Seu currículo é um JSON incompleto: “skills” não explicam pessoas
Eu sou o Davi, dev, builder, CTO. E eu tenho uma implicância antiga com o jeito que o mercado trata carreira como se fosse um match de palavras-chave.
A lógica costuma ser:
- você vira um CSV de skills (
Python, React, AWS...) - a vaga vira outro CSV
- alguém roda um “match”
- e todo mundo finge que isso representa uma pessoa
Spoiler: não representa. 😅
Eu tô construindo uma tese na prática (indiretamente com a Refer):
o match bom nasce de conhecer profundamente o candidato — seus passion topics, objetivos, e o contexto real que quase nunca cabe no currículo.
Dois devs podem ter o mesmo stack e querer vidas opostas
Pega dois perfis:
- mesma senioridade
- mesmo stack
- mesma pretensão salarial
O mercado geralmente diz: “matcham com a mesma vaga”.
Na vida real, quase sempre é “não”.
Porque o match não é só o que você sabe fazer.
É por que você faz, o que você quer construir, e o que te dá energia no dia a dia.
O que “conhecer profundamente” significa (sem virar RH místico)
Não é “fit cultural” de ping-pong e frase no mural.
É coisa concreta:
- autonomia vs microgerenciamento
- velocidade vs previsibilidade
- craft vs escala
- research vs produto
- founder-led vs process-led
Se você acerta isso, o candidato cresce e a empresa ganha um motor.
Se erra, vira aquele PR eterno: ninguém dá merge e todo mundo perde vontade de viver.
Como captar isso sem um formulário de 60 perguntas?
Você não pergunta tudo. Você pergunta melhor e observa consistência.
Perguntas simples que revelam muito:
- “Qual problema você quer ter resolvido na sua carreira em 1 ano?”
- “Que tipo de tarefa te dá energia mesmo quando dá trabalho?”
- “O que você não quer mais viver num time?”
- “Se eu te der um mês livre pra construir algo, o que você faria?”
E aqui entra a parte que eu acho que muda o jogo:
não é só coletar a resposta, é ter memória e aprender com feedback.
Porque pessoas mudam. E match melhora com histórico.
(quem nunca mudou de opinião depois do 3º deploy pegando fogo numa sexta?)
Minha aposta (e quero saber se você concorda)
Carreira vai migrar do “self-service” para representação inteligente:
- entender profundamente a pessoa
- mapear ambições e contexto
- conectar com empresas e decision makers com intenção
- iterar com feedback, sem desgaste
Se hoje tem dev usando Copilot pra completar linha de código…
por que a gente ainda usa “apply” pra completar vida?
Pra discutir de verdade
- Você sente que o mercado te reduz a palavras-chave? Quando isso fica mais claro?
- Qual foi o melhor match da sua carreira, e por quê? (além do stack)
- Quais são seus passion topics hoje? Isso aparece no seu currículo?
- Se existisse um “agente de carreira” que te conhece, o que ele teria que fazer bem pra você confiar?