A distopia que a IA me levou
Há mais ou menos 4 anos criei essa conta, justamente com a concepção de promover meus projetos e ideias, e além disso, discutir com pessoas que gostam do que sempre me atraiu. Aquele adolescente do ensino médio, entusiasmado com computação desde a sua pré-adolescência cresceu, hoje com 20 anos.
Entretanto, atualmente me encontro desiludido com a área. Ano passado, trabalhei como jovem aprendiz em uma empresa multinacional, não era do departamento de TI, mas meio que me tornei "o garoto dos scripts" estando fora dela. Antes de entrar na empresa, eu estava estudando rust e python. Rust porque era uma linguagem que na época estava em um hype absurdo e python porque tinha uma comunidade gigante, o que tornaria envolvente criar programas simples. Lá dentro, acabou que eu nem usei nenhuma das duas, era política da empresa tudo que fosse baixar no computador, deveria ser aberto um chamado com o TI para baixar o que gostaria. Por exemplo, não consegui utilizar python, pois era necessário ter o interpretador baixado na máquina para programar, e desisti de pedir acesso, pois segundo algumas pessoas (e experiência própria) demorava muito a ser resolvido. Acabei optando a aprender powershell (por ser nativa) e utilizar essa tecnologia como ferramenta, para eu conseguir automatizar as tarefas e resolver problemas. É exatamente nesse ponto que a IA entra.
Fazendo meu trabalho, percebi que as pessoas pouco se importavam se o meio que utilizei para resolver um problema foi genial ou não (um ou outro se importa, mas isso comparado ao todo não é nada). Cheguei a conclusão que, pelo menos onde eu estava, o que realmente importava era a solução do problema, não o que o resolveu e como. Durante boa parte do desenvolvimento das soluções, utilizei o chatgpt para me ajudar a programar na linguagem que eu nunca havia estudado antes. E... funcionou! Devido aos curtos prazos de entrega da solução do problema, certamente o código ficava uma lambança, mas funcionava, e isso era o que tinha valor.
Durante boa parte dos meus estudos, eu estudava porque aquilo me traria resultados sociais, quase que instantâneos. Isso veio da escola, "aprender" em um dia, para no próximo parecer o inteligente para os amigos. Hoje percebo que isso é uma vaidade, não vale a pena a longo prazo: relações são passageiras, aprendizado não.
No trabalho, após ter percebido que o que realmente importava era resolver o problema, não o como, passei a apenas usar a IA como fim por um tempo. Por eu gostar de programar, eu voltei posteriormente a usar a IA lá dentro, como apenas um auxiliador na linguagem powershell. Além disso, no meu interior eu acreditava que as pessoas achavam que, por eu ser uma pessoa relativamente nova, usava a IA para tudo e consequentemente não sabia verdadeiramente de nada. Esse sentimento é recíproco... Pra mim todos que fazem algo grande, usou IA. E por conta disso, computação deixou de ser o diferencial, com o tempo está se tornando algo "comum". O que anteriormente só era feito pelos esforçados, hoje se tornou algo ok.
Atualmente larguei o trabalho e foco integralmente em estudar para o Instituto Tecnológico de Aeronáutica, no ramo do militarismo. Porque acredito que lá poderei programar com elegância e com pessoas que realmente se importam com a forma que se chegou em uma determinada solução.
Em resumo: a utopia que era, em essência, programar, hoje já não existe. A IA tornou a utopia numa distopia. No entanto, ela me mostrou que o aprendizado vale muito mais que vaidade momentânea.
Obrigado ao HerbertGeorgeWells por expôresse pensamento, me fez refletir sobre a programação e o peso da IA. Lapidou certos discernimentos.