Concordo contigo que, em ambientes mais regulados (fiscal, contábil, trabalhista), a documentação precisa vir antes e ser aprovada, porque a própria natureza do negócio não permite improviso. Nesses cenários, o projeto técnico realmente é a fonte da verdade.
O ponto que tenho observado com mais frequência é fora desses ambientes: produtos digitais, SaaS, startups e até times médios, onde a pressão por entrega contínua e mudança rápida acaba quebrando esse modelo ideal. Não por discordância conceitual. quase todo mundo concorda que documentar é essencial — mas porque, na prática, a manutenção manual não escala bem quando as mudanças são constantes.
Por isso vejo cada vez mais valor em reduzir ao máximo a dependência exclusiva do fator humano. Quando diagramas e documentação conseguem ser derivados automaticamente daquilo que foi implementado, ou pelo menos sincronizados com a execução real, o risco de divergência cai muito. A documentação continua sendo parte do trabalho, mas deixa de ser um gargalo ou um ponto frágil do processo.
No fim, acho que estamos falando do mesmo objetivo: evitar dívida técnica e perda de controle. A diferença é o caminho. Em contextos ideais e bem estruturados, o projeto continua sendo a fonte da verdade. Em contextos mais dinâmicos, a automação vira uma aliada para garantir que essa verdade não se perca ao longo do tempo.