Concordo totalmente com você. Na minha opinião, os fundamentos são extremamente importantes — talvez a parte mais crítica do problema — mas ainda representam apenas metade da história.
Programar sempre envolve lidar com dois desafios complementares: compreender a lógica do que precisa ser feito e expressar isso através da sintaxe de alguma linguagem.
Ser agnóstico na linguagem e focar em fundamentos, nos conceitos universais — algoritmos, estruturas de dados, recursão, loops, condicionais — ajuda muito, porque esses conceitos funcionam em qualquer linguagem. Mas isso não significa que dá para escapar de aprender sintaxe: cada linguagem tem suas regras e jeitos de escrever, e ainda é preciso se virar com elas.
Fundamentos diminuem a curva de aprendizado, sim, mas ela ainda existe e é multiplicada pela quantidade de opções disponíveis.
Seguindo o exemplo do texto: desenvolvimento de interfaces gráficas em Python. Tem as bibliotecas consolidadas, tipo tkinter, PyQt/PySide e wxPython, e as mais novas, como Kivy, DearPyGui, Flet, Eel, PySimpleGUI e NiceGUI. Todo ano aparecem outras, entram em hype, e a lista só cresce. Tentando aprender todas elas, não se sai do lugar.
Enquanto, neste exemplo, HTML, CSS e JavaScript resolvem o mesmo problema de forma universal: aprende uma vez e usa sempre, seja web, desktop ou mobile, e ainda não mostram sinais de desaparecer tão cedo.
No fim, acho que nossos pontos se complementam perfeitamente: fundamentos sólidos resolvem o primeiro problema (a lógica), e tecnologias universalistas resolvem o segundo (a sintaxe), sem se perder no mar infinito de opções que surgem todo ano.