo de todos é conseguir uma versão desse livro em PDF. Eu já experimentei outros formatos, como ePub e txt, mas, o PDF, daqueles que o conteúdo é em texto mesmo, e não uma foto da página, são os que funcionam melhor. Eu não vou te ensinar a conseguir esse PDF. Faça do jeito que achar melhor, por sua conta e risco.

Passo 2: Resumo o conteúdo

Com o PDF do livro em mãos, o próximo passo é saber se vale a pena investir tempo para ler este livro. Para isso, eu uso um sistema chamado Cornell Method. É uma técnica de anotações estruturadas, que ajuda a organizar e revisar informações de forma eficiente. Aprendi isso com um post do João Vitor, do G4.

Para fazer a análise, utilizo o seguinte prompt com o ChatGPT:

Estou pensando em ler o livro High Output Management, faça um resumo usando o Cornell method e me ajude a entender se eu deveria ou não gastar tempo lendo o livro inteiro.

Dá pra fazer isso sem utilizar o PDF do livro como anexo. Se usar, melhor ainda.

Passo 3: Organizo o ambiente de revisão

Vale a pena ler o livro? Se eu achar que sim, eu jogo o PDF para o iPad, e abro com o aplicativo CollaNote. Ultimamente, tenho preferido ler dessa forma, ao invés de ler o livro físico. É mais prático fazer notas no PDF, no iPad, do que ficar usando régua, lápis e canetas num livro físico (eu gosto de ler deitado no sofá, e não sentado numa mesa).

No computador, eu preparo, no Notion, uma página para resumir minhas notas, e um NotebookLM com o livro em anexo, para resumir os capítulos lidos. No Notion, eu listo todos os capítulos do livro como títulos. Uso o NotebookLM para extrair esses capítulos.

Então, ao terminar um capítulo, ao invés de seguir direto para o próximo, eu vou ao NotebookLM criado e faço um resumo do capítulo em tópicos. Para isso, uso o prompt abaixo e, em seguida, insiro o capítulo que quero resumir.

Você é meu assistente de estudo. Seu trabalho é resumir capítulos de "High Output Management" de Andrew S. Grove, **somente com base no texto original**.
Diretrizes:
• Idioma: português.
• Formato: só bullet points (máx. 2 níveis).
• Ordem: siga rigorosamente a sequência de ideias do capítulo; nada de reordenar.
• Conteúdo: inclua apenas conceitos que realmente apareçam no texto; sem interpretações adicionais.
• Citações: quando um trecho exato for importante, coloque-o entre aspas e cite a página; do contrário, omita.
• Tom: neutro e conciso; evite adjetivos e comentários pessoais.
• Não use emojis, títulos ou seções extras.
• Este livro é dividido em partes e capítulos.
Toda vez que eu disser "Capítulo X", entregue o resumo desse capítulo seguindo as regras acima.

Então, copio e colo o resumo no Notion, no título que preparei para aquele capítulo, e vou revisando o que foi escrito pelo NotebookLM. Importante dizer que eu mexo bastante nesse resumo que foi produzido. Adiciono trechos que faltaram, removo trechos que não são relevantes, e ajusto algumas traduções mal feitas. Esse é, de longe, o ato mais importante para a fixação do conteúdo.

Algumas observações

Eu já tentei fazer esse processo com o ChatGPT, usando a funcionalidade de projetos. A qualidade do resumo que ele faz é um pouco superior à qualidade do NotebookLM. O problema é que o ChatGPT alucina bem mais, a ponto de ficar inviável. Como o objetivo aqui é revisar o livro e fixar o conteúdo, é até melhor que a qualidade do NotebookLM seja um pouco inferior, pois me força a revisar o que foi gerado.

Outro ponto: eu uso este mesmo processo para “ler” livros que tenho interesse, mas que, por qualquer motivo que seja, não quero ler a obra completa. Fiz isso, por exemplo, com o livro O novo Gerente-Minuto. Era um livro que eu imaginava já conhecer seus conceitos, mas que, por ter sido bem recomendado, eu queria indicar a leitura para os líderes do Tintim. Para indicar com propriedade, resolvi usar o método para fazer uma leitura dinâmica. O resultado foi excelente!

Por fim, posso dizer com segurança que esse processo elevou a qualidade do meu estudo. Consigo perceber claramente que fixo muito melhor o que leio. Percebo isso porque recorro menos às notas que fazia nos livros.

Vivemos na melhor era da humanidade. A inteligência artificial é uma mão na roda para exponencializar a capacidade de trabalhos intelectuais, tanto para quem quer aprender melhor quanto para quem possui mais livros do que tempo disponível para lê-los (como eu).

E aí, gostou? Aplica esse método na sua rotina de estudos, e me diz aqui nos comentários o que você achou.

Tmj!


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É curioso ver um texto ensinando “como ler com inteligência artificial”. Porque, em essência, o que ele ensina é como deixar de ler.
Não há ironia nenhuma aqui...

A IA não resume. Ela digere. E entrega de volta um purê sem sabor, onde a voz do autor foi apagada e substituída pela voz genérica do algoritmo.

Aquela frase que o escritor demorou uma tarde para lapidar, o ritmo de uma metáfora, a curva de uma ideia, tudo isso otimizado como ruído..

O que se perde não é o tempo, é a experiência.
E essa pressa por eficiência é, paradoxalmente, o maior sintoma de ignorância moderna..

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Meus 2 cents,

Bem, o autor deixa claro que ele efetivamente le o livro usando o PDF via "CollaNote".

Entretanto, ele usa a IA para duas coisas:

  • ANTES: Fazer uma pre-analise do livro (Cornell Method)

  • DEPOIS: Fazer um resumo/notas via NotebookLM e exporta para o Notion onde complementa com seus proprios pontos de vista.

Isto posto - o metodo dele nao me parece ruim, nao esta delegando para a IA "mastigar" o livro, mas usando como ferramenta para filtrar (ANTES) e acelerar o processo de fixacao (DEPOIS).

Mas entendi o ponto que voce colocou - e que tambem tem de ser levado em consideracao: afinal, ao usar a IA como parte do processo nao estamos nos afastando justamente da habilidade que a leitura remete ?

Eh uma excelente questao.

Saude e Sucesso !

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É isso aí.

afinal, ao usar a IA como parte do processo nao estamos nos afastando justamente da habilidade que a leitura remete ?

Não acho. Acho que estamos, inclusive, melhorando essa habilidade, justamente porque a IA nos permite ler e fixar com mais acurácia.

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Pois eh - nao que eu concorde com a assertiva "... nos afastando justamente da habilidade...", mas eh algo que acho interessante questionar.

A IA eh tao nova, tao recente mas ao mesmo tempo tao transformadora - que nao temos metrica palpavel do quanto ela esta transformando nossa realidade.

Deixando para reflexao: talvez o lancamento do "OpenAI Atlas" (navegador) seja um destes momentos onde a IA deixa de ser uma "coisa" para ser tornar "uma infra" - e sabe o cosmos onde isso vai dar.

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Isso não poderia ser só um hábito prazeroso? sem a necessidade de consultar uma IA pra saber se vale a pena ou não? que viagem. Acho que as pessoas poderiam só aproveitar algumas coisas sem transformar tudo em produtividade e metas, como que ficaria essa metodologia aplicada a arte?

Sla mano, eu também tenho esse hábito desde pequeno e ler algumas obras realmente relevantes como Vidas Secas do Graciliano Ramos, e outras que te fazem ter reflexões sem deixar óbvio o raciocínio, tem muito mais a acrescentar do que um livro de uma figura como a do Raiam Santos.

se for pra estudos acadêmicos até acho que conseguiria fazer mas deixar na mão da IA a decisão se devo ou não ler uma obra é loucura, lembrei do pessoal da leitura dinâmica. As vezes é muito bom fazer as coisas sem a preocupação de ser o melhor naquilo, senão tudo é uma corrida.

É minha visão, espero não ter sido arrogante, tmj!

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Isso não poderia ser só um hábito prazeroso? sem a necessidade de consultar uma IA pra saber se vale a pena ou não?

Claro que pode. Sinta-se livre para fazer como achar melhor.

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Meus 2 cents,

Confesso ter sentimentos divididos aqui.

De um lado, a quantidade de informacao/novos conhecimentos que fica disponivel so aumenta, mas a nossa capacidade de absorcao nao acompanha este ritmo - dai precisando de ferramentas que tornem isso menos problematico.

Neste sentido, os metodos que voce mostrou sao otimos - Obrigado por compartilhar !

No outro lado, esta sensacao de "preciso acompanhar tudo" tem ate nome: "Síndrome de FOMO (Fear of Missing Out)"

Basicamente:

“Sindrome de FOMO (Fear of Missing Out)”

Eh a sensacao constante de que voce esta ficando para tras ou perdendo algo importante - muito comum no contexto de excesso de informacao, tecnologia, tendencias e novidades.

Tambem existem conceitos relacionados que podem descrever nuances diferentes do mesmo fenomeno:

TermoExplicacao curta
FOMO (Fear of Missing Out)Medo de estar perdendo informacoes ou novidades; ansiedade por nao conseguir acompanhar.
Infoxicacao / Sobrecarga informacionalQuando o volume de informacao excede a capacidade de processamento psicologico/cognitivo.
Sindrome do impostor (relacao indireta)Sensacao de incapacidade diante de outras pessoas que "parecem saber mais".
Ansiedade de atualizacaoPressao interna para estar sempre atualizado, principalmente em areas tecnologicas.

Nao tenho bala de prata aqui - sim, precisamos estar atualizados e sim, precisamos filtrar/lidar com limites ao que podemos absorver.

Procuro limitar os livros que leio:

  • a aquilo que tenha alguma aplicabilidade mais imediata (p.ex. tecnologia nova, como IA), OU

  • que seja ludico/prazeroso - p.ex. ficcao cientifica, OU

  • que seja alguma recomendacao direta/endossada por alguma colega, OU

  • que esteja muito em evidencia - entao serve para nao ficar "por fora"/"em que caverna voce estava"/"de que planeta voce veio ?"

Livros de auto-ajuda, metodos administrativos "revolucionarios" e semelhantes - so se chamar muito, mas muito mesmo a atencao.

Saude e Sucesso !

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Muito bom. Sigo um método relativamente parecido de como escolher o que ler.

Acho, inclusive, que você pode usar IA como ferramenta para tornar a curadoria do que ler mais assertiva.

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Muito legal! A ideia de resumir em um PDF para entender se vale a pena ler ou não faz muito sentido.

Isso acabaria com as leituras que começo e não termino rs

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Tenho um kindle, mas nada substitui o bom e velho papel, e as vezes é bom ler alguma coisa não técnica também, como Stephen King, alguma HQ, só livro técnico vai te deixar com estresse. Acho válido o resumo com IA para livros técnicos, agora ficção e romance só lê com os olhos, num ambiente quieto e mergulha na história e pronto.

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Eu uso IA para me ajudar a entender os livros, mas de uma forma menos burra e menos de “desligar o cérebro”. Gosto de ler “livros de verdade”, tipo Crime e Castigo, A Morte de Ivan Ilitch, e não esses livros de coach que me dão nojo. Gosto de filosofia e estava lendo Assim Falou Zaratustra. Tinha comprado o livro físico, lia, mas em algumas partes ficava na dúvida se tinha entendido realmente o que ele queria dizer, por ser um livro de filosofia de verdade, às vezes não é fácil. Então fiz isso: baixei o PDF, fiz um script para quebrar em capítulos, lia um capítulo, anexava o capítulo no ChatGPT e pedia para ele me explicar a fundo aquele capítulo. Assim eu lia e depois ouvia uma explicação mais aprofundada, que me mostrava muito mais do que estava só no livro. Não curto esse tipo de coisa de “resuma esse texto pra mim”; desligar o cérebro é muito viciante, ainda mais com coisas que a gente diz gostar. Eu gosto de ler quem pedi resumo não gosta de ler de verdade apenas diz por status mas entendo quem faça por obrigação tipo faculdade.