Por que eu ainda tenho medo?
Introdução
Para quem não me conhece, meu nome é Rafa Denlavor. Sou Engenheira de Software Pleno, com cinco anos de estrada. Grande parte da minha atuação é no front-end, principalmente com React, mas também atuo no back-end com Node.js e Java. Tenho experiência com banco de dados relacional e não-relacional, e já atuei nas mais variadas partes de um sistema, além de ter criados dezenas de projetos legais (maioria só com front).
Sou a criadora de projetos como: PolarizeMe, CURLinhos, Shinobi Keyboard e Firmgate.
Apesar de tudo isso... eu ainda tenho medo.
Quando se trata de desafios profissionais, não hesito em bater no peito e dizer: "Deixa comigo!" Minha experiência me dá a confiança para assumir grandes projetos, pensar em arquitetura e decidir quais tecnologias usar.
Mas quando o assunto são os meus projetos pessoais, a história é outra.
Da onde vem o medo?
Gosto de criar novas ideias, e tenho toda a capacidade técnica para construir projetos completos — aqueles que precisam de front-end, back-end, UX, SEO, e marketing. No entanto, quando um projeto pessoal demanda um banco de dados, eu simplesmente travo.
Eu sei como construir o back, quais tecnologias usar, qual paradigma escolher, como conectar ao servidor e adicionar a camada de autenticação. Eu tenho o conhecimento, mas a simples ideia de que o projeto precisa de armazenamento de dados me paralisa. É como se, de repente, todo o meu conhecimento desaparecesse.
No final, me restam apenas duas opções: desistir da ideia ou bolar uma alternativa para evitar que o back-end seja necessário.
Não sei se é preguiça, desânimo ou a famigerada síndrome do impostor, mas esse bloqueio me mostra que, mesmo após anos de experiência, ainda há um desafio a ser superado — a confiança em meu próprio trabalho fora do ambiente de uma empresa.
Sabe aquela sensação de ter uma ideia incrível? Aquela faísca de empolgação que ilumina a mente, te faz enxergar um projeto completo, com front, UX, e todas as funcionalidades brilhantes?
É uma sensação maravilhosa. Mas em algum ponto, uma voz na minha cabeça sussurra: "Isso precisa de um banco de dados."
E é nesse ponto que a mágica da criação se transforma em um peso. É o momento em que a empolgação vira uma sombra de desânimo. Eu sei a teoria, sei qual tecnologia usar, sei conectar, sei como funciona. Mas o simples fato de que a ideia exige um back-end me paralisa.
Não é falta de capacidade. É um bloqueio, um cansaço mental que me faz questionar tudo. "Será que é preguiça? Ou a síndrome do impostor, sussurrando que eu não sou boa o suficiente para isso sozinha?"
E então, me vejo numa encruzilhada dolorosa. Ou desisto da ideia que me entusiasmou, ou a amputo, eliminando o back-end para que ela caiba em uma versão simplificada e sem alma.
Me sinto frustrada
No final, o medo de construir acaba sendo mais forte do que a vontade de criar. Até que ponto isso me impede de criar soluções e produtos incríveis? Mais alguém se identifica com o medo?