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DESABAFO: O que vi na TI dos anos 80 até os dias de hoje é assustador. ALERTA DE TEXTÃO!

Fala, pessoal!
Beleza?

Esta é a primeira vez que venho aqui publicar no TabNews. Publico com frequência atualizações no LinkedIn e decidi agora compartilhar por aqui o que discuto por lá também.

Bem, eu estava vendo minhas postagens mais antigas e achei uma onde eu questionava, pela primeira vez há alguns anos, sobre qual seria o caminho/limite da IA. Então, aqui vou explorar mais o formato fórum do que artigo técnico.

Comecei a programar com 11 anos de idade num IBM Personal Computer XT que, além de entregar minha idade, tinha originalmente (pasmem, rapazes) imensos 128 kB de memória (128 KILOBYTES). Isso era 8 vezes menos que 1 MB.

Meu PC inteiro tinha menos de 16 milhões de vezes o que você carrega em seu iPhone hoje. Ele tinha um disco flexível (famoso disquetão 5 1/4) de 360 kB, com um disco rígido (HD) de 10 MB.

Para mim, isso era uma máquina de escrever com tecnologia alienígena!

A propósito, eu usei máquina de escrever. Antes do meu PC XT, usei também o LP (disco de vinil) e vi ele perder para o hype da fita K7. Vi a fita K7 perder para o hype do CD e, junto, os disquetes perderem para o hype do pen-drive e para o HD Externo.

Provavelmente você que está lendo é um jovem de 20 e poucos anos, nunca usou uma lista telefônica, nunca acordou com um despertador antigo de metal (talvez nem com um rádio-relógio), nunca usou telefone fixo e nem um público (orelhão), muito menos um mimeógrafo, nem usou papel carbono num formulário de papel, nem registrou imagens com um filme fotográfico Kodak de 36 poses.

Não vejo demérito algum nisso, em jovens programadores, porque essa era a tecnologia que foi sendo disponível em décadas para mminha geração. Antes eu era visto como o Steve Jobs ou o Bill Gates da minha cidade natal porque tinha uns 3 programadores por lá. Hoje somos milhões, nichados, front-end, back-end, generalistas e especialistas.

Eu só vim do passado para dizer uma coisa: tecnologias nascem e morrem. Algumas outras apenas evoluem.

Antes mesmo de ver Andrej Karpathy cunhar este termo "vibe-coding" em meados de 2024 eu já conhecia e usava Inteligência Artificial, de um modo muito arcaico comparando com o uso de IA nos dias de hoje e, diga-se de passagem, bastante limitado.

Comecei na USP (Universidade de São Paulo) em 2015 usando a inteligência artificial chamada LUIS (Language Understanding) da Microsoft. Eu criava modelos de Processamento de Linguagem Natural (PLN) para aplicações. Eram meros scripts python em chatbots que identificavam intenções a partir da Linguagem Natural que extraia e classificava informações de textos. Tudo isso sem Machine nem Deep Learning, sem LLMs, apenas matemática sobe tokens de texto.

Sem preconceitos: sou um dev raiz e vi muitos hypes tecnológicos. Sou de uma era analógica que fez uma transição forte para a era digital.

Hoje sou um CTO. Sou animal jurássico perto de muitos de vocês. Mas o meu objetivo aqui não é ser um Cavaleiro do Apocalipse e pedir para fugirem para as montanhas. O que quero trazer é uma mensagem clara e sóbria: IA não é tudo!

**Vocês devem lembrar do auge do ChatGPT em meados de 2024, quando o termo "Vibe Coding" explodiu em nosso meio. Essa transição eu também vivi para ver. Uma nova evolução, um novo caminho ramificado da programação, assim como foi o front-end para quem só programava em linguagem de baixo nível ver o dev javascript. É normal!
**

Os dias de hoje me assustam por 1 motivo.

Em 2024 a promessa era linda: você sentava na cadeira, digitava três linhas de prompt em linguagem natural e a IA cuspia um microsserviço inteiro rodando. O time-to-market voou, todo mundo se sentiu o próprio sênior do Vale do Silício e parecia o fim das barreiras de entrada pro desenvolvimento de software.

Corta para 2026! O hype passou, os modelos locais ou cloud (tipo MiniMax-M3, DeepSeek e Llama via Ollama) rodam direto na nossa máquina a preço de banana, e a realidade bateu na porta com a força de um DDoS no ambiente de produção.

O diagnóstico? Estamos trocando sustentabilidade de longo prazo por dopamina de execução imediata. O "Vibe Coder" virou um mero agregador de blocos pretos cuja lógica interna ele mal consegue debugar em sua mente. Isso importa? Para a média, não.

O vibe coder é mais uma skill, não uma profissão. Um médico, um advogado, alguém que não sabe diferenciar uma variável de um laço de repetição e usa agentes de IA para construir algo ainda não é um programador. É um médico, um advogado ou alguém com a skill vibe-coder. Não estou menosprezando ninguém, é um fato. Entra no Google e busca por "vaga vibe-coder" e conte quantas vagas aparecem. É um fato!

Na produção de software profissional, o programador de verdade pode ser um programador vibe-coder (é até redundante dizer) mas, um vibe-coder não é um programador.

Esse é o problema (ou meu reclame), o de que um vibe-coder pode ser um profissional respeitado como outro qualquer, mas um vibe-coder em si só não possui o que quem estudou programação tem. O vibe-coder pode estudar e conhecer, esse conhecimento é grátis, a internet é inundada de conteúdo bom sobre tecnologia. Mas enquanto você for um vibe-coder (se for um), você não conhece os problemas que arquitetura/engenharia de software precisa resolver no dia a dia. E tá tudo bem!

Olhando o Raio-X do caos (os números não mentem) pra quem achava que era choro de sênior jurássico-saudosista, o problema que me assusta é: **uma única skill está diminuindo a percepção de valor do programador como nunca houve antes. **

Com a IA, a produção de código bom estagnou, fazer um CRUD hoje não é mais problema, criar um dashboard ou conectar banco de dados virou task no modo planejamento do agente que se resolve com um MCP. Acho isso ruim? De maneira nenhuma!

Todo conteúdo, seja texto, código, vídeos e imagens estão cada vez mais sintéticos. Escrever um texto (como estou escrevendo) na mão, sem usar IA está cada vez mais raro. Pensar, planejar e programar, então, ainda mais!

O que me assusta é a artificialidade e a terceirização do pensar. Isso parece que vai se esgotar em breve.

Lembram daquele report clássico da GitClear que analisou mais de 200 milhões de linhas de código? A explosão de Ctrl+C e Ctrl+V fez o volume de código clonado e duplicado via chat de IA pular de 8% pra mais de 12%.

A parada já era bizarra no final de 2024, mas o negócio (ou problema) escalou, teve outras vertentes e bateu forte: grana.

Tokenmaxxing e o repasse do subsídeos

Em 2026, mesmo com as melhroes IDEs e códigos réplicas de réplicas extraidos das LLMs, front-end sendo tudo igual, a curva parece estar se achatando.

Para o cliente médio, isso é solução profissional. Já o cliente corporativo, isso não é o suficiente nem profisisonal. Então, mergulhamos no uso intenso dos agentes, as cotas estão cada vez menores, agentes e IDEs queimando tokens como um dragão, seja Claude Code, Antigravity, Copilot, todas se esforçam para te bloquear e forçar um upgrade de plano pago. O que antes pagava e parecia ter uma cota infinita, agora é bem pequena.

E os subsídios nem acabaram ainda, a conta nem chegou por completo, o boleto dessa conta está começando a chegar e a brincadeira está ficando cara, quase proibitiva para muitos vibe-coders ou devs juniores que estão entrando.

O que está acontecendo?

A morte do refactoring: Sabe aquela faxina boa no código (git refactor)? A taxa despencou de 25% para menos de 10%. A galera só sabe socar feature nova, mas ninguém limpa o chão da cozinha.

Falta de contexto global: Como as IAs ainda sofrem pra buildar um mapa mental perfeito de monolitos ou microfrontends gigantes, elas reinventam a roda a cada três prompts. Resultado? O projeto fica com 15 funções diferentes para fazer exatamente a mesma validação de string.

O que vejo agora é o fim do "desenvolvedor babá". Em vez de interagir manualmente com a IA (copiando, colando e corrigindo erros), o engenheiro define um gatilho e uma meta verificável. A IA então trabalha de forma autônoma, corrigindo bugs e refinando o código.

A Engenharia de Prompt (me desculpe, mas odeio esse termo) morreu e virou uma perda de tempo primitiva tentar gerar algo melhor via prompt. Com o paradigma agent-first, simplesmente nossos agentes entendem um arquivo AGENTS.md e SKILLS.md organizando o projeto de forma muito mais eficiente.

Hoje, escrever código na era dos agentes exige que você saiba mais abstração do que como conectar um banco de dados via MCP. Você precisa ter a capacidade de focar nos aspectos essenciais de um problema, ignorar detalhes irrelevantes ou complexidades de implementação para otimizar o custo que está cada vez maior. Você precisa ter o skill de criar modelos mentais simplificados de um algoritmo, tornar o seu código algo mais limpo, reutilizável e fácil de entender.

GAAS (Gambiarras as a Service) e o "Dev Paleta Mexicana"

Sejamos sinceros e deixemos o politicamente correto de lado (porque o café já fez efeito) por aqui: vibe-coder purista não é programador.

Projetos tocados puramente na "vibe" estão entupidos de gambiarras que fazem um programador raiz chorar. E o pior: o cara não faz a gambiarra porque precisa de um workaround rápido, ele faz porque não sabe distinguir código limpo de lixo legível.

Quase 30% do código Python e 24% de JS gerados direto por LLMs vêm com falhas de segurança nativas. Se você não revisa o PR, você está assinando um termo de compromisso com o próximo vazamento de dados. O mais comum até hoje são as chaves de API no GitHub por falta de um arquivo .gitignore, o relatório da Microsoft revelou que foram mais de 39 MILHÕES de chaves de API vazadas (1). Parece brincadeira, mas não é. Basta acessar o GitHub e buscar, por exemplo, pela chave de API da OpenAI (2) e vai ver.

POO? Não! Agora é a era do POG (Programação Orientada a Gambiarra)

Aí eu lanço a braba: o que vai ser das faculdades de TI e dos bootcamps mágicos daqui pra frente? Será que os cursos de "Aprenda a programar do zero em duas semanas" vão virar a próxima franquia de Paleta Mexicana ou de Frozen Yogurt? Spoiler: já viraram.

O que eu espero do Dev de 2026?
Menos "Engenheiro de Prompt" e mais Arquiteto de Software maduro usando IA.

A parada aqui não é ser ludista e mandar o Claude Code, Antigravity, Copilot ou o Cursor pro espaço. A IA veio pra ficar e quem não usar vai ser engolido. A virada de chave para 2026 exige que a gente mude de nível na esteira de produção.

A verdadeira produtividade para mim não é commitar 5.000 linhas de código por dia (isso é métrica de vaidade que só serve pra estourar o limite de armazenamento do GitHub).

Produtividade real é dominar a arquitetura, o ecossistema e a regra de negócio com tanta profundidade que você usa a IA apenas como uma alavanca de eficiência. A IA digita a sintaxe chata, você dita as regras do jogo, os padrões de projeto, a segurança e a resiliência.

Como já dizia a letra clássica dos Engenheiros do Havaí (super cirúrgica pra esse cenário de automação desenfreada): "Quem são eles? Quem eles pensam que são?"

Não deixe a sua stack virar um ecossistema de "Satisfação Garantida, Obsolescência Programada". Se a gente virar mero apertador de botão de IA, eles ganham a corrida antes mesmo da largada e viramos mais dos mesmos amebóides pseudo-nerds.

E na empresa de vocês? O código virou um queijo suíço cheio de duplicatas ou o time conseguiu domesticar as LLMs pra codar com qualidade?

Vou adorar saber quem leu meu textão (choramingo) e puder trazer mais pontos de vista aqui nos comentários!


Quem quiser ir lá no LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/flavio-conca/


Fontes do que citei no meu texto:

  1. https://github.blog/security/application-security/next-evolution-github-advanced-security/
  2. https://github.com/search?q=OPEN_API_KEY&type=commits
Carregando publicação patrocinada...
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Meus 2 cents,

ja programei em folha de codificacao e acordo de madrugada para mijar (junto com a patroa), entao isso ja diz o suficiente sobre idade.

Acho que o ponto central do teu texto eh:

Produtividade real é dominar a arquitetura, o ecossistema e a regra de negócio com tanta profundidade que você usa a IA apenas como uma alavanca de eficiência. A IA digita a sintaxe chata, você dita as regras do jogo, os padrões de projeto, a segurança e a resiliência.

Ja comentei em um post perdido que devo ter conhecido uns 15 DEVs realmente bons durante todas estas decadas - o resto era de mediocre a passavel.

E tudo bem, isso nao impediu que milhares de sistemas ganhassem vida e ajudassem a economia a se desenvolver, automatizaram empresas e tarefas.

Mas como eramos humanos cuspindo codigo, tinha um limite da quantidade de caca que podia ser gerada.

O problema da IA eh que ela gera codigo ruim em Ludicrous Speed, e nao tem como gerenciar isso.

Some aos C-Level tentando posar de eficientes para o board demitindo DEVs como se fosse uma colheitadeira desgovernada - e o papo ficou serio.

Enfim, vejo um paradoxo: para usar a IA com produtividade, o DEV precisa melhorar suas skills - afinal perguntas/direcoes ruins/genericas geram codigos equivalentes.

Acredito realmente que em algum momento vai ter o "grande rollback" e os DEVs vao usar a IA como ferramenta de alavancagem, aprendendo mais, mais rapido e melhor, sem ter de consultar uma biblioteca empoeirada mas com os dados nas pontas dos dedos e sem as idiossincrasias ou atavismos que as vezes cercam as oportunidades de estudo.

Apesar de ser divertido brincar que o mundo vai acabar uma Idiocracy, nao vejo de fato que seja este nosso destino - entretanto, eh razoavel acreditar que ele podera ser um momento intermediario ate a tempestade passar.

Enfim, espero que a proxima geracao de DEVs seja melhor que a minha - afinal a programacao do sistema de biomedicina que terei de usar como paciente sera desenvolvida por eles.

Saude e Sucesso !


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Tem curiosidade sobre IA ? Da uma olhada no meu LIVRO: IA PARA ENGENHEIROS

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Até que enfim achei pelo menos 2 caras aqui que devem ter seus 40+ com cabelos e barbas nos tons grisalhos que entendem de ecnologia.

Que post!
Que comentário!

Só essa leitura valeu meu dia, senhores...

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Acho que os cabelos brancos são na maioria porque não tinha IA quando começamos. Hahahaha

E a propósito, Sultains Of Swing é um hino!
Hahhahaa

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Li tudo! Maravilhoso! Concordo contigo 100%. E acho que, no meu caso, a IA está me ajudando a ter uma visão mais clara de independência financeira. Antes desse boom de IA eu já vinha desenvolvendo um software nichado e com a IA pude agilizar o processo enquanto dev solo. Mas pra mim foi essencial escrever a maior parte do meu código, embora hoje eu apenas revise novas mudanças.

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Meus 2 cents extendidos,

Bem por ai - ferramenta de produtividade, de agilidade, de aceleracao, ainda mais para um DEV solo.

Espero que teu app te traga as realizacoes esperadas.

Nao esqueca de compartilhar depois os resultados !

Saude e Sucesso !


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Tem curiosidade sobre IA ? Da uma olhada no meu LIVRO: IA PARA ENGENHEIROS

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Esse é o caminho!
Tem que usar, claro que tem!

O problema é terceirizar absolutamente tudo para um agente de IA. Um entrante ou um novato na área só vai aprender quando não terceirizar tudo para a sua IA. É questão de escolha, se quer seguir na área como programador, precisa aprender, por mais que não use, mas pelo menos para poder saber orienar técnicamente e chegar onde quer de maneira mais consistente.

Meu maior problema como CTO de uma empresa de tecnologia é contratar pessoas que acham que vão ser pagas para ver quem faz o melhor prompt e não é isso. É quem se garante tanto que consegue ser um monitor de uma IA onde você domina e ela ser tutora onde não domina.

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Nunca fui programador de profissão, sempre fui suporte e implantador de sistemas por 12 anos, trabalhei em software-house conheço a logica e regra de negócio, e estou me aventurando um pouco com programação vibe-code, confesso que tenho sim ! medo da divida técnica, tanto que preferi por usar PHP por ser uma linguagem executada no servidor, tento usar MVP em meus projetos e algumas outras coisas para evitar os monolitos gerados por IA, mas sim ! voce está coberto de razão !

Me impressiona a quantidade de absurdos que o povo anda subindo e vendendo por ai

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Legal, Marcelo!

Você certamente tem uma imensa bagagem que grande parte, senão a maioria dos devs, não tem. Visão de negócio, conhecer a dor do cliente.

Não tenha medo do déficit técnico, talvez consiga desbloquear melhor uma ideia que resolva um problema real e muitas pessoas por conhecer muito bem clientes de suporte.

E PHP é uma delícia! ❤️

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A propósito, eu usei máquina de escrever. Antes do meu PC XT, usei também o LP (disco de vinil) e vi ele perder para o hype da fita K7. Vi a fita K7 perder para o hype do CD e, junto, os disquetes perderem para o hype do pen-drive e para o HD Externo.

Não cheguei a usar máquina de escrever ou vinil, mas vi meu pai usar. Já usei K7 e dali para frente. Ficar rebobinando as fitas com caneta BIC ou as fitas de vídeo das locadoras no aparelho de vídeo cassete (K7).

Concordo contigo, mas eu não acho ruim. Só vai aumentar o meu passe quando precisarem de um dev raiz.
O ruim é ter que limpar a bagunça "das crianças" depois...

E na empresa de vocês? O código virou um queijo suíço cheio de duplicatas ou o time conseguiu domesticar as LLMs pra codar com qualidade?

Aqui ela anda na rédia curta. Só é usada para algumas coisas sempre sob supervisão e revisão de código.

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Se já rebobinou uma fita k7 com caneta BIC você já viu bastante transição na tecnologia. Hahaha

Só vai aumentar o meu passe quando precisarem de um dev raiz.
O ruim é ter que limpar a bagunça "das crianças" depois...

Sobre isso, tem razão. Já está acontecendo!

Grandes empresas e engenheiros de software estão sentindo isso. É um dilema moderno, escolher terceirizar tudo para agentes de IA ou realmente seguir processos pela segurança e qualidade. Mas o que vejo acontecendo é uma pressão gigante nos times que o pessoal está subindo commit a doidado e nem ligando para padrões de segurança, pela pura pressão de prazos mais curtos.

Vamos ter que limpar a bagunça das "crianças" e de muito marmanjo também. Hahaha

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Isso merece aplausos e em pé!

Quanto tempo que não vejo por aqui algo lúcido e sem aquela emoção de quem descobriu o ChatGPT pela primeira vez. Muita gente emocionada não vai entender, mas, vibe-coder não é programador e IA não é tudo na tecnologia.

Ótimo saber que não to sozinho pensando nisso...

Deveria ter um filtro aqui para idade dos membros. Acho que enfim achei alguns com quem me identificou mais em pensamento. Hahahaha

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Que legal que curtiu!

Gostei da ideia do filtro!
Criaria uma roda de conversa nichada por visão de mundo...

Hahahaa

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Gostei muito de poder entender um pouco sobre como alguém que acompanhou a evolução da programação como você enxerga essa nova tecnologia que tem impactado tanto o nosso cotidiano.

Fiquei especialmente pensando na parte sobre:

dominar a arquitetura, o ecossistema e a regra de negócio

Hoje utilizamos IA para conduzir diversas atividades, inclusive para sugerir ou até definir arquiteturas. Como alguém que começou a programar mais recentemente, já na era dos frameworks consolidados e da clara separação entre frontend e backend, sinto certa dificuldade em arquitetar soluções melhores ou até mesmo em distinguir uma boa solução de algo apenas "aceitável" gerado pela IA.

Já ouvi desenvolvedores mais experientes dizerem que, para entender de verdade por que determinadas arquiteturas e padrões existem, é preciso primeiro sentir a ausência deles — convivendo com código ruim, sistemas difíceis de manter e decisões que geram problemas ao longo do tempo.

No meu dia a dia, trabalhando com IA, muitas vezes me vejo refém do resultado gerado. Se funcionou, sigo em frente; se não funcionou, penso que talvez outra abordagem ou arquitetura fosse mais adequada. O problema é que nem sempre consigo identificar o motivo.

Vocês têm alguma dica para melhorar esse processo de aprendizado?

Já li alguns livros sobre arquitetura e engenharia de software, mas tenho a impressão de que a experiência prática de ver algo dar errado e, a partir daí, projetar uma solução melhor ensina muito mais do que apenas estudar a teoria.

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Excelente reflexão, Vini.
Você tocou exatamente na ferida mais profunda e assustadora da nossa área hoje.

Sabe qual é o maior perigo dessa era de frameworks consolidados, separação limpa de camadas e, agora, IAs gerando soluções prontas? É que vocês foram inseridos em uma realidade onde o "como fazer" foi totalmente automatizado, mas o "por que fazer" foi esquecido.

Quando eu comecei era o BASIC, passei pelo C++, Java, Visual Basic e depois eu me encontrei na web com ASP Clássico (que era um framework da microsoft) que usava predominantemente o VBScript (baseado no Visual Basic) em conjunto com HTML. Fui para o PHP e voltei para o C# (evolução do antigo Asp clássico da plataforma .NET) e um pouco de Swift, que depois foi substituindo pelo Objective-C. Aqui não tinha framework, você precisava entender o que passava pela veia do sistema e o que comunicava com as outras partes do seu código.

Os frameworks vieram bem depois, sempre foram úteis para resolver algum problema. Mas não aprender os paradigmas basilares tem seus trade-offs, como tudo na vida. O framework já resolve problemas que não precisa se preocupar em resolver, mas quando existe um problema profundo vai ser no conhecimento da raiz que vai entender como resolve-los. Entende?

Quando eu comecei, lá nos anos 80, a gente não tinha o luxo de errar sem pagar um preço altíssimo. Se você errasse a modelagem de um banco ou a estrutura de um loop, o sistema inteiro travava, o cliente perdia dados e você passava três a cinco noites sem dormir escovando bit para consertar. A gente aprendia na dor física e mental do prejuízo. Era brutal! Hoje, a IA cospe um boilerplate limpinho, com Docker configurado, padrões de projeto aplicados e, se funcionar no primeiro teste, o desenvolvedor dá git push e segue a vida. É vraaau!

Hoje você vira refém dos resultados porque a IA te entrega o destino final sem te mostrar o mapa da viagem. Não pegou um atalho (que já é ruim), você é teletransportado direto para o fim.

Dizer "é preciso sentir a ausência dos padrões para entender por que eles existem" é o caminho da razão. A teoria dos livros é linda, mas ela só faz sentido quando você olha para uma linha de código tenebrosa e pensa: "Caramba, se eu aplicar o padrão X aqui, eu resolvo essa bagunça".

Como você não tem tempo (e nem quer) ver a empresa onde trabalha falir só para aprender errando, você precisa induzir o erro de forma controlada. Se você quer mesmo sair do risco de cair no balaio da mediocridade e parar de aceitar o "aceitável" da IA para dominar a arquitetura na prática, mude sua postura com algumas atitudes:

1 - Inverta o jogo com a IA com engenharia reversa. Quando ela te der uma solução que funciona, questione os pontos fracos. Pergunte o "Por que essa estrutura e não a X?", "Onde essa arquitetura quebra se o volume de dados triplicar?" ou "Quais são os trade-offs dessa escolha?". Force a máquina a te ensinar os fundamentos. Exija que ela explore os riscos, as limitações e as brechas que podem se abrir principalmente no quesito segurança.

2 - Abrace o código ruim (o legado). Os livros dão a teoria, mas o aprendizado real vem do atrito. Peça para mexer naquele sistema antigo e problemático da empresa que todo mundo tem medo. Tentar refatorar ou isolar uma regra de negócio em um código macarrônico vai te ensinar mais sobre padrões de projeto do que mil páginas lidas. O importante vai ser entender como conseguiu dar cada passo, sem atalhos, para construir uma solução para o problema x.

3 - Sempre provoque o erro controlado. No seu ambiente local ou num docker, monte um projeto simples misturando tudo, o banco de dados, o front, a lógica no controller. Tente evoluir esse sistema. Quando você sentir a dor real da manutenção difícil, reescreva do jeito certo. A diferença vai fixar na sua cabeça para sempre. E lógico, chame seu techlead ou um dev senior para acompanhar o que fez localmente e apresente sua solução. Geralmente o tiozão cansado não viu o que viu e rola até um upgrade na carreira.

A IA é uma excelente assistente, mas uma péssima mentora se você for passivo. Não seja apenas um "aprovador de código". Quem domina a base e entende o ecossistema é quem dita as regras do jogo e. vai mais longe, ganha mais e cresce.

Sucesso na sua jornada!

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Rapaz!

Eu aqui bem quietinho achando que a maioria dos assuntos da rapaziada dos 20 e poucos anos por aqui tem pouco dessa visão. Me senti bem em saber que tem algumas pessoas aqui mais velhas que entendem bem o que é isso...

Quem nasceu neste contexto de IA não tem como saber, não é culpa deles. Mas a tecnologia dos anos 80 até agora teve sim muita coisa boa. A IA veio para ajudar muito, mas não é o santo graal como fazem parecer. 50% é puro marketing.

Parabéns pelo desabafo, me identifico com esse pensamento.

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Eu programo há pouco tempo, mas vi toda essa tecnologia aí que citou e ainda tenho uma Hamilton portátil da maleta vermelha, funcionando, que meu pai deu pro meu avô e esse passou pra mim. Mas mesmo com pouco tempo programando, por sempre ter gostado de tecnologia, acompanhei esse progresso, e concordo com vc sobre o ponto de terror. É assustador e mesmo sendo recente na profissão e usando diariamente, tomo cuidado para que o assitente seja mais uma ferramenta e não "meu empregado". Gosto de pensar que o Copilot é o Senior que me dá mais atenção e tira algumas dúvidas e não o que faz pra mim de forma que eu não aprenda. O problema, que não é novo e está aumentando exponencialmente é: A cada dia mais as pessoas estão desaprendendo a aprender enquanto delegam coisas pra assistente de IA

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Rapaz!

Aquela remington da maleta vermelha era meu sonho. Aquilo era só um executivo que tinha uma daquela debaixo do braço. Só quem viveu isso entende sobre a cadência necessária para conseguir que o tipo preenchesse um A4 de forma majestosa. Recentemente vi na internet uma pessoa vendendo ua Olivetti vermelha naquela maleta tipo slot, da linha Valentine e custava quase 6 mil. Se soubesse teria guardado meu XT e não teria jogado no lixo. Hahahhaa

Sua linha de pensamento sobre agente de IA é a mais adequada, a que eu recomendaria e a mais frutífera porque vai extrair o melhor dos dois mundos. O agente te corrige, te encaminha, te auxilia, não cria dependência. Isso é produtivo!

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Sem duvida!

Os arqueólogos do futuro um dia vão escavar o servidor da Microsoft, encontrar o GitHub e vão ver quantos cacos podres de codigo e perder a noção das eras. Hahaha

Sempre teve o dev que fazia sistemas no melhor estilo gambiarrudo. Eles são os que mais sofrem, porque, se quiserem insistir na carreira precisam aprender na dor. Mas eles dão um trabalho...

Prefiro contratar um dev preguiçoso do que um gambiarrudo. Pelo menos o preguiçoso sempre pensa como resolver usando o menor caminho possível, o gambiarrudo pensa em não resolver mas criar um problema resolvendo outro e empurrar para outro time ou dev acima dele.

Até o fim do mundo, este tipo vai sempre existir...

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Desde que LLM virou moda, houve um retrocesso muito grande na área de desenvolvimento. Ironicamente, o retrocesso começou quando estava na moda falar sobre qualidade de código. Mas aí os LLMs entram na área e de repente todo mundo esquece o que é qualidade.

Antes era muito comum ver sêniors falando que velocidade na escrita de código era o menor dos problemas, que existiam coisas muito mais importantes. Daí chegam os LLMs e velocidade de geração de código se torna tudo o que importa.

Antes tava na moda falar de segurança e o quão importante era escrever código seguro. Agora, ninguém se importa se o LLM vai gerar código seguro ou não.

Isso só serve para provar algo que eu sempre soube, mas não tinha provas antes: as pessoas só sabem falar. As pessoas falam de qualidade, falam de segurança, falam de performance, mas na hora H, quando é pra fazer na prática mesmo, a galera faladora some.

Como Torvalds uma vez disse: «Talk is cheap, show me code.»

Os recorrentes supply chain attacks, os recorrentes LPE no Windows e no Linux, não são indicadores de que a IA se tornou um AGI do caralho fodão que encontra vulnerabilidades pikas. Na verdade prova algo que eu venho falando desde a adolescência: a grande maioria dos projetos têm um nível de segurança ridículo.

Infelizmente sempre foi fácil você pegar um projeto aleatório qualquer e encontrar dezenas de vulnerabilidades nele. Isso não é uma novidade que a IA está trazendo, isso sempre foi assim. A única diferença é que agora pessoas irresponsáveis e/ou mal intencionadas podem pagar uma ferramenta para fazer o que antes só gente responsável era capaz de fazer, mas não fazia por, justamente, ser responsável.

Para a galera leiga em segurança, está sendo um espanto ver como você pode por um LLM para achar vulnerabilidades em um projeto. Mas na área de segurança, um total de 0 pessoas foram supreendidas. Todo mundo da área já sabia o quão ruim era o nível de segurança na maioria dos projetos.

As pessoas sempre falaram muito, mas nunca realmente acreditaram no que falaram. E o resultado é isso daí: A galera que falava de qualidade, segurança e performance agora confia cegamente em LLM: inimigo da qualidade, segurança e performance.


Mas o que está sendo mais triste pessoalmente para mim, é em relação à conteúdo gerado por IA. Já faz mais de uma década que eu comecei a produzir conteúdo em Português, justamente porque eu sempre tive a visão que o conteúdo técnico em Português era, no geral, de baixíssima qualidade (com exceções) e eu queria ajudar a elevar o nível de qualidade do conteúdo técnico em Português.

Por um tempo, eu realmente acreditei que isso iria acontecer. Mas agora tá todo mundo gerando lixo com LLM e diminuindo o nível do conteúdo que já era baixo. É uma decepção, uma grande decepção. Ao invés de melhorar ao longo do tempo, piorou. E piorou muito.

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Silva, você foi cirúrgico cara!

Isso toca no calcanhar de Aquiles da nossa vaidade corporativa. O que você descreveu é a constatação de uma hipocrisia escancarada que a onda de IA finalmente tirou do armário. Antes o papo não era velocidade de escrita de código, era muito mais focado no clean-code, não era se o dev tinha fit cultural, era se ele tinha uma filosofia de desenvolvimento de software priorizando boa escrita, códigos fáceis de ler, entender e manter, se o cara entendia do produto/negócio... Dói, mas isso na média tá acabando!

Essa febre dos LLMs expôs que o discurso de qualidade, clean code, arquitetura robusta e segurança máxima muitas vezes só existia para passar de bonito no LinkedIn ou em palestras de tecnologia. Antes era um verniz de sofisticação.

Agora, bastou o mercado colocar uma ferramenta na mão dos gestores e desenvolvedores que promete entregar o triplo de linhas de código na metade do tempo para todo aquele evangelho de boas práticas ser jogado na primeira lixeira que apareceu. A pressa e o faturamento imediato sempre falaram mais alto, a diferença é que agora as pessoas têm uma desculpa tecnológica para terceirizar a própria responsabilidade. Antes era o couro de quem tava ali codando na unha.

Esse seu ponto sobre a segurança é a mais pura e dolorosa verdade, me irrita também. O pessoal de cibersegurança/segurança da informação nunca precisou de uma superinteligência alienígena para encontrar falhas catastróficas, porque o básico do desenvolvimento seguro quase nunca foi feito. Pq a maioria dos sistemas corporativos é uma linda carruagem e um cavalo sendo segurado por um barbante. É fato!

O que a oferta infinita dos LLMs fizeram não foi criar uma mente brilhante capaz de hackear o impossível, eles simplesmente automatizaram a varredura do óbvio. Eles pegam aquela montanha de código negligenciado, códigos cheios de brechas primárias que sempre estiveram lá, e entregam o mapa da mina para qualquer um que saiba apertar um botão. Nem precisa contratar um pentester! Hahaha

O que estamos assistindo agora é uma geração inteira de profissionais virando refém de geradores de probabilidade estatística. A ironia é monumental, passamos anos discutindo a sofisticação da engenharia de software para terminar aceitando qualquer código mediano, algoritmos inseguros e sem contexto, só porque ele apareceu na tela em cinco segundos. Só isso!

No fim das contas, como citou a frase do Mestre dos Magos, o que o Torvalds disse nunca fez tanto sentido, mas tem um gosto bem amargo. O falatório barato cansou, e o código que estão mostrando por aí, inflado por automações sem critério, está cobrando o seu preço na realidade através de brechas, lentidão e sistemas impossíveis de manter.

A conta dessa irresponsabilidade coletiva vai chegar e não vai demorar!

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Esqueci também de falar sobre o conteúdo gerado por IA.

Cara, eu já tive projetos de conteúdo, deixava tinindo para o SEO, padrão top, w3c standards, schema, cards, ranking no topo, short e long tail em muitos artigos, tráfego monetizao com adsense, canal do YouTube na mesma pegada, milhões de views...

Agora, é tanto conteúdo regurgitado pelos chats de IA que tava pensando em escrever um livro e até desisti porque conteúdo hoje é tudo padrão, geração que antes lia noticias hoje quer 5 segundos no tiktok para mudar de video. Conteúdo denso, rico parece que ficou apenas para distribuir para acadêmicos.

É tanto conteúdo, tanto video e as pessaos se sentem vazias...

Tenho um projeto de conteudo que vou encerrar porque, mesmo preparando nso melhroes padrões os acessos são de bots de chats. Agora dependo de que o ChatGPT ou Gemini indique meus sites e aguardar que alguem tenha interesse em ler tudo.

É um mundo resumido!

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