E quando um vídeo é todo feito por IA, quem é o autor?
Hoje, quantas pessoas ainda programam em assembler?
O uso de linguagens de alto nível como C, C++ ou Java faz alguém menos autor do que quem manipulava registradores e portas lógicas diretamente?
Da mesma forma, quem programa hoje é menos programador do que aqueles que, nas décadas de 60 e 70, escreviam código em cartões perfurados?
A história da computação é, essencialmente, a história da abstração: cada camada nova elimina complexidade sem eliminar autoria.
A IA segue exatamente esse mesmo caminho. Ela não cria intenção, contexto ou objetivo — isso ainda é humano. O que ela faz é reduzir o custo cognitivo da execução.
Talvez o desconforto não seja com a tecnologia em si, mas com o fato de que programar está deixando de ser um privilégio de poucos.
Reflexões de quem viu o Clipper nascer e agora vê a IA ampliar, não substituir, o papel do programador.