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DESABAFO: O que vi na TI dos anos 80 até os dias de hoje é assustador. ALERTA DE TEXTÃO!

Fala, pessoal!
Beleza?

Esta é a primeira vez que venho aqui publicar no TabNews. Publico com frequência atualizações no LinkedIn e decidi agora compartilhar por aqui o que discuto por lá também.

Bem, eu estava vendo minhas postagens mais antigas e achei uma onde eu questionava, pela primeira vez há alguns anos, sobre qual seria o caminho/limite da IA. Então, aqui vou explorar mais o formato fórum do que artigo técnico.

Comecei a programar com 11 anos de idade num IBM Personal Computer XT que, além de entregar minha idade, tinha originalmente (pasmem, rapazes) imensos 128 kB de memória (128 KILOBYTES). Isso era 8 vezes menos que 1 MB.

Meu PC inteiro tinha menos de 16 milhões de vezes o que você carrega em seu iPhone hoje. Ele tinha um disco flexível (famoso disquetão 5 1/4) de 360 kB, com um disco rígido (HD) de 10 MB.

Para mim, isso era uma máquina de escrever com tecnologia alienígena!

A propósito, eu usei máquina de escrever. Antes do meu PC XT, usei também o LP (disco de vinil) e vi ele perder para o hype da fita K7. Vi a fita K7 perder para o hype do CD e, junto, os disquetes perderem para o hype do pen-drive e para o HD Externo.

Provavelmente você que está lendo é um jovem de 20 e poucos anos, nunca usou uma lista telefônica, nunca acordou com um despertador antigo de metal (talvez nem com um rádio-relógio), nunca usou telefone fixo e nem um público (orelhão), muito menos um mimeógrafo, nem usou papel carbono num formulário de papel, nem registrou imagens com um filme fotográfico Kodak de 36 poses.

Não vejo demérito algum nisso, em jovens programadores, porque essa era a tecnologia que foi sendo disponível em décadas para mminha geração. Antes eu era visto como o Steve Jobs ou o Bill Gates da minha cidade natal porque tinha uns 3 programadores por lá. Hoje somos milhões, nichados, front-end, back-end, generalistas e especialistas.

Eu só vim do passado para dizer uma coisa: tecnologias nascem e morrem. Algumas outras apenas evoluem.

Antes mesmo de ver Andrej Karpathy cunhar este termo "vibe-coding" em meados de 2024 eu já conhecia e usava Inteligência Artificial, de um modo muito arcaico comparando com o uso de IA nos dias de hoje e, diga-se de passagem, bastante limitado.

Comecei na USP (Universidade de São Paulo) em 2015 usando a inteligência artificial chamada LUIS (Language Understanding) da Microsoft. Eu criava modelos de Processamento de Linguagem Natural (PLN) para aplicações. Eram meros scripts python em chatbots que identificavam intenções a partir da Linguagem Natural que extraia e classificava informações de textos. Tudo isso sem Machine nem Deep Learning, sem LLMs, apenas matemática sobe tokens de texto.

Sem preconceitos: sou um dev raiz e vi muitos hypes tecnológicos. Sou de uma era analógica que fez uma transição forte para a era digital.

Hoje sou um CTO. Sou animal jurássico perto de muitos de vocês. Mas o meu objetivo aqui não é ser um Cavaleiro do Apocalipse e pedir para fugirem para as montanhas. O que quero trazer é uma mensagem clara e sóbria: IA não é tudo!

**Vocês devem lembrar do auge do ChatGPT em meados de 2024, quando o termo "Vibe Coding" explodiu em nosso meio. Essa transição eu também vivi para ver. Uma nova evolução, um novo caminho ramificado da programação, assim como foi o front-end para quem só programava em linguagem de baixo nível ver o dev javascript. É normal!
**

Os dias de hoje me assustam por 1 motivo.

Em 2024 a promessa era linda: você sentava na cadeira, digitava três linhas de prompt em linguagem natural e a IA cuspia um microsserviço inteiro rodando. O time-to-market voou, todo mundo se sentiu o próprio sênior do Vale do Silício e parecia o fim das barreiras de entrada pro desenvolvimento de software.

Corta para 2026! O hype passou, os modelos locais ou cloud (tipo MiniMax-M3, DeepSeek e Llama via Ollama) rodam direto na nossa máquina a preço de banana, e a realidade bateu na porta com a força de um DDoS no ambiente de produção.

O diagnóstico? Estamos trocando sustentabilidade de longo prazo por dopamina de execução imediata. O "Vibe Coder" virou um mero agregador de blocos pretos cuja lógica interna ele mal consegue debugar em sua mente. Isso importa? Para a média, não.

O vibe coder é mais uma skill, não uma profissão. Um médico, um advogado, alguém que não sabe diferenciar uma variável de um laço de repetição e usa agentes de IA para construir algo ainda não é um programador. É um médico, um advogado ou alguém com a skill vibe-coder. Não estou menosprezando ninguém, é um fato. Entra no Google e busca por "vaga vibe-coder" e conte quantas vagas aparecem. É um fato!

Na produção de software profissional, o programador de verdade pode ser um programador vibe-coder (é até redundante dizer) mas, um vibe-coder não é um programador.

Esse é o problema (ou meu reclame), o de que um vibe-coder pode ser um profissional respeitado como outro qualquer, mas um vibe-coder em si só não possui o que quem estudou programação tem. O vibe-coder pode estudar e conhecer, esse conhecimento é grátis, a internet é inundada de conteúdo bom sobre tecnologia. Mas enquanto você for um vibe-coder (se for um), você não conhece os problemas que arquitetura/engenharia de software precisa resolver no dia a dia. E tá tudo bem!

Olhando o Raio-X do caos (os números não mentem) pra quem achava que era choro de sênior jurássico-saudosista, o problema que me assusta é: **uma única skill está diminuindo a percepção de valor do programador como nunca houve antes. **

Com a IA, a produção de código bom estagnou, fazer um CRUD hoje não é mais problema, criar um dashboard ou conectar banco de dados virou task no modo planejamento do agente que se resolve com um MCP. Acho isso ruim? De maneira nenhuma!

Todo conteúdo, seja texto, código, vídeos e imagens estão cada vez mais sintéticos. Escrever um texto (como estou escrevendo) na mão, sem usar IA está cada vez mais raro. Pensar, planejar e programar, então, ainda mais!

O que me assusta é a artificialidade e a terceirização do pensar. Isso parece que vai se esgotar em breve.

Lembram daquele report clássico da GitClear que analisou mais de 200 milhões de linhas de código? A explosão de Ctrl+C e Ctrl+V fez o volume de código clonado e duplicado via chat de IA pular de 8% pra mais de 12%.

A parada já era bizarra no final de 2024, mas o negócio (ou problema) escalou, teve outras vertentes e bateu forte: grana.

Tokenmaxxing e o repasse do subsídeos

Em 2026, mesmo com as melhroes IDEs e códigos réplicas de réplicas extraidos das LLMs, front-end sendo tudo igual, a curva parece estar se achatando.

Para o cliente médio, isso é solução profissional. Já o cliente corporativo, isso não é o suficiente nem profisisonal. Então, mergulhamos no uso intenso dos agentes, as cotas estão cada vez menores, agentes e IDEs queimando tokens como um dragão, seja Claude Code, Antigravity, Copilot, todas se esforçam para te bloquear e forçar um upgrade de plano pago. O que antes pagava e parecia ter uma cota infinita, agora é bem pequena.

E os subsídios nem acabaram ainda, a conta nem chegou por completo, o boleto dessa conta está começando a chegar e a brincadeira está ficando cara, quase proibitiva para muitos vibe-coders ou devs juniores que estão entrando.

O que está acontecendo?

A morte do refactoring: Sabe aquela faxina boa no código (git refactor)? A taxa despencou de 25% para menos de 10%. A galera só sabe socar feature nova, mas ninguém limpa o chão da cozinha.

Falta de contexto global: Como as IAs ainda sofrem pra buildar um mapa mental perfeito de monolitos ou microfrontends gigantes, elas reinventam a roda a cada três prompts. Resultado? O projeto fica com 15 funções diferentes para fazer exatamente a mesma validação de string.

O que vejo agora é o fim do "desenvolvedor babá". Em vez de interagir manualmente com a IA (copiando, colando e corrigindo erros), o engenheiro define um gatilho e uma meta verificável. A IA então trabalha de forma autônoma, corrigindo bugs e refinando o código.

A Engenharia de Prompt (me desculpe, mas odeio esse termo) morreu e virou uma perda de tempo primitiva tentar gerar algo melhor via prompt. Com o paradigma agent-first, simplesmente nossos agentes entendem um arquivo AGENTS.md e SKILLS.md organizando o projeto de forma muito mais eficiente.

Hoje, escrever código na era dos agentes exige que você saiba mais abstração do que como conectar um banco de dados via MCP. Você precisa ter a capacidade de focar nos aspectos essenciais de um problema, ignorar detalhes irrelevantes ou complexidades de implementação para otimizar o custo que está cada vez maior. Você precisa ter o skill de criar modelos mentais simplificados de um algoritmo, tornar o seu código algo mais limpo, reutilizável e fácil de entender.

GAAS (Gambiarras as a Service) e o "Dev Paleta Mexicana"

Sejamos sinceros e deixemos o politicamente correto de lado (porque o café já fez efeito) por aqui: vibe-coder purista não é programador.

Projetos tocados puramente na "vibe" estão entupidos de gambiarras que fazem um programador raiz chorar. E o pior: o cara não faz a gambiarra porque precisa de um workaround rápido, ele faz porque não sabe distinguir código limpo de lixo legível.

Quase 30% do código Python e 24% de JS gerados direto por LLMs vêm com falhas de segurança nativas. Se você não revisa o PR, você está assinando um termo de compromisso com o próximo vazamento de dados. O mais comum até hoje são as chaves de API no GitHub por falta de um arquivo .gitignore, o relatório da Microsoft revelou que foram mais de 39 MILHÕES de chaves de API vazadas (1). Parece brincadeira, mas não é. Basta acessar o GitHub e buscar, por exemplo, pela chave de API da OpenAI (2) e vai ver.

POO? Não! Agora é a era do POG (Programação Orientada a Gambiarra)

Aí eu lanço a braba: o que vai ser das faculdades de TI e dos bootcamps mágicos daqui pra frente? Será que os cursos de "Aprenda a programar do zero em duas semanas" vão virar a próxima franquia de Paleta Mexicana ou de Frozen Yogurt? Spoiler: já viraram.

O que eu espero do Dev de 2026?
Menos "Engenheiro de Prompt" e mais Arquiteto de Software maduro usando IA.

A parada aqui não é ser ludista e mandar o Claude Code, Antigravity, Copilot ou o Cursor pro espaço. A IA veio pra ficar e quem não usar vai ser engolido. A virada de chave para 2026 exige que a gente mude de nível na esteira de produção.

A verdadeira produtividade para mim não é commitar 5.000 linhas de código por dia (isso é métrica de vaidade que só serve pra estourar o limite de armazenamento do GitHub).

Produtividade real é dominar a arquitetura, o ecossistema e a regra de negócio com tanta profundidade que você usa a IA apenas como uma alavanca de eficiência. A IA digita a sintaxe chata, você dita as regras do jogo, os padrões de projeto, a segurança e a resiliência.

Como já dizia a letra clássica dos Engenheiros do Havaí (super cirúrgica pra esse cenário de automação desenfreada): "Quem são eles? Quem eles pensam que são?"

Não deixe a sua stack virar um ecossistema de "Satisfação Garantida, Obsolescência Programada". Se a gente virar mero apertador de botão de IA, eles ganham a corrida antes mesmo da largada e viramos mais dos mesmos amebóides pseudo-nerds.

E na empresa de vocês? O código virou um queijo suíço cheio de duplicatas ou o time conseguiu domesticar as LLMs pra codar com qualidade?

Vou adorar saber quem leu meu textão (choramingo) e puder trazer mais pontos de vista aqui nos comentários!


Fontes do que citei no meu texto:

  1. https://github.blog/security/application-security/next-evolution-github-advanced-security/
  2. https://github.com/search?q=OPEN_API_KEY&type=commits
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Meus 2 cents,

ja programei em folha de codificacao e acordo de madrugada para mijar (junto com a patroa), entao isso ja diz o suficiente sobre idade.

Acho que o ponto central do teu texto eh:

Produtividade real é dominar a arquitetura, o ecossistema e a regra de negócio com tanta profundidade que você usa a IA apenas como uma alavanca de eficiência. A IA digita a sintaxe chata, você dita as regras do jogo, os padrões de projeto, a segurança e a resiliência.

Ja comentei em um post perdido que devo ter conhecido uns 15 DEVs realmente bons durante todas estas decadas - o resto era de mediocre a passavel.

E tudo bem, isso nao impediu que milhares de sistemas ganhassem vida e ajudassem a economia a se desenvolver, automatizaram empresas e tarefas.

Mas como eramos humanos cuspindo codigo, tinha um limite da quantidade de caca que podia ser gerada.

O problema da IA eh que ela gera codigo ruim em Ludicrous Speed, e nao tem como gerenciar isso.

Some aos C-Level tentando posar de eficientes para o board demitindo DEVs como se fosse uma colheitadeira desgovernada - e o papo ficou serio.

Enfim, vejo um paradoxo: para usar a IA com produtividade, o DEV precisa melhorar suas skills - afinal perguntas/direcoes ruins/genericas geram codigos equivalentes.

Acredito realmente que em algum momento vai ter o "grande rollback" e os DEVs vao usar a IA como ferramenta de alavancagem, aprendendo mais, mais rapido e melhor, sem ter de consultar uma biblioteca empoeirada mas com os dados nas pontas dos dedos e sem as idiossincrasias ou atavismos que as vezes cercam as oportunidades de estudo.

Apesar de ser divertido brincar que o mundo vai acabar uma Idiocracy, nao vejo de fato que seja este nosso destino - entretanto, eh razoavel acreditar que ele podera ser um momento intermediario ate a tempestade passar.

Enfim, espero que a proxima geracao de DEVs seja melhor que a minha - afinal a programacao do sistema de biomedicina que terei de usar como paciente sera desenvolvida por eles.

Saude e Sucesso !


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A propósito, eu usei máquina de escrever. Antes do meu PC XT, usei também o LP (disco de vinil) e vi ele perder para o hype da fita K7. Vi a fita K7 perder para o hype do CD e, junto, os disquetes perderem para o hype do pen-drive e para o HD Externo.

Não cheguei a usar máquina de escrever ou vinil, mas vi meu pai usar. Já usei K7 e dali para frente. Ficar rebobinando as fitas com caneta BIC ou as fitas de vídeo das locadoras no aparelho de vídeo cassete (K7).

Concordo contigo, mas eu não acho ruim. Só vai aumentar o meu passe quando precisarem de um dev raiz.
O ruim é ter que limpar a bagunça "das crianças" depois...

E na empresa de vocês? O código virou um queijo suíço cheio de duplicatas ou o time conseguiu domesticar as LLMs pra codar com qualidade?

Aqui ela anda na rédia curta. Só é usada para algumas coisas sempre sob supervisão e revisão de código.