Aprendendo com o Brazilian Accelerationism (br/acc)
Nas últimas semanas, um brasileiro ganhou enorme visibilidade ao afirmar, em um post no X, que havia criado uma ferramenta capaz de cruzar dados públicos para mapear o risco financeiro de políticos. Segundo a divulgação, o sistema utilizava o CPF de agentes públicos e já teria identificado dezenas de milhões de reais em risco potencial ao conectar emendas, licitações e empresas ligadas a familiares.
Em pouco tempo, ele se tornou o assunto do momento. Saiu na Revista EXAME e em diversos outros veículos de imprensa.
Desde o início, mantive uma postura cética. Sempre me pareceu mais entusiasmo do que aplicação prática. Quando o código foi publicado, isso ficou claro: havia dados simulados, cruzamentos questionáveis e uma série de inconsistências que não vale detalhar aqui.
Talvez tenha sido apenas empolgação com a própria ideia. Talvez a imprensa e quem está fora da bolha de tecnologia tenham elevado as expectativas a um nível irreal. Não é a primeira vez que algo técnico vira manchete antes de virar produto.
Isso me lembrou uma frase de uma coordenadora da escola onde estudei. Certa vez, ao me dar uma advertência por escrito por supostamente ter "hackeado" celulares de alunos - algo que, na prática, nunca aconteceu -, ela disse: "todas as situações nos servem de aprendizado". No fim, era apenas desconhecimento técnico transformado em narrativa. Soa familiar.
Em vez de focar na frustração, comecei a pensar em como transformar esse momento em algo construtivo. Como podemos canalizar essa atenção para criar algo realmente útil?
Os dados públicos existem para serem públicos. A Lei de Acesso a Informacao garante não apenas o acesso, mas também que essas informações sejam fornecidas em formato legível por máquina. Isso significa dados estruturados - planilhas, bases organizadas, APIs - e não apenas PDFs difíceis de analisar.
Então surgiu a ideia: por que não começar pequeno, mas com método? Que tal mapear quanto cada prefeitura pagou por canetas em 2025? Pode parecer simples, mas é um ponto de partida concreto, verificável e replicável.
É assim que começo essa jornada. Toda semana vou compartilhar a evolução do projeto.