Silva, você foi cirúrgico cara!
Isso toca no calcanhar de Aquiles da nossa vaidade corporativa. O que você descreveu é a constatação de uma hipocrisia escancarada que a onda de IA finalmente tirou do armário. Antes o papo não era velocidade de escrita de código, era muito mais focado no clean-code, não era se o dev tinha fit cultural, era se ele tinha uma filosofia de desenvolvimento de software priorizando boa escrita, códigos fáceis de ler, entender e manter, se o cara entendia do produto/negócio... Dói, mas isso na média tá acabando!
Essa febre dos LLMs expôs que o discurso de qualidade, clean code, arquitetura robusta e segurança máxima muitas vezes só existia para passar de bonito no LinkedIn ou em palestras de tecnologia. Antes era um verniz de sofisticação.
Agora, bastou o mercado colocar uma ferramenta na mão dos gestores e desenvolvedores que promete entregar o triplo de linhas de código na metade do tempo para todo aquele evangelho de boas práticas ser jogado na primeira lixeira que apareceu. A pressa e o faturamento imediato sempre falaram mais alto, a diferença é que agora as pessoas têm uma desculpa tecnológica para terceirizar a própria responsabilidade. Antes era o couro de quem tava ali codando na unha.
Esse seu ponto sobre a segurança é a mais pura e dolorosa verdade, me irrita também. O pessoal de cibersegurança/segurança da informação nunca precisou de uma superinteligência alienígena para encontrar falhas catastróficas, porque o básico do desenvolvimento seguro quase nunca foi feito. Pq a maioria dos sistemas corporativos é uma linda carruagem e um cavalo sendo segurado por um barbante. É fato!
O que a oferta infinita dos LLMs fizeram não foi criar uma mente brilhante capaz de hackear o impossível, eles simplesmente automatizaram a varredura do óbvio. Eles pegam aquela montanha de código negligenciado, códigos cheios de brechas primárias que sempre estiveram lá, e entregam o mapa da mina para qualquer um que saiba apertar um botão. Nem precisa contratar um pentester! Hahaha
O que estamos assistindo agora é uma geração inteira de profissionais virando refém de geradores de probabilidade estatística. A ironia é monumental, passamos anos discutindo a sofisticação da engenharia de software para terminar aceitando qualquer código mediano, algoritmos inseguros e sem contexto, só porque ele apareceu na tela em cinco segundos. Só isso!
No fim das contas, como citou a frase do Mestre dos Magos, o que o Torvalds disse nunca fez tanto sentido, mas tem um gosto bem amargo. O falatório barato cansou, e o código que estão mostrando por aí, inflado por automações sem critério, está cobrando o seu preço na realidade através de brechas, lentidão e sistemas impossíveis de manter.
A conta dessa irresponsabilidade coletiva vai chegar e não vai demorar!