Muitos sistemas ERP existem no mercado, mas a realidade é que cerca de 70% das empresas não têm condições de manter um contador interno ou uma equipe fiscal/contábil. Por isso, acabam terceirizando esses serviços para escritórios de contabilidade.
Esses escritórios, por sua vez, precisam escolher um software que se adapte ao seu processo de trabalho. Afinal, é inviável criar rotinas diferentes para cada cliente que utilize um ERP distinto. Uma alternativa seria padronizar o uso de um único ERP dentro do escritório, mas isso gera limitações: cada empresa tem processos, recursos e necessidades específicas que nem sempre se encaixam em um sistema único.
O resultado é a fragmentação: cada parte trabalha com ferramentas diferentes, e a integração se torna complexa. O SPED tentou criar uma padronização mínima, mas de forma limitada e voltada apenas às exigências do governo.
Caminho possível
O que realmente seria necessário é desenvolver um processo de padronização de dados que permita que todos os sistemas conversem entre si sem perda de informações. Isso poderia ser feito por meio de:
- Modelos universais de dados: campos e formatos comuns a todos os ERPs.
- Integrações via API: conectores abertos e compatíveis entre softwares.
- Plataformas intermediárias: soluções que traduzem dados de diferentes ERPs para um padrão único.
- Evolução do SPED: transformá-lo em um verdadeiro protocolo de interoperabilidade, e não apenas em um repositório fiscal.
Esse tipo de padronização permitiria que empresas escolhessem o ERP que melhor atende às suas operações, enquanto escritórios contábeis receberiam dados já normalizados, sem retrabalho ou perda de informação.