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Estoicismo: O Framework Mental que Todo Dev Deveria Usar

1. Intro

Hey, jovem! Você sente que seu processador mental está superaquecendo porque o trânsito parou, seu chefe é um algoritmo mal escrito, ou o servidor caiu na sexta-feira à noite?

Você quer viver uma vida tranquila, mas passa o dia dando Kernel Panic por coisas que você não pode mudar?

Bem, adivinhe! Um bando de gregos e romanos, há uns 2.000 anos, escreveu a documentação definitiva sobre "Gestão de Erros para Seres Humanos". Isso se chama Estoicismo. E não, não tem nada a ver com ser uma pedra sem sentimentos ou o Spock de Star Trek. É sobre ter um sistema operacional mental tão robusto que nada consegue travá-lo.

1.1. O Bug do Senso Comum

A maioria das pessoas acha que ser "estoico" é engolir o choro e sofrer em silêncio. Errado. Isso é apenas repressão e vai causar um vazamento de memória emocional mais tarde. O Estoicismo real é sobre processar os dados de entrada de forma que o output não seja um ataque de pelanca.

2. A Dicotomia do Controle (A API Principal)

Se você aprender apenas uma função desta biblioteca inteira, aprenda esta: is_under_my_control().

O Estoicismo divide o universo inteiro em duas categorias de variáveis:

  1. Variáveis de Escrita (Sob seu controle): Suas opiniões, seus desejos, suas reações, suas ações. Basicamente, o seu código interno.
  2. Variáveis Somente-Leitura (Fora do seu controle): O clima, a economia, o trânsito, o que os outros pensam de você, a morte, e se o Wi-Fi vai cair.

O problema é que você gasta 90% da sua CPU tentando escrever em variáveis "Somente-Leitura". Você grita com a chuva. Você se estressa com a política. O sistema lança uma exceção de Permission Denied, e você fica furioso.

A solução estoica: Se is_under_my_control(evento) retornar FALSE, redirecione para /dev/null. Ignore. Aceite. Não gaste ciclos de processamento com isso.

3. Amor Fati (Ame seus Logs de Erro)

Nietzsche pegou isso emprestado, mas a vibe é estoica. Significa "Amor ao Destino".

Imagine que você está compilando um código e dá erro.

  • A pessoa normal: "Droga, por que isso acontece comigo? O compilador me odeia!"
  • O Estoico: "Ótimo. Um erro. Isso é uma informação. Agora eu sei onde o código está fraco. Obrigado, erro."

Não é apenas "suportar" o que acontece. É abraçar o que acontece. O servidor queimou? Ótimo, oportunidade de testar o plano de Disaster Recovery. Foi demitido? Ótimo, oportunidade de refatorar a carreira.

O universo vai rodar o script dele quer você queira ou não. Você pode ser arrastado pelo script gritando, ou você pode rodar junto com ele.

4. Memento Mori (O Shutdown Agendado)

Isso soa mórbido, mas é uma feature, não um bug. Significa "Lembre-se que você vai morrer".

Imagine que você tem um projeto com um deadline rígido. Você vai perder tempo scrollando o TikTok? Não. Você foca no que importa.

A vida tem um deadline (você só não sabe quando é). Os estoicos usam a morte não para ficarem deprimidos, mas para priorizar a execução. "Se este fosse meu último dia rodando neste hardware, eu estaria perdendo tempo brigando com um estranho na internet?"

Provavelmente não. kill -9 nesse processo inútil.

5. Visualização Negativa (Teste de Stress)

Sêneca, um dos "Senior Devs" do Estoicismo, sugeria que você tirasse um momento de manhã para imaginar tudo dando errado.

"Hoje, eu vou encontrar pessoas ingratas, o café vai estar frio, e o carro vai quebrar."

Por que fazer isso?

  1. Redução de Impacto: Se o carro quebrar, você não fica chocado. Você já tinha simulado esse cenário no ambiente de teste. O sistema não cai.
  2. Gratidão: Se o carro não quebrar, você fica genuinamente feliz porque o cenário feliz ocorreu.

É basicamente rodar um Chaos Monkey na sua própria mente antes que a vida faça isso por você.

6. Como rodar isso em Produção

Não tente virar o Imperador Marco Aurélio da noite para o dia. Comece com pequenos patches:

  • Passo 1: Algo ruim acontece.
  • Passo 2: Pause a execução (não reaja imediatamente).
  • Passo 3: Rode a verificação: "Eu posso controlar isso?"
  • Não: "É o que é." (Dê um return 0).
  • Sim: "Qual a melhor ação virtuosa agora?" (Execute a função).

7. Conclusão

O Estoicismo é sobre manter seu sistema estável num ambiente de rede (o mundo) que é inerentemente caótico e cheio de pacotes maliciosos. Você não pode consertar a internet, mas pode configurar um firewall mental impenetrável.

Mantenha a calma, foque no que é seu, e deixe o resto queimar se tiver que queimar.

Divirta-se!

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Todo mundo que conheço que tenta aplicar algum tipo de estoicismo na vida, na prática só consegue chegar no conformismo.

Quando você conversa com alguém que se encanta com estoicismo, percebe uma apatia da vida em relação a quase tudo. A pessoa fala em não se afetar por aquilo que não pode mudar, mas na prática o que ela faz é evitar de querer mudar alguma coisa.

Não é muito diferente de outras filosofias como o cristianismo, muita gente se diz cristão mas não tem coragem de seguir os preceitos mais importantes, por exemplo, largar tudo o que tem e seguir os passos de Cristo, ou amar o próximo como a si mesmo pois o que mais tem é gente precisando de ajuda e sem cristãos se dispondo a ajudar de verdade (e ainda criticam os que se põe a fazer isso).

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Devido ao corpo humano não ser necessariamente estável (muitas vezes justamente por alimentação ruim ou sem exercício físico), os hormônios naturalmente oscilam e não é possível manter um equilíbrio biopsicossocial relativamente constante sem esforço. É evidente que boa fração das pessoas só expressa princípios ou desejos sem de fato produzir algo que a torne mais saudável. É preciso vontade, auto análise e honestidade consigo mesmo para conduzir a comportamentos diferentes. Além disso, sem prática nada acontece.

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Imagina eu passar 24hs do meu dia ajudando pessoas? Eu preciso ser ajudado também! Minha vida não pode parar por que preciso ajudar os outros, também tenho minha família, casa para tomar conta, a partir do momento que estou bem, posso ajudar o outro que é a premissa é exatamente essa: Me amo > amo o próximo.
Esse próximo quer ser ajudado? vai "fazer por onde"? as vezes você ajuda a pessoa e ela volta exatamente para o estado anterior, eu já abri mão de pessoas da minha família pois estava me afetando me preocupar tanto, abrir mão do meu tempo, dinheiro e saúde para literalmente NADA.
E sim, tirando esses casos extremos, vivemos no dia a dia procurando fazer coisas boas em pequenos atos...

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Algo que sempre me fez não entender o estoicismo é que aumentar a quantidade de coisas que eu posso controlar é algo que está sob meu controle!

Então a maxima de "não se preocupe com o que você não controla" vira: O quanto eu quero me esforçar para controlar isso?

Que é uma pergunta aberta e nem sempre fácil de responder!

Claro, tem coisas que não importa o que eu faça nunca estarão sob meu controle, mas muita coisa da para eu expandir minha capacidade de influência para controlar e ai que mora o dilema.

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Nem sempre as coisas que estão sob nosso controle serão as que nos causam o maior mal. Eu acho que a visão estoica tem sim seus problemas e um contexto muito idealizado da vida.