Criar jogos com IA mudará a forma de produção dos videogames? Ainda não, mas está quase.
Há um tempo venho observando o pessoal se divertindo com IAs, surgindo termos como “vibe code”, artista de IA, jornalismo de dados com IA. E pessoalmente, teorizo que IA veio para encerrar a 3ª Revolução Industrial.
Recentemente, participei de um processo seletivo que me impressionou bastante. Recebi como briefing a tarefa de fazer dois jogos: um usando o Scratch online e outro com Pygame Zero.
É verdade que na computação não existe uma base evidente de “ferramenta certa”. Cada área possui sua própria conjuntura de ferramentas que precisam ser estudadas. No entanto, eu nunca tinha ouvido falar de PGZ (Pygame Zero) até aquele momento — tinha começado a estudar apenas o Pygame original durante a pandemia.
A empresa me deu somente dois dias para programar os dois jogos. Então decidi fazer um teste: e se eu mudasse a forma como aprendi a desenvolver jogos no IFMA? Afinal, eu precisava criar um jogo semi completo, com imagens, música e programação em curto prazo.
Com caneta e papel em mãos, gastei uns 30 minutos do primeiro dia tentando desenhar um personagem. Pensei em rato, gato, cachorro, onça… mas, lembrando de Samurai Jack, criei o Ratoelho. Misturei o rascunho de um rato com o de um coelho.
Para quem nunca assistiu Samurai Jack, pode parecer que animação vetorial é fácil de animar. Sinto informar que não é. Pelo método que aprendi no ensino médio, eu levaria cerca de 6 horas para fazer uma primeira versão decente.
Então pensei: será que consigo tirar uma foto pela webcam e pedir ao ChatGPT para me ajudar a desenhar sprite sheets simples? Fiz exatamente isso. Ele começou a gerar os sprites principais.
Claro, o ChatGPT não consegue produzir mais de dois frames coerentes sem cometer erros na animação o que precisa de mão humana para ajustar.
Mesmo assim, em apenas 3 horas eu já tinha a primeira animação do Ratoelho nas mãos. Diminuindo o tempo praticamente pela metade, consegui usar o primeiro dia inteiro para desenhar e redesenhar o protagonista, chegando a fazer 3 animações.
Com o tempo quase estourando, precisei pensar num antagonista rápido. Fiz um esboço bem simples de um frango e apliquei o mesmo método: o Chat gerou os sprites. Não refinei tanto a animação dele porque ainda precisava criar a IA dos frangos e a mecânica principal — atacar o protagonista atirando ovos pela bunda.
Resumindo: para projetos com pouco tempo, dá sim para usar IA e criar jogos novos, e não apenas pedir para ela recriar um Super Mário do zero com "web dev vanilla". Porém, é fundamental já saber o básico da produção de videogames. Eu não pedi para ele criar o projeto do zero. Eu mesmo desenhei os croquis e já tinha as mecânicas segregadas em outros projetos. Com esse repertório, consegui entregar os dois projetos em tempo recorde.
Ainda pretendo lapidar bastante o cenário no futuro, mas o fato de as animações estarem com nível profissional em tão pouco tempo é, sim, incrível.