Cara, esse post me acertou em cheio porque vivi e estou vivendo exatamente isso na pele.
Construi um ERP do zero com Django no back-end e Next.js no front, 100% voltado pro mercado brasileiro. E posso confirmar: sim, esse gap é real e dói bastante.
Cada ponto que você listou eu esbarrei na prática:
- Pagamento: Integrar Pix e boleto no Brasil é uma novela. Stripe não resolve, e o Mercado Pago tem suas pegadinhas, a propósito foi o primeiro gatway que injetei no projeto e agora vou tentar a pagar.me e na sequência stone para pdv. Nenhum boilerplate gringo traz isso pronto.
- NF-e/NFS-e: Esse é de longe o maior pesadelo. Cada município tem suas regras, e no contexto de um ERP isso é inescapável. Acabei optando por integrar com APIs de terceiros especializadas ao invés de tentar implementar do zero — e mesmo assim dá trabalho.
- LGPD e validações BR: CPF, CNPJ, inscrição estadual, regimes tributários... são regras de negócio que simplesmente não existem em nenhum boilerplate gringo. Tive que construir tudo na mão.
- Dashboard em PT-BR: Parece bobeira mas faz toda diferença na adoção. Cliente brasileiro quer interface em português, com formatação de moeda, data e endereço no padrão BR.
Escolhi Django justamente pela robustez para lidar com essas regras de negócio complexas (fiscal, financeiro, estoque), e o Next.js no front pela flexibilidade de SSR + SPA. Essa combinação tem funcionado bem, mas o caminho até aqui foi árduo — quase desisti 3 vezes.
Sobre sua ideia do boilerplate: acho que faz muito sentido, principalmente se você focar no que realmente dói (pagamento + fiscal + LGPD). A parte de auth e dashboard em PT-BR é importante, mas o diferencial matador seria resolver a questão fiscal de forma simples.
Boa sorte no projeto! Se quiser trocar ideia sobre os desafios de construir produto BR, estou por aqui.